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Secretário das Comunidades defende formação profissional em português para emigrantes no Luxemburgo
O secretário de Estado esteve reunido durante mais de uma hora com o ministro da Educação do Luxemburgo

Secretário das Comunidades defende formação profissional em português para emigrantes no Luxemburgo

Foto: Manuel Dias
O secretário de Estado esteve reunido durante mais de uma hora com o ministro da Educação do Luxemburgo
Luxemburgo 4 min. 18.02.2016

Secretário das Comunidades defende formação profissional em português para emigrantes no Luxemburgo

O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas defendeu hoje a oferta de formação profissional em português para garantir o acesso dos emigrantes no Luxemburgo a cursos de qualificação profissional, sobretudo no sector da construção.

O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas defendeu hoje a oferta de formação profissional em português para garantir o acesso dos emigrantes no Luxemburgo a cursos de qualificação profissional, sobretudo no sector da construção.

José Luís Carneiro esteve hoje reunido com o ministro da Educação do Luxemburgo, com quem discutiu o acesso dos portugueses à formação profissional no sector da construção, necessária para certificar competências e subir de escalão, mas onde as línguas são uma barreira para os emigrantes.

"São pessoas com baixas qualificações, que têm dificuldades na escrita, mesmo em português, e se a formação técnico-profissional não for garantida em língua portuguesa, dificilmente acederão a essa mesma formação", disse ao CONTACTO o secretário de Estado.

Desde 2002 que a lei luxemburguesa exige um diploma emitido pelo Instituto de Formação Sectorial da Construção (IFSB) para progredir de escalão profissional e aumentar de salário. Os cursos são necessários também "para os trabalhadores que caem em situação de desemprego e se querem reconfigurar profissionalmente, adquirindo novas competências", explicou o secretário de Estado.

O problema é que para os emigrantes portugueses, que representam a maioria dos trabalhadores no sector, isso significa fazer formação e exames "em luxemburguês, alemão ou em francês", idiomas "que a maioria não domina", ficando por isso "impossibilitados de aceder a essa formação".

"Enquanto a formação profissional não for oferecida em língua portuguesa, do que estamos a falar é de uma possibilidade formal que não corresponde a uma possibilidade real", defendeu José Luís Carneiro, afirmando que o ministro da Educação do Luxemburgo se mostrou receptivo a essa possibilidade.

"O ministro comprometeu-se a desenvolver connosco este esforço de oferta de formação profissional em português", disse José Luís Carneiro, que propôs ao governante luxemburguês a colaboração com "associações portuguesas" com experiência nesta área.

"Sugeri que pudessem ser contactadas as associações portuguesas, nomeadamente a Confederação da Comunidade Portuguesa do Luxemburgo (CCPL), que tem já uma prática de formação profissional aberta a várias nacionalidades, para que eles próprios possam disponibilizar formação e qualificação técnica e profissional aos portugueses que aqui chegam", disse o SECP.

O problema arrasta-se há vários anos. Em 2008, a central sindical OGB-L propôs que os cursos no Instituto de Formação da Construção fossem dados também em língua portuguesa, em colaboração com o Instituto Português de Formação Profissional, mas apesar de ter sido constituído um grupo de trabalho entre os Governos dos dois países, essa hipótese nunca se concretizou.

Hoje, José Luís Carneiro disse ao CONTACTO estar convencido de que o Governo "está profundamente empenhado em remover obstáculos à igualdade de oportunidades, muito particularmente para os portugueses, que fazem parte da identidade histórica e cultural do Luxemburgo".

O secretário de Estado elogiou também a introdução de aulas de português na Escola Internacional de Differdange, um estabelecimento de ensino público cuja criação foi aprovada em Janeiro, e defendeu o alargamento da língua portuguesa no pré-escolar, onde começou a ser ensinada este ano lectivo numa dezena de escolas, em regime experimental.

Actualmente, 230 alunos do ensino pré-escolar no Luxemburgo contam com "a  intervenção de um professor de Português, para permitir aos alunos de origem portuguesa melhorar o domínio da língua materna e assim facilitar a aprendizagem de línguas estrangeiras", explicou ao CONTACTO Joaquim Prazeres, responsável do Instituto Camões no Luxemburgo.  Em Setembro, o ministro da Educação do Grão-Ducado comprometeu-se também a alargar o projecto-piloto à generalidade das creches já a partir de 2017.

José Luís Carneiro fez ainda um apelo aos pais para que inscrevam os filhos no ensino-pré-escolar. "As famílias portuguesas têm de perceber que colocarem  as suas crianças no ensino pré-escolar, onde aprendem não apenas o português, mas o francês, o inglês e o luxemburguês, é o primeiro grande passo para a sua inserção cívica e profissional no futuro", disse.

O secretário de Estado prossegue hoje a visita de dois dias ao Luxemburgo. Esta tarde, participa numa conferência organizada pela UGT em colaboração com os sindicatos luxemburgueses OGB-L e LCGB, tendo ainda encontros com o conselheiro das Comunidades Portuguesas e com o secretário-geral do Sindicato dos Professores no Estrangeiro.

P.T.A.

Veja também a reportagem publicada no jornal CONTACTO em 2010:



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