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Restauração. E, ao quarto sábado, fez-se a marcha "ensurdecedora" contra o encerramento "forçado"

  • "Não há dinheiro, não há café"
  • Façam barulho
  • Asfixia
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Restauração. E, ao quarto sábado, fez-se a marcha "ensurdecedora" contra o encerramento "forçado"

Restauração. E, ao quarto sábado, fez-se a marcha "ensurdecedora" contra o encerramento "forçado"

Restauração. E, ao quarto sábado, fez-se a marcha "ensurdecedora" contra o encerramento "forçado"


por Teresa CAMARÃO/ 30.01.2021

Fotos: António Pires

Pelo quarto sábado consecutivo, perto de 200 pessoas voltaram ao centro do Luxemburgo numa marcha ruidosa contra a apelidada "asfixia "que o governo prolongou até, pelo menos, 21 de fevereiro. À espera dos prometidos apoios, o setor da restauração promete continuar a repetir as demonstrações de força. Numa altura em que o comércio tem as portas abertas, reclamam "igualdade de tratamento".

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"Não há dinheiro, não há café"
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António Pires

 "Já basta". Deker não falha um protesto contra o encerramento "forçado" dos bares e restaurantes. Conta que, desta vez, é "particularmente importante", enquanto exibe o caixão de papelão para as objetivas da imprensa que, pelo quarto sábado consecutivo, acompanhou o desfile do setor Horeca pelo centro da cidade.  

Deker, co-proprietário de um café em Diekirch.
Deker, co-proprietário de um café em Diekirch.
António Pires

 "Se nos deixassem trabalhar, comemoraríamos 25 anos à frente do nosso café em Diekirch. Somos a primeira geração e arriscamo-nos a ser a última porque, se isto continuar assim não temos outra solução: fechamos. Acabou. Fomos. Não há dinheiro, não há café", encerra o assunto. 

De "corda ao pescoço", quase 200 pessoas responderam ao apelo da organização que promete repetir os protestos "enquanto for necessário". Na dianteira da marcha que foi fechando portas à sua passagem naquele que é o maior centro comercial a céu aberto da capital, Clément Elie voltou a dar a cara pelo fim da discriminação do setor que, a par da aviação, tem sido um dos mais penalizados pela crise sanitária. 

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Façam barulho
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"Se a Horeca fosse um banco, vocês já a teriam salvo", sobressaia no cartaz negro que o organizador ergueu durante o percurso que começou, como combinado, na Place Guillaume e só terminou, 45 minutos depois, na Place D'Armes, passando pela Place Calirefontaine e pelo Parlamento. 

Marcha desembocou na Place D'Armes, depois de 45 minutos debaixo de chuva
António Pires

Tal como se tinha proposto há uma semana, Elie conseguiu não só repetir como tornar o desfile mais ruidoso. Desta vez a música de rua que costuma ecoar entre a Rue de Capucins e a Rue Beuamont não resistiu à fúria dos tambores. Buzinas, panelas, talheres, caixas de som e megafones serviram para descarregar a revolta acumulada há já praticamente três meses.  

António Pires

Estávamos a 23 de novembro quando o Governo decidiu encerrar bares e restaurantes, mantendo aberta a porta do take-away e das entregas. De prolongamento em prolongamento, a paciência vai esmorecendo. "Deixem-nos trabalhar. Eu só peço que nos deixem trabalhar", atira, apressado, um manifestante que recusa acrescentar uma única vírgula ao discurso que repete no cartaz que carrega ao peito. 

"Ensurdecedor", esclamava aos suspiros uma das muitas pessoas que se passava por aquela hora no centro do Luxemburgo. "Ensurdecedor". 

António Pires


Com as portas fechadas desde o final de novembro, proprietários e trabalhadores prometem repetir a marcha até que o Governo ceda na reabertura do setor ao público.
António Pires

 

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Asfixia
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"É fácil perceber. Estão a asfixiar-nos, a tirar-nos o ar", sintetiza a mistura entre a ministra da Saúde Paulette Lenert e uma personagem da  A Casa de Papel que, lado a lado com a versão Xavier Bettel, pousou para as fotografias em todas as paragens estratégicas da manifestação. 

António Pires

"Não há lá grande coisa a fazer. É abrir, é abrir os restaurantes e pronto", ditava o mascarado que, uns metros antes de galgar as escadas da Câmara dos Deputados com o cartaz alusivo à série da Netflix , nos confessou chamar-se Carlos, "mais um trabalhador da restauração a lutar pela sobrevivência".  

Num percurso acompanhado pela chuva, os manifestantes fizeram questão de subir as escadas da Câmara dos deputados em sinal de repúdio contra as medidas do Governo para o setor
Num percurso acompanhado pela chuva, os manifestantes fizeram questão de subir as escadas da Câmara dos deputados em sinal de repúdio contra as medidas do Governo para o setor
António Pires

Nem os benefícios fiscais que, durante dois anos, congelam os descontos sobre os rendimentos dos trabalhadores do setor, abrandam o descontetamento de quem se diz vítima de discriminação face ao levantamento das restrições da pandemia ao comércio. "Não, nunca fiz nem tenciono fazer época de saldos. O que eu queria mesmo é que me tirassem deste sufoco porque não é justo continuarmos no fim da fila do governo", reclama Pablo, proprietário de um restaurante em Beaufort. "Diga-me você. Faz algum sentido eu ter a porta fechada e estas lojas todas estarem abertas?", questiona. 

 

Pablo, proprietário de um restaurante em Beaufort
Pablo, proprietário de um restaurante em Beaufort
António Pires

Alvo de todo o descontentamento e dos urros de abandono, o Governo liderado por Xaviel Bettel continua a ser cobrado pela alegada "discriminação" entre os espaços que estão ou não na lista dos mais propícios à transmissão do novo coronavírus. "Há lógicas incompreensíveis. Com distanciamento, máscaras e gel já se mostrou que é possível. Só não vê quem não quer ver. Só queremos que nos tratem da mesma maneira", atira no passo apressado pela chuva que acompanhou todo o percurso. "Para a semana, cá estaremos".

 

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