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Sondagens falham no Luxemburgo

Sondagens falham no Luxemburgo

Foto: Guy Wolff
Luxemburgo 5 min. 16.10.2018

Sondagens falham no Luxemburgo

Henrique DE BURGO
Henrique DE BURGO
As sondagens também falham no Luxemburgo. Depois dos recentes casos de prognósticos falhados sobre o Brexit (que davam conta do "Sim" à UE) e sobre as eleições norte-americanas (que previam a vitória de Hillary Clinton), os resultados da última sondagem TNS-Ilres, de junho de 2018, ficaram aquém da realidade no Luxemburgo.

De acordo com o último estudo de opinião, encomendado pelo Wort e pela RTL, a coligação governamental DP/LSAP/os Verdes obteria nessa altura um empate com o maior partido da oposição, CSV, com 26 deputados cada.

Mas os resultados deste domingo são outros: a atual coligação continua a manter a maioria absoluta “negociada” em 2013, com 31 assentos (mais cinco do que na sondagem), enquanto os cristãos-sociais são o partido que mais perde em relação ao mês de junho: menos cinco deputados (21). Em 2013 a coligação tinha 32 lugares e o CSV 23.

Dos três partidos do Governo, os Verdes (déi Gréng) são quem mais supera os prognósticos: obtêm agora nove deputados, quando era esperado sete (mais um que em 2013). Os liberais do DP obtêm 12 assentos, mais dois que na sondagem (10), mas menos um que em 2013. Já os socialistas (LSAP), que perderam três deputados em relação a 2013, conseguem ainda assim superar a sondagem, com mais um deputado que no mês de junho (nove assentos).

Quanto aos partidos mais pequenos, saem a perder em relação à sondagem de junho. O partido da Reforma Democrática Alternativa (ADR) obtém agora quatro assentos, quando contava com cinco, que é o número mínimo para se constituir uma bancada parlamentar. Em relação a 2013, o ADR ganha apenas um deputado a Norte (Jeff Engelen) e falha o objetivo do quinto deputado a Este, por uma pequena margem.

O partido mais à esquerda do Parlamento, déi Lénk, perde também um deputado. Na sondagem de junho previam-se três assentos, mas afinal mantém os dois deputados eleitos em 2013. O terceiro deputado era esperado na circunscrição Sul, onde a sua base de apoio é tradicionalmente mais forte. Esse deputado acabou por ser “roubado” pelo partido Pirata.

E quanto aos Piratas, uma das surpresas destas eleições, contrariaram também a sondagem, que não atribuía qualquer lugar no Parlamento. Na altura obtiveram apenas 2,94% das intenções de voto e agora 6,45%.

Foto: Pierre Matgé

Porque falharam as sondagens?

Para responder a esta questão, o Contacto retoma a entrevista feita ao diretor do centro de sondagens TNS-Ilres, publicada hoje pelo Luxemburger Wort. Luc Biever fala sobre a lacuna entre as sondagens e os resultados eleitorais, e também sobre o papel das campanhas partidárias.

Jornalista Volker Bingenheimer (Wort): Examinando os resultados das últimas sondagens, chega-se à conclusão de que as previsões sobre as eleições estavam erradas.

Eu não diria isso. Em primeiro lugar, as sondagens refletiam o clima que prevalecia na altura e, em segundo lugar, a campanha eleitoral nas últimas semanas influenciou o comportamento eleitoral. Além disso, muitos eleitores decidiram pouco antes das eleições de domingo.

Muita espontaneidade, por um lado, e uma menor ligação entre eleitores e partidos - isso dificulta a vida de quem faz as sondagens?

Sim, mas isso é um desenvolvimento a longo prazo, não só no Luxemburgo mas em toda a Europa. A identificação partidária dos eleitores que havia anteriormente dissolve-se cada vez mais. Supomos que entre um quarto e um terço dos eleitores decidem espontaneamente em quem votar. (...) Estas camadas de eleitores costumam ser simpáticas [com os candidatos] ou respondem a exigências e promessas simples e arrojadas.

Como os Piratas, que ganhariam pontos com o bem-estar dos animais ou com a exigência do preço de arrendamento a dez euros por metro quadrado.

Sim, por exemplo.

Os Piratas obtiveram dois assentos, mas na sondagem do seu instituto isso não foi previsto.

Foi difícil de prever. O nosso método funciona com base na recolha das últimas intenções de voto. Como levámos a cabo inquéritos divididos pelas circunscrições, você dá conta apenas de alguns inquéritos com os eleitores dos Piratas de cada circunscrição.

Foto: Pierre Matgé

Como explica a ascensão do déi Gréng?

A campanha eleitoral deles centrou-se em questões que interessavam aos eleitores, nomeadamente a mobilidade e a questão da proteção ambiental e as alterações climáticas. Esta campanha emocional deu resultado. Para o déi Gréng, há um outro fenómeno que desempenha um papel: com o elétrico, o funicular de Pfaffenthal e a auto-estrada A7, eles puderam apresentar vários projetos de tráfego já concluídos. Por exemplo, a rede de elétrico, as pessoas podem usá-la e identificá-la com os Verdes.

Os três projetos não foram mérito único do déi Gréng, nem a autoestrada do Norte.

Não, mas as pessoas não pensam muito em quem preparou e planificou esses projetos. Muitas vezes, uns recebem os louros de quem cortou a fita na inauguração. O contra-exemplo é o LSAP, que não possuía um único grande e visível projeto no período legislativo anterior. Os eleitores não puderam associar o LSAP a nenhum projeto que fosse importante para eles.

Outra questão que não pareceu aquecer nem arrefecer os eleitores foi a língua e a identidade do Luxemburgo.

Bem, isso foi certamente importante para os eleitores do ADR, mas a maioria do eleitorado tinha outras preocupações. Se não tenho dinheiro suficiente para o apartamento que quero, e se estou atascado todos os dias num engarrafamento, não me importo com que língua está escrita o nome da cidade numa placa.

A palavra-chave habitação: Ficou surpreso com o pouco que se falou desta questão na campanha eleitoral?

É claro que o debate sobre os preços dos imóveis e a habitação é da maior importância para a sociedade luxemburguesa. Mas nenhum partido conseguiu convencer. O problema da habitação foi incluído no tópico "crescimento qualitativo", que acredito que determinará a agenda política para os próximos cinco anos.

O DP registou menos perdas do que as sondagens anteriores sugeriam. Isso foi uma surpresa para si?

O DP levou a cabo uma campanha hábil e baseou-se inteiramente na mais-valia da celebridade do primeiro-ministro. Nos cartazes ele aparecia como "De Xavier", o que demonstra proximidade às pessoas e popularidade. Claro que se pode discutir se isso é conteúdo político, mas também é claro que o DP jogou a carta que tinha.

Como avalia a campanha de CSV?

Ele não se notou que fosse uma campanha eleitoral de um partido que quisesse sair da oposição. Até mesmo o slogan "Mir hunn e Plang" [temos um plano] realmente não pegou. Daí a pergunta, "Sim, mas que plano é esse?". No final, a atitude expectante não deu resultados para os cristãos-sociais. Deviam credibilizar-se mais.


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