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Seguro ataca candidatura de Costa, autarca de Lisboa critica credibilidade da direcção
Luxemburgo 5 min. 10.09.2014 Do nosso arquivo online
Partido Socialista

Seguro ataca candidatura de Costa, autarca de Lisboa critica credibilidade da direcção

António Seguro
Partido Socialista

Seguro ataca candidatura de Costa, autarca de Lisboa critica credibilidade da direcção

António Seguro
Foto: Lusa
Luxemburgo 5 min. 10.09.2014 Do nosso arquivo online
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Seguro ataca candidatura de Costa, autarca de Lisboa critica credibilidade da direcção

O secretário-geral do PS atacou esta terça-feira a legitimidade moral da candidatura de António Costa à liderança partidária, enquanto o presidente da Câmara de Lisboa lamentou a insuficiência do resultado obtido pelos socialistas nas últimas eleições europeias.

O secretário-geral do PS atacou esta terça-feira a legitimidade moral da candidatura de António Costa à liderança partidária, enquanto o presidente da Câmara de Lisboa lamentou a insuficiência do resultado obtido pelos socialistas nas últimas eleições europeias.

Estas foram duas das ideias essenciais que estiveram presentes no primeiro debate televisivo entre os dois concorrentes às eleições primárias do PS de 28 de Setembro, das quais sairá o candidato socialista a primeiro-ministro nas próximas eleições legislativas.

António José Seguro abriu ao ataque o debate na TVI, que foi moderado pela jornalista Judite de Sousa e que durou cerca de 35 minutos, acusando o presidente da Câmara de Lisboa de "deslealdade" e de "traição".

"Considero que António Costa foi desleal e traiu uma cultura que existe há 40 anos no PS. Foi desleal com o líder do PS, porque assinou um acordo comigo o ano passado, teve duas oportunidades para se candidatar à liderança e, na sequência de uma vitória do PS [nas europeias], rasgou esse acordo", declarou António José Seguro, antes ainda de acusar Costa de "ter violado uma regra e uma cultura do PS".

"Em 40 anos, todos os líderes do PS tiveram a oportunidade de disputar as eleições legislativas, mas, desta vez, essa cultura é interrompida depois de o PS ter obtido duas vitórias, nas autárquicas e nas europeias. A crise que o António Costa provocou ao PS é uma enorme irresponsabilidade. Isto não se faz, é um sinal negativo que se dá aos portugueses, em particular aos portugueses que esperam da política não um jogo das cadeiras e das ambições", disse.

Na resposta, o presidente da Câmara de Lisboa justificou a sua candidatura às eleições primárias do PS como "um imperativo de consciência", num momento em que Portugal se encontra "num impasse".

"É manifesto que esta política de austeridade do Governo fracassou, até na própria consolidação das contas públicas. O PS precisa de responder àquilo que os portugueses sentem ser o dever do PS, afirmando uma alternativa a esta política", começou por apontar o autarca da capital.

A verdade, no entanto, de acordo com António Costa, "é que nas eleições europeias verificou-se um resultado insuficiente para o PS e negativo para o país".

"Não me revejo na leitura triunfalista que a direcção do PS fez do resultado das eleições europeias, porque à derrota histórica da direita [PSD/CDS] não correspondeu - como deveria ter acontecido e como aconteceu há dez anos - uma vitória histórica do PS", alegou o ex-ministro dos governos de Guterres e Sócrates.

De acordo com Costa, o resultado obtido pelo PS "não lhe permite sequer ter uma posição forte" num cenário de coligação política.

"Trairia a minha consciência se, perante esta situação, e verificando que havia uma expectativa de muitos socialistas e muitas pessoas na sociedade portuguesa de que poderia dar o meu contributo para a construção da alternativa, eu me mantivesse numa situação cómoda", alegou António Costa.

Seguro contestou depois a tese da insuficiência dos resultados verificados nas eleições europeias, sobretudo quando projectados em termos de evolução em relação às próximas legislativas.

Nesse contexto, o secretário-geral socialista invocou as sondagens que davam o PS com escassos 18 por cento há três anos, na altura em que assumiu a liderança partidária, para atingir em Junho passado cerca de 36 por cento.

"Isto, obviamente, antes da crise que o António Costa provocou", comentou, referindo-se, depois, ao facto de o PS ter obtido apenas mais meio por cento do que o PSD nas europeias de 1994, o que não impediu em 1995 António Guterres de ter vencido eleições legislativas.

"Nessa altura havia solidariedade no PS, e tu não foste solidário com o teu partido e com o líder do teu partido", acusou ainda, o que levou António Costa a dizer que, durante a campanha das primárias, não fez ataques pessoais e não respondeu a ataques pessoais.

"Considero que essa não é uma boa forma de fazer política e menos ainda entre camaradas. Mas, obviamente, há aqui acusações graves que me são dirigidas e não posso deixar de estar sem responder. Nunca conduzi a minha vida no PS numa função calculista e tendo em vista um objectivo de chegar à liderança", sustentou.

Segundo Costa, a visão de que agora o PS está próximo do poder é errada".

"Só alguém que não tem consciência sobre o estado do país é que pode achar que ir para o poder agora não é uma enorme responsabilidade mas um prémio", rematou o presidente da Câmara de Lisboa.


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