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Só um em dez portugueses chega ao ensino clássico
Luxemburgo 03.10.2018 Do nosso arquivo online

Só um em dez portugueses chega ao ensino clássico

Só um em dez portugueses chega ao ensino clássico

Luxemburgo 03.10.2018 Do nosso arquivo online

Só um em dez portugueses chega ao ensino clássico

Que a escola representa um primeiro passo para a desigualdade persistente na sociedade luxemburguesa comprova-se, por exemplo, através dos números divulgados pelo Ministério da Educação relativos a 2017.

Há 28% de portugueses que seguem para o ensino modular, o nível mais baixo do ensino secundário, abaixo mesmo do ensino técnico-profissional, o qual acolhe 60% das crianças portuguesas. Em contrapartida, o acesso ao ensino secundário clássico apenas esteve livre para cerca de 11% dos estudantes portugueses, daí podendo fazer percurso até ao ensino superior.

Por outro lado, ainda avaliando os números do ano passado, só um estudante português em cada dez conseguiu o diploma do ensino secundário clássico. Para os outros nove ficaram diplomas do ensino técnico e, neste grupo, três não passaram do diploma de aptidão profissional.

O panorama é exatamente o inverso quando se trata de estudantes luxemburgueses, uma vez que perto de metade (49%) rumam ao ensino clássico, desbravando caminho até às universidades, 41,9% entram no técnico, e apenas 8,8% se ficam pelo modular.

Outro dado a reter quando se trata de desigualdade social, divulgado pelo relatório da OCDE intitulado “Education at a Glance” e publicado em setembro, diz respeito à discrepância entre os níveis salariais. Estrangeiros sem estudos superiores ganham, em média, 18 a 25% menos do que os luxemburgueses com idêntico grau de ensino, conforme o Contacto indicou no passado dia 12. Ou seja, nem sequer é necessária a existência de distinção entre graus de escolaridade para que subsista a questão da desigualdade, neste caso de âmbito mais alargado, uma vez que não se restringe a portugueses, mas reparte-se um pouco por cada nacionalidade. Os indicadores sobre as línguas faladas em casa apontam para a supremacia de outros idiomas no primário, ao passo que, no secundário, é já o luxemburguês a dominar.


Outros dados sobre desigualdade, constantes do estudo Panorama Social da Câmara dos Assalariados, referem que, entre 2010 e 2016, os salários mais baixos aumentaram 0,8% enquanto os mais altos cresceram perto de 6% e o risco de pobreza, situado nos 16,5%, estava a meio da classificação dos países da zona euro (no caso das famílias monoparentais, a taxa de risco de pobreza encontrava-se acima de 45% desde 2006).

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