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Steve Duarte quer regressar para "ajudar a mãe"
Luxemburgo 3 min. 26.07.2019 Do nosso arquivo online

Steve Duarte quer regressar para "ajudar a mãe"

Steve Duarte quer regressar para "ajudar a mãe"

Luxemburgo 3 min. 26.07.2019 Do nosso arquivo online

Steve Duarte quer regressar para "ajudar a mãe"

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
O luso-descendente jihadista volta a dizer que quer voltar para o Luxemburgo com a família.

Mais magro, de cabelo pente 1, e barba rala, Steve Duarte, o jihadista que está preso sob a guarda das forças curdas em Banghouz, Síria, deu uma nova entrevista, desta vez à RTP, onde volta a declarar que quer regressar ao Luxemburgo.

Porque já há três anos que este luso-descendente estava muito desiludido com o Daesh, queria sair, mas era perigoso. Até que acabou por ser capturado e preso pelos curdos. Agora, quer voltar para casa para apoiar a mãe que “precisa de ajuda”.

“Cresci sem pai. A minha mãe, tenho muitas saudades dela, tenho pena de a ter deixado assim. Antes de ir para o Daesh escrevi-lhe uma carta de quatro páginas. Também tenho saudades da minha tia e da minha avó que estão em Portugal”, conta em português e em exclusivo à televisão pública portuguesa.

Steve Duarte, de 32 anos e “com passaporte português” como diz na entrevista, reconhece que não teve uma relação fácil com a mãe. Mas agora quer que “as coisas se resolvam”. “A minha mãe precisa de alguém em casa e eu quero ajudá-la”.

"A minha mulher tem muita coragem"

Na prisão, este luso-descendente para quem o “Daesh já morreu” sonha em voltar para o Grão-Ducado, onde nasceu ou para França, o país da família da mulher, com quem tem dois filhos, um menino de três anos e uma menina de dois, nascidos no seio do grupo terrorista.

“A minha mulher e os meus filhos estão num campo de detenção. A minha mulher tem muita coragem, gosto muito dela e gosto muito dos meus filhos. Espero voltar com eles para o Luxemburgo ou França e podermos ter uma vida normal”, confessa Steve Duarte que se casou na Argélia antes de viajar para a Síria para integrar o Estado Islâmico.

Mas, segundo este luso-descendente explica à RTP tudo mudou muito no Estado Islâmico. “Havia muitos problemas, racismo, coisas injustas” e ele queria sair e regressar a casa com a família. Só que era muito perigoso.

“Há três anos que tentava abandonar o Daesh mas tinha receio de fazer algum contacto que fosse intercetado pelos serviços secretos do Estado Islâmico. E os Emires, podiam-me acusar de ser espião, podiam matar-me ou meter-me muito tempo na prisão”.

Steve Duarte sabe que quando pisar o solo do Grão-Ducado ou europeu é preso de novo. Sobre ele recai um mandato de captura internacional emitido pelo governo luxemburguês por suspeita de ter participado na execução de reféns, enquanto membro do Daesh, em 2016.

Com o nome adotado de Abu Muhadjir Al Purtughali, Duarte alegadamente apareceu num vídeo de cara tapada a matar um refém e a fazer ameaças a Portugal e Espanha.

Foto: AFP

O luso-descendente nega. “Nunca vi, nem queria ver execuções. Fui colocado nos media, onde trabalhei dois meses, depois tirava fotografias na cidade, a tudo o era paisagens, de montanhas, árvores, tudo o que era paisagens lindas, para as imagens serem inseridas na propaganda do Daesh”, frisa.

Quem está contra e a favor do regresso

Desde maio que Steve Duarte está preso numa prisão na Síria, mas há a possibilidade de ser extraditado para o Luxemburgo, caso o Ministério Público assim o entenda, pois pode dar seguimento ao mandado de detenção internacional que emitiu. Numa anterior entrevista, à estação curda Raw, a primeira que deu nesta prisão curda, o jihadista afirmou estar preparado para ser preso no Luxemburgo e estar “pronto para cumprir a sua pena”. Para depois “poder levar uma vida normal”.

Só que o ministro dos Negócios Estrangeiros Jean Asselborn, já assumiu que “pessoalmente preferia que tal pessoa não reaparecesse no país”.

Em declarações ao jornal Wort, após entrevista que o jihadista deu à Raw, este governante frisou que Steve Duarte “é um cidadão português e não tem nacionalidade luxemburguesa.” Jean Asselborn disse ainda “compreender as preocupações do povo luxemburguês”.

Por seu turno, respect.lu, o Centro Contra a Radicalização do Luxemburgo está preparado para receber Steve Duarte. O luso-descendente nasceu e cresceu no Grão-Ducado e “foi cá que se radicalizou”, e na opinião da diretora do Centro Contra a Radicalização, em declarações, dia 2 de julho, à Rádio Latina, é “para o Luxemburgo que deve ser extraditado”. Karin Weyer defende que “todos merecem uma segunda oportunidade”.

Com Manuela Pereira


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