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Segunda vaga. Hospitais arriscam situação crítica
Luxemburgo 3 min. 29.07.2020

Segunda vaga. Hospitais arriscam situação crítica

Segunda vaga. Hospitais arriscam situação crítica

Foto:Guy Jallay
Luxemburgo 3 min. 29.07.2020

Segunda vaga. Hospitais arriscam situação crítica

Teresa CAMARÃO
Teresa CAMARÃO
Para os cientistas do Luxembourg Research, esta segunda vaga pode sobrecarregar ainda mais as unidades de cuidados intensivos do país até final de agosto.

Este ano, a equipa de reanimação do Centro Hospitalar do Luxemburgo (CHL) não vai de férias. Com o número de internamentos a aumentar não há ordem de retirada. Encerrada desde maio devido à aparente desaceleração da pandemia, a chamada “unidade covid” do CHL voltou a admitir doentes neste mês de julho.

Preparado para o pior, o maior hospital luxemburguês tem, por esta altura, 18 das 20 camas reservadas aos pacientes infetados ocupadas. “A brigada anti-covid-19 está de volta. Teríamos gostado de aproveitar o Verão depois de uma Primavera difícil, mas a covid-19 decidiu o contrário”, anunciaram os profissionais de saúde nas redes sociais.

Testar os limites

Para os cientistas do Luxembourg Research, esta segunda vaga pode sobrecarregar ainda mais as unidades de cuidados intensivos do país até final de agosto. As previsões matemáticas são alarmantes e, na perspetiva do governo, servem de chamada de atenção para redobrar as restrições e medidas de segurança para travar a propagação do novo coronavírus.


Números da covid "estão a estabilizar" no Luxemburgo
De acordo com um dos principais especialistas responsáveis pelo combate à pandemia, o aumento dos casos de infeção por covid-19 no Luxemburgo está a abrandar.

Nas contas do investigadores, se o ritmo de contágio atual se mantiver em alta, o país pode mesmo chegar ao cúmulo de registar 400 casos diários. O número é quase o dobro do do pico registado nos primeiros meses da pandemia. A 25 de março, por exemplo, havia cerca de 213 novos casos diagnosticados a cada 24 horas.

Em “plena segunda vaga”, o relatório mais recente da task force covid-19 reforça os alertas da equipa de especialistas que admite um cenário pior em comparação com a chegada da pandemia ao território luxemburguês.

Se os contactos sociais continuarem a multiplicar-se a um ritmo crescente, o país arrisca mesmo chegar às 600 novas infeções por dia. Apesar da taxa de mortalidade associada à pandemia continuar relativamente baixa com um total de 112 óbitos desde março, os especialistas admitem um autêntico descalabro.

Apesar de não apontarem o dedo diretamente ao plano de desconfinamento que reabriu comércio, esplanadas, restaurantes e um sem número de espaços públicos, os especialistas insistem que, para já, a única forma de quebrar a transmissão da covid-19 no país passa pelo cumprimento rigoroso das medidas de segurança recomendadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Assim, sem vacina à vista, lavar as mãos, usar uma proteção facial adequada e manter a distância social podem mesmo salvar vidas. Beijos, apertos de mão e abraços ficam para outra altura. Por outras palavras, desconfinamento não rima com o fim da pandemia.

A barreira dos 6 mil

Com 216 pacientes diagnosticados só entre sábado e domingo, o Luxemburgo já ultrapassou a barreira dos 6 mil infetados pelo novo coronavírus desde o início da pandemia.

Apesar da entrada em vigor da terceira 'lei covid', o balanço do número de infetados pelo novo coronavírus no Grão-Ducado ainda não reflete as restrições e as medidas de segurança com que o Governo liderado por Xavier Bettel se propõe a conter a propagação do vírus.

Sem qualquer intenção de fazer marcha atrás no plano de desconfinamento, o executivo luxemburguês acredita que vai conseguir conter esta segunda vaga de infeções com um conjunto de medidas de segurança que vão da esfera privada aos espaços públicos.


Covid-19. Violação da quarentena punida com multa até 500 euros
Quem não cumpra a quarentena, no caso de estar infetado, pode ser multado até 500 euros. Conheça as novas medidas da luta contra a covid-19 no Grão-Ducado anunciadas pelo Governo no final de um conselho de ministros.

Em vigor desde sábado, 23 de julho, a terceira 'lei covid' limita as reuniões privadas a 10 pessoas, sejam elas realizadas em locais fechados ou ao ar livre.

Os clientes dos bares e dos restaurantes que consumirem em pé, em desrespeito pelas regras, arriscam uma multa que vai dos 25 aos 500 euros. Finalmente, a distância de dois metros através dos assentos, ou da máscara, volta a ser obrigatória em qualquer reunião que junte mais de dez pessoas. 

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