Secretário de Estado das Comunidades: Curso complementar é "mais integrador" do que cursos integrados e paralelos
Secretário de Estado das Comunidades: Curso complementar é "mais integrador" do que cursos integrados e paralelos
O curso complementar é uma das grandes novidades do memorando de entendimento sobre o futuro do ensino do português no Luxemburgo.
O secretário de Estado das Comunidades, José Luís Carneiro, defende que o curso complementar é “mais integrador” do que os atuais cursos integrados e paralelos. O futuro do ensino da língua e da cultura portuguesas no Luxemburgo poderá vir a passar por este novo curso.
Questionado se os cursos integrados têm os dias contados no Luxemburgo, o secretário de Estados das Comunidades preferiu responder valorizando o modelo dos cursos complementares.
“O Estado português quer um ensino que garanta o sucesso educativo dos portugueses no ensino luxemburguês. Queremos que os alunos comecem [com o ensino do português] desde o pré-escolar, tendo como horizonte aceder ao ensino superior. Deste ponto de vista, este modelo [complementar] responde a este grande desafio”, defendeu o secretário de Estado das Comunidades.
O curso integrado deixava ficar pelo caminho cerca de 70% dos alunos, que não chegavam ao ensino superior”
Em entrevista ao Contacto e à Rádio Latina, José Luís Carneiro, acrescentou que o curso integrado “deixava ficar pelo caminho cerca de 70% dos alunos, que não chegavam ao ensino superior”.
Tido como a grande novidade do memorando de entendimento relativo à promoção da língua e da cultura portuguesas no Luxemburgo, o curso complementar passa a ser a terceira alternativa para os alunos lusófonos, juntando-se aos cursos integrados no sistema de ensino luxemburguês e aos cursos paralelos, estes assegurados pela Coordenação de Ensino de Português.
Para José Luís Carneiro, este modelo dos cursos complementares, que vai compensar por exemplo o fim dos cursos integrados em Esch-sur-Alzette a partir do próximo ano letivo, é “mais integrador” do que os cursos integrados e paralelos.
“Entendemos que é um modelo mais integrador, porque amplia a oferta no pré-escolar e no secundário. Contrariamente ao paralelo, o ensino complementar passa a ocorrer dentro da escola, traz o ensino do português de fora para dentro da escola. Por outro lado, a avaliação passa a estar inscrita no boletim escolar luxemburguês do aluno, contribuindo para a sua integração formal”.
Já no ensino secundário, o objetivo é o “alargamento da oferta no ensino”, com mais turmas, permitindo “um canal aberto para os alunos no seu processo de aprendizagem da língua portuguesa”, desde o pré-escolar até ao ensino superior.
De acordo com o Ministério da Educação luxemburguês, as “aulas de português para principiantes” já fazem parte da oferta opcional nas escolas secundárias, “para os alunos interessados”. Mas para já, o único caso mencionado pelas autoridades dos dois países é o da Escola Internacional de Differdange.
José Luís Carneiro garante um “maior envolvimento” dos dois governos para a inscrição de alunos na secção portuguesa da Escola Internacional de Differdange. “As famílias portuguesas devem aproveitar esta oportunidade”, desafia o governante. O desafio maior a partir de agora será a inscrição dos alunos nesta e noutras escolas do país. “Há um trabalho que vai ser desenvolvido pelo Governo português junto das famílias e pelo Governo luxemburguês junto das comunas”, sublinha o secretário de Estado.
Os cursos complementares vão ter lugar preferencialmente às terças e quintas-feiras à tarde e ainda ao sábado.
Quando desapareceu o ensino integrado em Differdange em 2012, e noutras comunas, não houve resposta do Governo de então. Nós conseguimos agora uma terceira alternativa para as comunas e as famílias.
“Não havia uma alternativa desde 2012”
Confrontado com as críticas do deputado do PSD Carlos Gonçalves, que apontou o dedo à desresponsabilização do Ministério da Educação luxemburguês no processo do fim dos cursos integrados, afetando cerca de 500 alunos, José Luís Carneiro lembrou que desde 2012, altura em que o PSD ainda era Governo, que não havia uma alternativa.
“Quando desapareceu o ensino integrado em Differdange em 2012, e noutras comunas, não houve resposta do Governo de então. Nós conseguimos agora uma terceira alternativa para as comunas e as famílias. Desde 2012 que não havia uma alternativa. Há outros deputados que reconhecem o valor deste acordo, que é muito positivo porque mantém o que existia e cria uma nova alternativa, quer no pré-escolar, quer no secundário, enquanto ensino complementar”.
Formação profissional em português
A oferta do ensino profissional em língua portuguesa poderá vir a ser uma realidade no Luxemburgo. O ministro do Trabalho do Luxemburgo, Nicolas Schmit, admitiu em março do ano passado, durante uma visita a Lisboa, a possibilidade de haver formação em língua portuguesa para os trabalhadores portugueses no Luxemburgo, para alguns setores e “na medida do possível”.
José Luís Carneiro diz agora querer relançar essa iniciativa, trabalhando com as autoridades luxemburguesas para que, pelo menos, a “prova de acesso à formação e o exame final da formação sejam em língua portuguesa”. Henrique de Burgo
Henrique de Burgo
Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.
