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Temos que ser iguais para vencer o vírus
Editorial Luxemburgo 2 min. 24.03.2020

Temos que ser iguais para vencer o vírus

Temos que ser iguais para vencer o vírus

^Foto: AFP
Editorial Luxemburgo 2 min. 24.03.2020

Temos que ser iguais para vencer o vírus

Nuno RAMOS DE ALMEIDA
Nuno RAMOS DE ALMEIDA
A pandemia é uma máquina de morte, mas também é, sem uma ação consequente dos Estados e das sociedades, um destruidor da economia e um produtor de desigualdades sociais.

Para se conseguir debelar o coronavírus é preciso garantir a todos as condições mínimas de vida. A pandemia é uma máquina de morte, mas também é, sem uma ação consequente dos Estados e das sociedades, um destruidor da economia e um produtor de desigualdades sociais. 

 Os bancos centrais, o Fundo Monetário Internacional, a União Europeia e os governos a eito têm tomado medidas para manter a “liquidez na economia”. O problema é que estas medidas apenas se traduzem em entregar aos bancos dinheiro, com juros baixos, que eles emprestam a empresas com um juro muitas vezes mais elevado. A solução de colocar os bancos como salvadores da economia real, das famílias e empresas, só seria possível se os seus critérios fossem outros que não ter o lucro maior possível; o que só seria prática corrente se todo o sistema financeiro tivesse nacionalizado. Como isso não vai acontecer, é preciso entregar diretamente o dinheiro às pessoas e às empresas. 

 Para derrotar este vírus de proporções bíblicas é necessário que a maioria das pessoas tenha condições para ficar em casa durante vários meses sem morrer de fome. É também fundamental que os trabalhadores que não podem estar de quarentena – todos aqueles que asseguram a produção, saúde, distribuição, energia e segurança para que os outros possam proteger-se – possuam todas as condições de segurança contra o vírus. 

O coronavírus só vai deixar de infetar, se a maioria das pessoas ficar em casa. É isso que vai garantir que vamos um dia todos poder sair à rua. 

 Mas para a grande maioria das pessoas conseguir ficar em casa, precisam de ter assegurada as condições de vida. Têm que ter habitação, água, luz, eletricidade, serviços de comunicação e comida para viverem. 

 Só é possível conseguir isto para toda a gente, condição necessária para vencer a doença, se toda a gente tiver um rendimento mínimo, independente de ter trabalho ou não o ter. Os Estados em vez de andarem a entregar dinheiro aos bancos, para especularem, têm de o entregar diretamente às pessoas. Só assim será possível que elas estejam fechadas em casa e em segurança. 

Durante este período de estado de emergência, não pode haver despejos de casas, despedimentos no trabalho, cortes de luz, água, eletricidade e internet.

 Todos estes gastos têm de ser mutualizados e garantidos pelo Estado durante esta crise. Só assim, quando esta onda mortal passar, será possível não nos depararmos com uma economia totalmente destruída, que funcionará como uma segunda onda mortal destrutiva do vírus. 

 A sociedade que sair desta pandemia terá que procurar comportamentos ecologicamente sustentáveis que evitem a multiplicação destes fenómenos e deverá apostar fortemente em sistemas nacionais de saúde. Mas só haverá uma economia viável, depois desta tempestade, se as políticas económicas, executadas durante a pandemia, tenham como objetivo salvar as pessoas e não só os bancos. 

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