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"Seria lógico que a alfabetização fosse feita em luxemburguês"
Luxemburgo 2 min. 28.03.2019 Do nosso arquivo online

"Seria lógico que a alfabetização fosse feita em luxemburguês"

"Seria lógico que a alfabetização fosse feita em luxemburguês"

Foto: Gerry Huberty
Luxemburgo 2 min. 28.03.2019 Do nosso arquivo online

"Seria lógico que a alfabetização fosse feita em luxemburguês"

Henrique DE BURGO
Henrique DE BURGO
Alfabetização nas escolas luxemburguesas é feita atualmente na língua alemã.

A nova presidente do conselho permanente para a língua luxemburguesa (CPLL) defende que o luxemburguês deveria ser a língua de alfabetização nas escolas públicas do Grão-Ducado. Myriam Welschbillig, nomeada recentemente para substituir Marc Barthelemy à frente deste órgão consultivo do Governo, disse à Rádio Latina que "seria lógico que a alfabetização fosse feita em luxemburguês", mas reconhece que para que isso se torne uma realidade ainda há muito trabalho a fazer.

A questão da alfabetização em luxemburguês continua a ser um tema recorrente, apesar de gozar de pouca atenção. Durante a campanha das últimas eleições legislativas (de 14 de outubro de 2018), o partido déi Lénk (A Esquerda) foi o único partido com assento parlamentar a propor o luxemburguês como língua de alfabetização. Na altura, o deputado e cabeça de lista do Déi Lénk no círculo eleitoral do Centro, David Wagner, defendeu, em declarações à Rádio Latina, que a alfabetização em luxemburguês seria uma medida de "igualdade social".


No município de Frisange, de um dia para o outro, as placas das ruas passaram a ter nomes em luxemburguês. A mudança aconteceu quando a autarquia era governada pelo partido nacionalista ADR.
A aldeia que mudou os nomes das ruas para luxemburguês
Estamos em 2018. Todo o Grão-Ducado foi ocupado pela língua francesa. Todo? Não! Uma aldeia povoada por irredutíveis luxemburgueses resiste ainda e sempre ao invasor. Ou melhor, três: o município de Frisange e as duas aldeias que fazem parte da autarquia, Aspelt e Hellange. Ali, de um dia para o outro, as ruas mudaram de nome. O francês desapareceu das placas para dar lugar ao luxemburguês. Aconteceu em 2004 e desorientou os GPS. Numa altura em que voltam a surgir propostas para mudar os nomes das localidades para luxemburguês, Frisange é um caso de estudo.

CPLL prepara uniformização da ortografia

Criado em 1998, o conselho permanente da língua luxemburguesa é composto por 11 linguistas e representantes de instituições ligadas à língua luxemburguesa, como a Universidade do Luxemburgo, o Instituto Nacional de Línguas ou o Ministério da Educação. A elaboração de pareceres referentes a projetos de lei sobre a política da língua e a uniformização da ortografia são algumas das competências deste conselho, como explica Myriam Welschbillig.

Em 2018, o Governo propôs mudar o nome das localidades nas placas das estradas para luxemburguês, numa consulta à população, uma iniciativa para promover o idioma. A medida foi agora retomada por este órgão consultivo sobre assuntos relacionados com a língua.

A língua luxemburguesa foi reconhecida como língua nacional há 35 aos, sendo também língua oficial, a par do alemão e francês, de acordo com a Lei do Regime da Língua, de 24 de fevereiro de 1984. Com cerca de 400 mil falantes, o luxemburguês é considerando pela Unesco como uma língua "vulnerável" e é ainda a única língua nacional que não conseguiu obter o estatuto de língua oficial da União Europeia, relembra Myriam Welschbillig. Mas para isso o Governo vai ter de formalizar, primeiro, esse pedido junto da UE.

Myriam Welschbillig, tradutora ‘freelance’ desde 1995, é formada em linguística aplicada pela Universidade de Heidelberg, na Alemanha. Ocupa agora a função de presidente do CPLL, após o seu antecessor, Marc Barthelemy, ter sido nomeado Comissário da Língua luxemburguesa, um cargo criado no ano passado.

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