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Reportagem. Novo ano letivo arranca entre dúvidas e medidas de segurança
Luxemburgo 4 min. 15.09.2020

Reportagem. Novo ano letivo arranca entre dúvidas e medidas de segurança

Rosa Abrantes com a filha Adelina no primeiro dia do regresso às aulas na escola de Strutzbierg, em Dudelange.

Reportagem. Novo ano letivo arranca entre dúvidas e medidas de segurança

Rosa Abrantes com a filha Adelina no primeiro dia do regresso às aulas na escola de Strutzbierg, em Dudelange.
Foto: Á. Cruz
Luxemburgo 4 min. 15.09.2020

Reportagem. Novo ano letivo arranca entre dúvidas e medidas de segurança

Álvaro CRUZ
Álvaro CRUZ
Com pais mais ou menos preocupados, o regresso às aulas arrancou esta terça-feira em todo o país. Os professores garantem estar preparados para enfrentar a pandemia e reagir da forma mais ajustada a cada realidade.

"Estou satisfeita e ao mesmo tempo confiante de que tudo vai correr bem neste regresso às aulas. Era importante para os miúdos voltarem ao ensino presencial porque com os professores eles aprendem mais e melhor. Em casa saturam-se e a concentração não é a mesma. Por outro lado, eles precisam de contacto físico e de estar à vontade", diz com voz serena Rosa Abrantes com a filha Adelina pela mão à porta da escola primária de Strutzbierg, em Dudelange, que conta com 52% de alunos estrangeiros, 23% deles portugueses. 

O arranque do novo ano letivo, esta terça-feira, foi bem diferente dos anteriores, não só devido à pandemia, mas também por algum nervosismo, visível sobretudo por parte dos pais cujos filhos vão frequentar a escola pela primeira vez. Não é o caso de Rosa que também tem um filho no liceu e, tranquila, insiste que agora "o importante é que todos respeitem e sigam as recomendações para reduzir os eventuais riscos de contaminação. Se todos colaborarem, tudo acabará por ser mais fácil." 

A filha, Adelina, de 9 anos, nunca chumbou e vai agora frequentar o 4° ano. Com a máscara colorida, sente-se como peixe na água na sua zona de recreação delimitada no chão por um quadrado destinado a cada classe. Antes de entrar na sala fartou-se de brincar com os companheiros de turma, de quem confessou que já estava com saudades. 

"Gosto muito de vir à escola. Estava com saudades e ansiosa para começar as aulas porque prefiro estar com os meus amigos. Aqui é melhor que em casa, aprende-se melhor e estamos mais concentrados nas matérias", vincou antes de entrar, alegremente, na sala de aulas com a professora e mandar um beijo de despedida à mãe. 

Sameiro Correia, com o filho Vítor Costa, à porta da escola.
Sameiro Correia, com o filho Vítor Costa, à porta da escola.
Foto: Á. Cruz

"Os testes deviam ser obrigatórios para todos" 

Perto de Adelina estava Vítor Costa, com a mãe, visivelmente menos excitado com este regresso às aulas. Quieto, observava a azáfama de pais, filhos e professores nas imediações da escola. Com 10 anos, vai também para a 4a classe, mas garante "estar preparado" apesar de estar consciente de que este ano "a matéria vai ser mais difícil." 

Ao contrário de Rosa, mãe de Adelina, a progenitora de Vítor mostra-se mais cética e cautelosa em relação ao arranque do novo ano letivo e aos perigos da pandemia. Sameiro Correia congratulou-se pela "boa organização da escola" na receção aos alunos, mas defendeu que os testes deveriam ser obrigatórios para todos.

"O meu filho fez recentemente o teste à covid-19 e deu negativo, o que acaba por nos tranquilizar bastante. Acho que todos os alunos e professores deveriam ser obrigados a fazer o teste. É uma medida de segurança importante, mas infelizmente nem todos assumem essa responsabilidade", lamenta. "Tenho visto pais a brincar com filhos nos parques e muitos deles nem máscara usam. É um mau exemplo que dão porque não é só a saúde deles que está em causa, a dos outros também", insiste. 

Mostrou-se satisfeita com o regresso do filho às aulas, defendendo que "é fundamental os alunos estarem com os professores". "Em casa, por muitos esforços que façamos, nada se compara à forma como os professores ensinam. No meu caso, como não sei alemão, as coisas tornam-se mais difíceis porque mesmo que queira ajudar, não consigo." 


Wirtschaft, Lokales, Illustrationen, Masken, Covid 19, verschiedene Masken, Mode der Masken, Muster, Farbe,  Corona-Zeiten Foto: Anouk Antony/Luxemburger Wort
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"Nada foi deixado ao acaso na preparação do regresso às aulas"

Ronny Bonvini, presidente e responsável da Escola Strutzbierg, em Dudelange, teve uma manhã movimentada na coordenação e receção dos cerca de 300 alunos distribuídos por 18 classes. 

À entrada para as aulas, os alunos desinfetam sempre as mãos.
À entrada para as aulas, os alunos desinfetam sempre as mãos.
Foto: Á. Cruz

No recreio, entre solicitações e informações a alunos, professores e país, o experiente professor garantiu ao Contacto que "cada início de ano letivo é bastante movimentado", mas que "as diretivas e medidas de segurança decretadas pelo ministério da Educação foram claras e adequadas à nova situação." 

"Nada foi deixado ao acaso na preparação deste regresso às aulas. Tivemos várias reuniões com a autarquia, professores e outras entidades para construirmos um plano de baseado na experiência que tivemos em maio, após o confinamento. Depois, adotámos mais algumas estratégias importantes para podermos estar preparados para qualquer eventualidade."


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O responsável máximo da Escola Strutzbierg revelou ainda ao Contacto que em breve decorrerão reuniões entre os professores e os pais dos alunos [no máximo dez de cada vez] no sentido de informar toda a gente sobre as medidas específicas e outras dúvidas que possam surgir. 

"Penso que passados alguns meses já todos nos adaptámos e sabemos viver melhor com esta situação. Temos tudo controlado, mas se surgirem alguns casos, vamos reagir de uma forma mais ajustada a cada realidade", concluiu.

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