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Tânia Silva: lutar e fazer política para vencer a doença
31.1. WO fr. / ITV Tania Silva  / Maladie de Lyme /

Tânia Silva: lutar e fazer política para vencer a doença

Foto: Guy Jallay
31.1. WO fr. / ITV Tania Silva / Maladie de Lyme /
Luxemburgo 3 min. 12.09.2018

Tânia Silva: lutar e fazer política para vencer a doença

Nuno RAMOS DE ALMEIDA
A história da jovem candidata socialista de origem portuguesa que levou o sofrimento de centenas de doentes de Lyme ao parlamento do Luxemburgo.

A sua vida política começou por causa da dor. A dor de ter uma doença e a dor de não acreditarem no seu sofrimento. A vida começou de uma forma difícil. “Eu tenho uma doença que não é reconhecida como uma doença crónica”, pontua. Para ultrapassar tudo isso, lutou. Lutou contra a doença, lutou contra o seu silenciamento. Em 2015, levou uma petição ao parlamento para que fosse reconhecida a doença de Lyme. Uma das mais apoiadas no país. As coisas melhoraram, mas não muito: “Houve maior perceção das pessoas e a consciência dos médicos e do pessoal de saúde”.

Tânia Silva tem 26 anos, nasceu no Luxemburgo. O pai é de Braga e a mãe do Porto. Separaram-se quando era criança. A mãe educou-a sozinha. “Vivi uma infância normal, mas com algumas dificuldades económicas, porque a minha mãe estava sozinha. Tinha vários trabalhos para conseguir sustentar-nos”. Mas não lamenta nada. “Não digo que seja uma boa experiência, mas permite-nos ter os pés na terra. Faz falta gente que conheça a vida, mesmo na política”.

A escola não foi fácil. Tinha bons resultados, mas adoeceu muito nova. “Tive de parar. Não tinha força para nada”. Na adolescência houve uma ligeira melhoria. “Não sei se estava bem. É difícil para uma pessoa, que tem a dor todo o dia, saber se está menos doente. Só agora aprendo a viver”. No início, nem percebeu que era doente, foi a família que lhe disse não estar bem. Começou a sinecura dos médicos. “Quando tive o diagnóstico da doença de Lyme fui tratada com três semanas de antibiótico. A doença não passou. Para mim foi o fim. Tinha 23 anos e senti-me abandonada como um cão na rua. Queria morrer”. Em desespero, ligou a uma associação em França que a colocou em contacto com um médico que trata da doença de Lyme no Grão-Ducado. “Era a minha última esperança. Disse-lhe: ’Quero desaparecer. Não aguento mais’. Respondeu que ia tratar-me, mas que não queria voltar a ouvir isso, senão ia porta fora. Voltei a acreditar e saí do buraco”, recorda a sorrir.

Começou a fazer política sem perceber. Foi através da defesa dos doentes com a doença de Lyme que sentiu a importância de ter uma intervenção política. “Foi a primeira causa que me pareceu necessária”, afirma. Confessa que já tinha sentido algum desejo de ter maior intervenção: “O meu companheiro era já militante do LSAP e, quando percebia o impacto das ações dos socialistas, pensava que podia de alguma forma participar e incluir mais mulheres nesse trabalho”. Tomou a decisão de se envolver: “Se queremos mudar alguma coisa é preciso implicar-nos. Não é ficando sentados em casa que é possível mudar a situação dos doentes, a falta de habitação ou o que está mal na educação”.

Considera que o LSAP é o partido que mais inclui os imigrantes. No entanto, é a única candidata de origem lusófona nas listas dos socialistas. “Não sei, sei apenas que sou a mais jovem”, justifica. Os dois filhos não falam português. Tânia e o companheiro decidiram que a língua em casa seria o luxemburguês. As avós decidiram falar com os netos em português. Agora eles têm seis e nove anos, mas não falam português, e mesmo as avós aprenderam e falam o luxemburguês.

“O meu companheiro não fala português, por isso falamos luxemburguês. Mas comemos muita comida portuguesa. Temos respeito pela nossa herança cultural”. Defende que devia haver mais condições nas escolas para as crianças aprenderem português. “Tenho a sorte de ter várias culturas. É importante nunca esquecer de onde vimos. Mas é no Luxemburgo que nasci e é aqui que vivo”.

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