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Setor da construção quer criar habitação para os seus trabalhadores

Setor da construção quer criar habitação para os seus trabalhadores

Luxemburgo 2 min. 14.05.2019

Setor da construção quer criar habitação para os seus trabalhadores

Marc AUXENFANTS
Marc AUXENFANTS
Face à escassez de habitação, o presidente do grupo de empreiteiros, Jean-Marc Kieffer, está a considerar uma solução para atrair trabalhadores qualificados para o Luxemburgo, afirmou esta terça-feira à Rádio 100,7.

A falta de competências não é apenas um problema dos setores financeiro, espacial ou de biotecnologia. O setor da construção, que emprega cerca de 10 mil pessoas, também está a debater-se para encontrar trabalhadores qualificados. Uma das soluções para resolver este problema foi mencionada esta terça-feira, por Jean-Marc Kieffer, presidente do grupo de empresários da construção e obras públicas, mas também chefe da construtora CDCL, numa entrevista à Rádio 100,7: disponibilizar habitação aos trabalhadores da construção.


Grão-Ducado foi o quarto país onde os preços das casas mais subiram
O aumento foi de 9,3% nos últimos três meses do ano.

"Este último setor [a construção] é confrontado com a dificuldade de encontrar pessoal particularmente qualificado. E infelizmente já não é possível contratar localmente. Por isso, temos que ir ao exterior para recrutar o que precisamos", explicou Kieffer. "Perante o alto custo de vida, muitos têm dificuldades em instalar-se no Luxemburgo", acrescentou. "Temos que encontrar uma solução para a nossa equipa." 

Questionado sobre a implementação concreta desta ideia, que passa por oferecer uma habitação aos trabalhadores, Kieffer respondeu que ainda não existem "dados concretos sobre o número de habitações planeadas". "Estamos apenas no começo. E temos que ver e encontrar um terreno e reunir com as entidades oficiais para refletir sobre isso”, explicou.


De casa a casota
No Luxemburgo há casas para quem tem dinheiro, há casas para receber as empresas que estão a deixar a praça financeira de Londres, por causa do Brexit, ou para conhecidas multinacionais que encontram aqui vantagens fiscais que não obtém noutros países. Para desalojados que trabalham e descontam ou para quem guarda crianças e precisa de uma habitação talvez haja apenas casotas.

De acordo com o Instituto de Estatística luxemburguês (Statec), o Luxemburgo vai precisar de mais 5.600 a 7.500 casas por ano até 2060 para satisfazer a procura de habitação. Entre o final de 2017 e o final de 2018, os ativos imobiliários registaram o maior aumento trimestral de 9,3%, de acordo com os últimos dados do Eurostat. Uma tendência que não surpreende Vincent Bechet, presidente da "Real Estate Association of Luxembourg" (LuxReal) e diretor da empresa de consultoria imobiliária Inowai. "Nós excedemos os 600 mil habitantes no Luxemburgo, então é óbvio que a habitação é um problema. O que não previmos é que o negócio atrai o negócio", lamentou durante uma visita ao Mercado Internacional de Profissionais Imobiliários (MIPIM), que acontece todos os anos em março, em Cannes.


Mais de 20% de inquilinos em casas sobrelotadas
Excesso de moradores é relativo a dados de 2016 e foi divulgado pelo relatório do instituto luxemburguês de investigação socioeconómica (Liser).

O Statec, que esta segunda-feira voltou a alertar para a escassez de habitação, confirma esta observação: "Quanto mais saudável economicamente é um país, mais casas e apartamentos ele constrói", constatou num estudo recente.


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