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Ser gay é "doença mental", disse embaixador do Mundial do Qatar. Bettel reagiu
Luxemburgo 3 min. 09.11.2022
Polémica

Ser gay é "doença mental", disse embaixador do Mundial do Qatar. Bettel reagiu

O primeiro-ministro do Luxemburgo, Xavier Bettel.
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Ser gay é "doença mental", disse embaixador do Mundial do Qatar. Bettel reagiu

O primeiro-ministro do Luxemburgo, Xavier Bettel.
Foto: Anouk Antony
Luxemburgo 3 min. 09.11.2022
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Ser gay é "doença mental", disse embaixador do Mundial do Qatar. Bettel reagiu

Redação
Redação
As declarações do embaixador foram alvo de várias críticas, incluindo do primeiro-ministro do Luxemburgo.

Xavier Bettel criticou esta quarta-feira as declarações homofóbicas feitas por um embaixador do Campeonato do Mundo do Qatar. 

O primeiro-ministro disse esperar que os organizadores do Mundial de futebol não apoiassem as declarações de Khalid Salman feitas no canal de televisão alemão ZDF. "O futebol deve unir as pessoas, não dividi-las", escreveu Bettel no Twitter.


O chefe de Governo há muito que se expressa publicamente sobre a sua homossexualidade e está casado com Gauthier Destenay, desde 2015.

Salman, que é um dos embaixadores oficiais do torneio que irá começar a 20 de novembro, tinha dito num documentário da ZDF que ser gay devia ser "proibido" porque era uma "doença mental".


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Anteriormente, os organizadores do Qatar tinham assinalado que cada adepto de futebol, independentemente da sua orientação sexual, teria uma experiência segura no emirado no Golfo Pérsico. Essa asserção parece agora ter sido posta em causa. 

Na Alemanha, as observações de Salman foram alvo de duras críticas. O ministro da Justiça, Marco Buschmann, exortou ao cumprimento das garantias de segurança para os adeptos de futebol no Qatar.

Estas são "importantes e indispensáveis", disse o político do FDP à ZDF. "Se queremos um verdadeiro entendimento internacional: então todas as pessoas devem ser aceites como são - independentemente do sexo e de quem amam", sublinhou Buschmann.


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"A homossexualidade não é uma doença. Qualquer pessoa que convide o mundo para um festival desportivo já deveria ter percebido isto há muito tempo", disse Buschmann em resposta. Liberdade igual e dignidade igual são valores importantes no desporto, afirmou. "Infelizmente, temos de compreender que tudo isto ainda não é evidente no ano de 2022".

A ministra do Interior alemã Nancy Faeser disse que trouxe da sua recente visita ao Qatar uma "garantia de segurança" do primeiro-ministro de que todos os adeptos poderiam circular livremente e sem medo durante o torneio de 20 de novembro a 18 de dezembro. "Não tenho novas indicações dele próprio agora que isto deveria ter mudado", disse a ministra do SPD na terça-feira.

"Absolutamente inaceitável"

Houve também reações às declarações de Kalman no futebol alemão. "É muito opressivo, tenho de dizer. Esta é simplesmente uma visão da humanidade de outro milénio", disse o internacional alemão Leon Goretzka, na terça-feira, após a vitória de 6-1 do FC Bayern sobre o Werder Bremen. "Não é isso que queremos defender e o que exemplificamos. É absolutamente inaceitável fazer uma declaração como esta".

Hasan Salihamidžić, diretor desportivo do Bayern, expressou opinião semelhante. Perguntado se tais declarações poderiam influenciar os cálculos do FC Bayern relativamente à cooperação com a Qatar Airways, Salihamidzic foi cauteloso. "Esta é a declaração de uma única pessoa. Temos de falar sobre isso, é claro. Mas isto é antes de mais uma única pessoa - e isso é inaceitável", afirmou.

Há controvérsia entre os fãs do Bayern sobre a relação de patrocínios com o Qatar. Os funcionários do clube tinham declarado que só vão decidir se prolongavam ou não a parceira após o fim do Campeonato do Mundo, que vai decorrer até ao verão de 2023. Durante o jogo contra o Bremen foram afixados cartazes no bloco de adeptos do Bayern com claras críticas às declarações do embaixador do Campeonato do Mundo.

(Este artigo foi originalmente publicado no Luxemburger Wort.)

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