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“Sou portuguesa dos pés à cabeça. O meu coração é português”
Luxemburgo 4 min. 09.06.2021

“Sou portuguesa dos pés à cabeça. O meu coração é português”

“Sou portuguesa dos pés à cabeça. O meu coração é português”

Luxemburgo 4 min. 09.06.2021

“Sou portuguesa dos pés à cabeça. O meu coração é português”

Madalena QUEIRÓS
Madalena QUEIRÓS
A turma da professora Carmen Alves vai fazer, dentro de algumas semanas, o exame para ter o diploma do nível C1, o nível mais elevado que pode ser lecionado no Luxemburgo

“Sou portuguesa dos pés à cabeça. O meu coração é português”. A expressão de Maria Frazão, com 19 anos, não deixa margem para dúvidas quanto à razão que a levou a estudar português. A língua “é essencial” para falar com a família que está quase toda em Portugal. Dentro de algumas semanas vai fazer o exame que lhe vai dar o diploma do nível C1 de português, o nível mais elevado que pode ser lecionado no Luxemburgo. Quer ter o certificado no currículo “porque sempre pensei que me pudesse ajudar”. Nunca quis estudar numa universidade portuguesa. Com determinação diz que quer “estudar matemática e economia”, pensou em França, mas agora está mais inclinada para a Bélgica. Mas ainda não está nada decidido. Estuda português, numa turma de nível C1 no Liceu de Garçons, em Esch-sur-Alzette, uma cidade onde quase 40% da população é portuguesa.

Também Roberto, 18 anos diz que a “motivação para estar nestas aulas é não esquecer onde nasci e de onde venho. É uma forma de estar conectado com uma parte minha”. E depois, “se tiver o sonho de voltar onde nasci, posso ter uma carreira e uma vida”. Está há nove anos no Luxemburgo e foi a mãe que o colocou nas aulas de português porque sempre teve essa ideia de ir para Portugal. “Estou a fazer por mim e por ela”, sublinha. Quer ser “educador de crianças porque adoro crianças pequenas, especialmente bebés, tenho essa febre de ter a oportunidade de ser parte da vida deles e ajudá-los a crescer”. Confessa que o mais difícil de aprender no português é “onde colocar os acentos”. A solução: “Para mim é mais fácil escrever no telemóvel porque já tem os acentos.”Na mesma turma, Joana Cavaleiro, 18 anos, diz que é importante “ter um diploma suplementar de mais uma língua que pode ajudar no futuro”. Gostava de tirar Direito em França, mas ainda não está decidido. “Vou estar sempre em contacto com pessoas que falam português e ter um diploma pode ajudar na área do Direito se tiver clientes portugueses”.

Diogo Ferreira, 18 anos, nasceu no Luxemburgo, mas continua a sentir que é português. Um sentimento partilhado por Simão Oliveira, com a mesma idade e a mesma motivação de querer o diploma. Recorda que foi obrigado a aprender português “quando era pequenino, mas depois a motivação levou-me porque comecei a gostar e a ter interesse pela História”. “É uma língua muito interessante”, remata. Quer estudar informática no Luxemburgo, se tiver oportunidade no futuro quer ir trabalhar para Portugal.

O certificado é uma motivação

A professora Carmen Alves dirige esta turma que está prestes a conquistar o diploma C1. “O certificado é uma motivação, para além da ligação sentimental e de relação afetiva com a língua que pesa imenso”, explica a professora que está no Luxemburgo desde 2006. “Sentimos que os alunos se sentem mais à vontade aqui para falar em português e para aprenderem cada vez mais sobre algo que lhes é tão próximo”, sublinha. Mas claro que “há sempre aquela parte que está lá e não conseguimos trazer para cá”. Para ter sucesso, “não nos podemos esquecer do contexto escolar luxemburguês em que estes alunos vivem, com um universo linguístico: o luxemburguês, o alemão e o francês e depois o português, o que muitas vezes gera algumas confusões, porque têm que dominar muitas línguas. Mas isso não impede o sucesso e o alcançar das competências”.

Carmen veio “para uma aventura de ficar só um ano, mas fui ficando porque fui gostando”. Quando “cá cheguei, nem me apercebia que estava fora de Potugal, porque era de tal forma inundada pelo português por todos os lados, andava muito de transportes públicos e achava estranho, como é que podia estar ao mesmo tempo fora de Portugal e ouvir português por todo o lado. O que é estranho e delicioso, porque estamos longe, mas ao mesmo tempo estamos perto”. Estava no início de carreira e “era uma experiência nova”.

Nas suas aulas faz questão de recordar sempre “o poder global da língua portuguesa”. Para “além do poder da língua, também falamos da riqueza da nossa História e de datas como o 25 de abril, o 10 de junho e o 5 de outubro”.

Quanto ao interesse pelo português, diz que “a motivação e o interesse flutuam. Há anos em que temos mais procura e outros menos”. Mas para o ano já têm duas novas turmas de nível B1 (nível inicial do ensino secundário) completas no Liceu de Garçons, o que já não acontecia há três anos. 

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