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Sustentabilidade. Luxemburgo abranda na erradicação da fome e da pobreza
Luxemburgo 4 min. 01.07.2020

Sustentabilidade. Luxemburgo abranda na erradicação da fome e da pobreza

Sustentabilidade. Luxemburgo abranda na erradicação da fome e da pobreza

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Luxemburgo 4 min. 01.07.2020

Sustentabilidade. Luxemburgo abranda na erradicação da fome e da pobreza

Ana TOMÁS
Ana TOMÁS
Relatório do Eurostat mostra que nos últimos seis anos aumentaram os riscos de pobreza e fome no Grão-Ducado.

O Eurostat – gabinete de estatísticas da União Europeia – publicou no final de junho, o quarto dos relatórios periódicos que acompanham os progressos na realização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), definidos pela ONU em 2015.

De acordo com a análise apresentada, e que reúne dados de 2013 a 2019, a UE realizou progressos que levaram ao cumprimento desses objetivos, sendo que em alguns a evolução foi mais rápida do que noutros. Mas em áreas específicas de muitos deles observou-se um afastamento dos países no caminho para a sua concretização.

“Inexistência de pobreza”, “zero fome”, “saúde e bem-estar”, “qualidade da educação”, “igualdade de género”,"energia limpa e acessível”, “condições de trabalho e crescimento económico”, “indústria, inovação e infra-estruturas”, “redução das desigualdades”, “sustentabilidade das cidades e comunidades”, “produção e consumo responsáveis”, “ação climática”, “vida terrestre”, “paz, justiça e instituições seguras” e “colaboração para os objetivos” as metas traçadas e avaliadas neste relatório.

Os objetivos ligados à saúde e ao bem-estar e alguns aspetos de combate à pobreza registaram, na generalidade, melhorias significativas, com impacto positivo na sustentabilidade das cidades e comunidades, outro dos objetivos de desenvolvimento definidos pela ONU.

A “ação climática” e a “igualdade de género” foram dois objetivos onde a agregação das tendências analisadas – com base nos cerca de 100 indicadores estudados -, revelou uma estagnação ou um movimento moderado de afastamento, no conjunto da UE.

No entanto, olhando para os diferentes estados-membros verifica-se que o Luxemburgo foge a algumas das tendências apontadas e que é na “igualdade de género” que o Grão-Ducado tem feito um dos seus maiores progressos (com uma classificação entre 4 e 5, numa escala de -5 a +5), no grupo dos objetivos definidos pela ONU, revelando não só uma evolução neste aspeto, como situando-se nos valores mais altos, acima dos 50 pontos (numa escala de zero a 100).

“Paz, justiça e instituições seguras”,"saúde e bem-estar” e “condições de trabalho e crescimento económico” são outros dos objetivos em que o país fez mais avanços, nos últimos seis anos, e com valores altos (mais de 60 pontos e um progresso positivo, entre +1 e +3).

Em sentido inverso, acima dos 50 pontos mas registando uma certa estagnação, está a evolução na “qualidade da educação” e na “sustentabilidade das cidades e comunidades”.

Já o caminho para cumprir objetivos de sustentabilidade como a “inexistência de pobreza”, a “redução das desigualdades” e na “indústria, inovação e infra-estruturas” está cada vez mais distante, com o Luxemburgo a registar um afastamento significativo (entre -1 e -3, na escala de progresso), mas também aqui obtendo valores superiores, entre os 50 e os 80 pontos.

Os piores resultados, onde se registou um retrocesso e em que o país se situa abaixo do meio da tabela, com valores entre os 40 e 50 pontos e um progresso entre 0 e -1, dizem respeito à erradicação da fome (“zero fome”) e à “produção e consumo responsáveis”.

Também com valores baixos (cerca de 30 pontos), mas com uma evolução assinalável (entre +1 e +2) está o percurso que o Luxemburgo fez, nos últimos anos para obter “energia limpa e acessível”.

Já Portugal progrediu em praticamente todos os objetivos de desenvolvimento sustentável, ainda que em muitos deles apresentando pontuações pouco acima da média dos 50.

O caminho feito para acabar com a pobreza (“inexistência de pobreza”) foi aquele em que o país mais avançou, atingindo +5 (o valor máximo) e com uma boa pontuação (cerca de 60 pontos).

No objetivo da “redução das desigualdades” Portugal também teve nota positiva, atingindo neste item o seu valor mais alto (rondando os 70), mas com um progresso inferior (+1) ao alcançado noutros objetivos onde obteve uma pontuação inferior.

A seguir à “inexistência de pobreza”, a “paz, justiça e instituições seguras”, as “condições de trabalho e crescimento económico”, “zero fome” e a “qualidade da educação” surgem como os outros objetivos onde o país conseguiu alcançar uma maior progressão (entre +2 e +4) e com uma pontuação acima dos 50 (entre os 50 e os 60 pontos).

Num patamar positivo (praticamente entre os 50 e os 60 pontos), mas com um caminho mais curto de evolução (num nível entre 0 e +2) aparecem os objetivos da “igualdade de género”, “saúde e bem-estar” e “sustentabilidade das cidades e comunidades”.

Com um progresso de +4, o objetivo de sustentabilidade na “indústria, inovação e infra-estruturas” foi o segundo em que Portugal registou um maior avanço, embora com uma pontuação baixa (30 a 40 pontos). Por outro lado, a “produção e consumo responsáveis”, atingiram uma pontuação ligeiramente mais alta, quase a chegar aos 50, mas com um recuo semelhante ao do Luxemburgo.

Este foi o objetivo em que o país teve pior performance, combinando o maior afastamento (-1) no caminho para o desenvolvimento sustentável, dentro do conjunto das objetivos analisados, com uma pontuação baixa, entre os 40 e os 50.

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