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Sondagem revela : Setenta por cento dos portugueses querem direito de voto nas legislativas
Luxemburgo 6 min. 06.05.2015

Sondagem revela : Setenta por cento dos portugueses querem direito de voto nas legislativas

Sete em cada dez portugueses no Luxemburgo querem poder votar nas eleições legislativas, revela uma sondagem encomendada pelo grupo Saint-Paul, que edita o CONTACTO e o Luxemburger Wort

Sondagem revela : Setenta por cento dos portugueses querem direito de voto nas legislativas

Sete em cada dez portugueses no Luxemburgo querem poder votar nas eleições legislativas, revela uma sondagem encomendada pelo grupo Saint-Paul, que edita o CONTACTO e o Luxemburger Wort
Foto: Manuel Dias
Luxemburgo 6 min. 06.05.2015

Sondagem revela : Setenta por cento dos portugueses querem direito de voto nas legislativas

Sete em cada dez portugueses no Luxemburgo querem poder votar nas eleições legislativas. Oito em cada dez residentes estrangeiros respondem o mesmo. No entanto, cerca de 15% dos estrangeiros dizem não saber que já podem votar nas eleições comunais e 68% dizem mesmo nunca tê-lo feito.

Sete em cada dez portugueses no Luxemburgo querem poder votar nas eleições legislativas. Oito em cada dez residentes estrangeiros respondem o mesmo. No entanto, cerca de 15% dos estrangeiros dizem não saber que já podem votar nas eleições comunais e 68% dizem mesmo nunca tê-lo feito.

Os portugueses são 71% a considerarem que os residentes estrangeiros no Luxemburgo deveriam poder votar nas eleições para o Parlamento. Entre os estrangeiros em geral, são oito em cada dez a pensar o mesmo.

Setenta e nove por cento dos estrangeiros que vivem no Grão-Ducado querem ter o direito de voto nas eleições para o Parlamento luxemburguês. No entanto, 15% dizem desconhecer que os estrangeiros residentes já podem votar nas eleições comunais, direito de que beneficiam desde 1999. Apenas 31% dizem ter participado nas comunais nos últimos 10 anos. Na realidade, os dados oficiais das comunas indicam que apenas 18% participaram no último sufrágio municipal, em 2011.

Recorde-se que ter participado nas eleições comunais ou europeias no Grão-Ducado na última década é um dos critérios para os estrangeiros poderem votar nas legislativas, caso o “sim” ganhe no referendo de 7 de Junho.

Estes são alguns dos resultados de uma sondagem divulgada na terça-feira conduzida pela Quest exclusivamente junto de residentes estrangeiros, a pedido do grupo Saint-Paul, que edita o Luxemburger Wort e o CONTACTO.

A um mês do referendo de 7 de Junho, a sondagem pretendia saber o que os residentes estrangeiros pensam sobre o direito de voto dos não-luxemburgueses nas legislativas, uma das questões sobre as quais os luxemburgueses se pronunciarão na consulta popular.

A propósito do referendo, a sondagem revela que apesar de cerca de 80% dos inquiridos dizerem que são a favor do direito de voto nas eleições parlamentares, cerca de um quarto (25%) não sabe que a consulta popular incluirá uma questão sobre o voto dos estrangeiros. Sobre esta questão, os mais jovens são os menos informados (ou menos interessados): 42% junto da faixa etária dos 18-29 anos, e 36% junto dos 30-39 anos.

O mais curioso é que os jovens (18-29 anos) estão em terceiro lugar entre os que mais reivindicam o direito de voto nas legislativas (66%), apenas ultrapassados pela faixa etária dos 50-64 anos (69%) e dos 40-49 anos (72%). Quando questionados sobre se exerceriam de facto esse direito caso pudessem, são mesmo 70% os jovens que dizem que sim. Essa percentagem atinge os 82% junto dos 50-64 anos, 80% nos 30-39 anos, 79% nos 40-49 anos e 77% nos mais de 65 anos.

Também sobre o direito de voto nas eleições comunais os jovens parecem ser os menos informados: 23% dos 30-39 anos dizem desconhecer esse direito e são mesmo 25% junto dos 18-29 anos.

Enquanto os portugueses são 71% a quererem votar nas legislativas, essa percentagem é menor junto de todas as outras nacionalidades: 66% entre os franceses, 63% nos alemães, 62% nos belgas e 59% nos italianos.

É também interessante verificar que são 23% os estrangeiros que dizem ser contra o voto dos não-luxemburgueses nas legislativas ou não estarem interessados nesse direito. Junto dos portugueses, essa percentagem é de apenas 21%. Essa é mais ou menos a mesma percentagem de estrangeiros (24%) que discorda do direito de voto obrigatório em vigor no Luxemburgo, o que pode deixar supor que o que os inquiridos responderam na primeira questão está relacionado com o que responderam na segunda.

NATURALIZAR-SE,

SIM OU NÃO?

Na campanha para o referendo, os partidários do “não” ao voto dos estrangeiros argumentam que os não-luxemburgueses que desejem participar politicamente devem fazê-lo depois de se naturalizarem. A sondagem questionou também os inquiridos sobre esta questão.

Quase metade dos inquiridos (48%) dizem que não tencionam adoptar a nacionalidade luxemburguesa. Apenas um terço (33%) diz que pondera naturalizar-se e 15% diz que já tem a dupla nacionalidade.

Sem surpresas, são os mais jovens (18-29 anos) os que mais pensam na possibilidade de se naturalizar (66%). A percentagem desce para 47% junto dos 30-39 anos e para 52% entre os 40-49 anos.

Quanto aos portugueses, são 61% os que não querem adoptar a nacionalidade luxemburguesa, com apenas 14% a dizer que pensam naturalizar-se. Um quinto (21%) dos portugueses diz já possuir a dupla nacionalidade e são somente 4% a afirmar ter optado unicamente pela nacionalidade luxemburguesa.

O QUE OS ESTRANGEIROS PENSAM DOS LUXEMBURGUESES

A sondagem também pretendia conhecer a percepção que os residentes estrangeiros têm do país e dos luxemburgueses.

No geral, a maioria dos residentes estrangeiros dizem que estão satisfeitos por viver no Luxemburgo, e muitos dizem mesmo “sentir-se em casa”, mas os resultados mostram também que as várias comunidades do país sentem que vivem em paralelo e podiam misturar-se mais, alegando que há falta de vontade, sobretudo dos luxemburgueses.

Os estrangeiros não hesitam em considerar que os luxemburgueses “têm mentalidade fechada”, acusando-os de “não gostarem de se misturar”.

Oito em cada dez estrangeiros (82%) dizem ter tudo o que precisam para serem felizes no Grão-Ducado, onde confiam sentir-se “em casa”. Junto de franceses, belgas, italianos e alemães, a satisfação sobe acima dos 82%. Nos portugueses, a percentagem fica-se pelos 73%.

Mais de metade (58%) dos estrangeiros dizem que imigraram para o Grão-Ducado para ficar no país durante um longo período de tempo. Entre os portugueses, a percentagem sobe para os 62%. Só os alemães (71%) e os belgas (64%) são mais numerosos a responder positivamente a esta questão.

Um terço da totalidade dos inquiridos responde que ficou mais tempo do que previa inicialmente.

Mais de metade (54%) dos inquiridos lamenta que os luxemburgueses prefiram viver entre si em vez de se misturarem com o resto da população. Os portugueses são apenas 45% a ter esta opinião, representando os italianos 39%, contra 48% dos alemães, 64% dos franceses e 67% dos belgas. Ou seja, os portugueses e os italianos, as comunidades mais numerosas e há mais tempo no país, parecem também ser as que melhor aceitam a atitude luxemburguesa. A sondagem não esclarece se será por estarem mais bem integrados no país ou por se tratar de duas nacionalidades que tradicionalmente também preferem conviver com imigrantes da mesma nacionalidade, mas fica a pergunta.

O inquérito revela também um fosso, pelo menos em termos comunicativos, entre nacionais e estrangeiros. Cerca de 44% dos estrangeiros consideram que “os luxemburgueses têm uma mentalidade fechada [”petite mentalité”, no original]”, e acusam-nos de saber falar francês e de recusarem fazê-lo.

Apesar de 80% dos sondados responderem que se sentem bem no país e que se habituaram ao modo de vida, e compreenderem as tradições e os costumes grão-ducais (70%), sabendo orientar-se no dia-a-dia (69%), cerca de 35% pensam que “o país é atrasado em muitos domínios”. Quase um terço (30%) admite que “é difícil construir uma vida social” no Grão-Ducado, enquanto 37% dizem que “sentem dificuldades em participar na vida local”.

As questões mais difíceis que os inquiridos enfrentaram no Grão-Ducado são a fiscalidade (30,3%), a escola (24,5%), os trâmites administrativos (18,4%), os processos para obter abonos de família (16,7%) e o sistema de saúde (13,4).

A sondagem foi efectuada pela empresa Quest junto de 538 residentes estrangeiros, entre 17 e 24 de Abril, tendo 227 respondido pela internet e 311 em inquéritos telefónicos.

n José Luís Correia


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