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Sem apoios de Cabo Verde: Pescadores de Ponta do Sol pedem ajuda ao Luxemburgo
Luxemburgo 4 3 min. 13.03.2015

Sem apoios de Cabo Verde: Pescadores de Ponta do Sol pedem ajuda ao Luxemburgo

Luxemburgo 4 3 min. 13.03.2015

Sem apoios de Cabo Verde: Pescadores de Ponta do Sol pedem ajuda ao Luxemburgo

Os pescadores dizem estar há 15 anos à espera das promessas do Governo de Cabo Verde. O mar danificou o muro de protecção do pequeno porto e a força das ondas é uma constante ameaça.

Os pescadores de Ponta do Sol, na ilha cabo-verdiana de S. Antão, pedem ajuda à cooperação luxemburguesa para obras urgentes no porto local e para a compra de motores para as embarcações. Os homens do mar dizem que foram "enganados" pelas promessas do Governo e que estão há 15 anos à espera do apoio prometido.

"Há 15 anos, o primeiro-ministro José Maria Neves esteve aqui e prometeu-nos creio que 18 mil contos para fazer obras no porto. Disse que o dinheiro ia ficar na Câmara Municipal de Ribeira Grande, mas até agora não tivemos nada. A vida de pescador é dura. Chegamos a ficar várias horas no mar e quando não temos apoio fica mais dura", lamenta Antão Andrade, 64 anos, pescador desde os 14.

"As rebentações são fortes e é perigoso sair daqui. Precisamos de um cais e do reforço do paredão que protege o porto. Eu já parti o dedo do pé quando uma onda virou o bote contra as pedras", disse ao CONTACTO Eurico Lima, um velho lobo do mar de Ponta do Sol, de 71 anos, que pesca desde os 12 anos e ainda ensina os mais jovens a arte da pesca.

Segundo os pescadores, a associação local que os representa "não tem força" para ajudá-los e quanto à câmara municipal, que "está a par da situação", nada pode fazer. "Esperamos que o Luxemburgo possa então ajudar-nos", augura outro pescador, Marcos Martins.

Confrontado com a situação dos pescadores, o autarca local Orlando Rocha Delgado diz que as promessas dos governantes têm sido "sucessivas". Apesar de as obras no porto não serem da competência da câmara, Orlando Delgado não põe de lado uma parceria com a cooperação luxemburguesa.

"Os pescadores têm toda a razão. O mar destruiu aquilo que é a porta de entrada do porto e eles estão à espera da reabilitação da estrutura. Apesar de não ser da nossa competência, queremos ir mais além e encontrar parceiros. Tenho esperança que a assinatura do 4° Programa Indicativo de Cooperação (PIC) entre o Luxemburgo e Cabo Verde possa reverter parte desse investimento para S. Antão. Nos últimos anos não tem havido muitos projectos e espero agora que a descentralização efectiva do PIC [ultimamente mais centralizada em Santiago] possa também voltar a resolver alguns problemas da ilha, como é o sector da pesca", disse o edil ao CONTACTO.

Marco Martins tem um filho com paralisia e é a única pessoa a sustentar a casa. Meses seguidos em terra por causa do mar bravo, o pescador está desesperado. Diz que nem os bancos ajudam.

"Estamos meses sem ir ao mar. Às vezes passo por necessidades e não consigo sustentar a família. Falta apoio. Gostava de ter um motor, mas não tenho condições. Vamos aos bancos, mas eles não dão crédito", lamenta o pescador de 50 anos.

Kevin Carlos é o mais novo do grupo de pescadores que o CONTACTO encontrou junto às pequenas embarcações a remo. Tem vinte e poucos anos e receia o futuro.

"Se tenho futuro na pesca? Isso depende se as condições do mar nos deixam sair para pescar. Tenho ideia de investir num bote com motor, mas não há apoio e quando o mar está bravo fica pior", desabafa o jovem.

Se as coisas não mudarem, Kevin poderá vir a emigrar, tal como outros jovens da ilha. "Por falta de alguns investimentos em S. Antão, como na pesca, a economia podia estar melhor e haver mais postos de trabalho. Vamos tentar encontrar parceiros para uma sustentabilidade económica que evite a saída da ilha de tantos jovens", concluiu o presidente da Câmara Municipal de Ribeira Grande.

Henrique de Burgo