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Sete mil portugueses votam nas europeias no Luxemburgo, mas podiam ser 75 mil
Luxemburgo 2 min. 25.03.2019 Do nosso arquivo online

Sete mil portugueses votam nas europeias no Luxemburgo, mas podiam ser 75 mil

Sete mil portugueses votam nas europeias no Luxemburgo, mas podiam ser 75 mil

Foto: Chris Karaba / Arquivos Contacto
Luxemburgo 2 min. 25.03.2019 Do nosso arquivo online

Sete mil portugueses votam nas europeias no Luxemburgo, mas podiam ser 75 mil

Os portugueses continuam a ser o maior grupo de estrangeiros a votar nas eleições europeias no Luxemburgo, pelo menos em números absolutos. Mas têm uma das mais baixas taxas de inscrição nas listas eleitorais, não indo além dos dez por cento.

São 7.808 os imigrantes portugueses inscritos para eleger os seis representantes do Luxemburgo no Parlamento Europeu, nas eleições europeias que se realizam a 26 de maio. De fora ficaram "75.391 portugueses, maiores de idade, que podiam ter-se recenseado", disse hoje ao Contacto o investigador Nénad Dubajic, responsável por um estudo em curso sobre o recenseamento eleitoral para as europeias, que ainda não foi publicado.

A taxa de inscritos entre os portugueses é assim de 10,4%, um resultado "bastante fraco", apontou o investigador do Centro de Estudos e de Formação Intercultural e Social (Cefis). O investigador sublinha que a percentagem de portugueses recenseados fica abaixo da média para as outras nacionalidades, que ronda os 12% (11,7%).

Na lista seguem-se os franceses, com 4.418 pessoas recenseadas (uma taxa de inscrição de 11,8%), italianos, com 2.890 inscritos (15%), belgas, com 2.522 (14,9%), alemães, com 2.217 (e uma das taxas de inscrição mais elevadas, de quase 20%), holandeses, com 599 recenseados (16,8%), e espanhóis, com 468 votantes (e uma taxa de inscrição inferior mesmo à dos portugueses, de 8,7%).

Para votar nas próximas eleições europeias no Luxemburgo estão inscritos 23.243 estrangeiros. Eram 21.650 nas últimas eleições, em 2014, mas o saldo é mais positivo do que a diferença entre aqueles dois números indica à primeira vista. O investigador disse ao Contacto que em outubro de 2016, quando o Cefis fez um balanço intermédio dos estrangeiros recenseados, o total de inscritos para votar nas europeias tinha mesmo baixado desde 2014, caindo para cerca de 18 mil, "por causa das pessoas que obtiveram entretanto a dupla nacionalidade".

Desde essa altura, houve "quase cinco mil novas inscrições nos cadernos eleitorais" luxemburgueses, explicou o investigador. "Só durante a campanha [para promover o recenseamento eleitoral para as europeias], entre janeiro e fevereiro de 2019, registaram-se mais 4.168 pessoas", apontou. 

Os imigrantes portugueses a viver no Luxemburgo podem optar por participar na eleição dos seis representantes do Grão-Ducado no Parlamento Europeu, para o que tinham de se recensear até 28 de fevereiro, ou preferir eleger os eurodeputados portugueses. Neste caso, o recenseamento passou a ser automático, tendo o número de portugueses inscritos nos cadernos eleitorais do Consulado de Portugal no Luxemburgo passado de 2.163 para 55.990, segundo dados divulgados pela Rádio Latina no início deste mês.

Paula Telo Alves


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