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Relativa ou absoluta?
Editorial Luxemburgo 3 min. 12.09.2019

Relativa ou absoluta?

Relativa ou absoluta?

Foto: Getty Images/EyeEm
Editorial Luxemburgo 3 min. 12.09.2019

Relativa ou absoluta?

Sérgio Ferreira Borges
Sérgio Ferreira Borges
Anda por aqui mais uma campanha eleitoral, sem novidade relevante. Tudo muito igual, ao que os portugueses estão habituados. Promessas e ataques tácticos e estratégicos aos adversários são o que mais se ouve e vê.

Tivemos recentemente uma campanha para o Parlamento Europeu e agora a campanha para as eleições regionais na Madeira que também drenam para o continente. Parecem ser eleições a mais, mas tudo não passa do estrito cumprimento dos calendários definidos pela lei. Só podemos lamentar a coincidência temporal.

A grande questão destas eleições legislativas de 6 de Outubro é saber se o PS consegue a maioria absoluta. Quanto ao resto, com pequenas vitórias e grandes derrotas, tudo parece estar resolvido.

As sondagens indiciam que o Bloco de Esquerda é o partido com mais possibilidades de impedir o PS de chegar à maioria absoluta. Embora o PAN, se conseguir uma votação próxima dos oito por cento, como algumas medições vaticinam, também pode dar um contributo para a frustração socialista. Mas atenção, há outras sondagens que dão ao PAN menos de metade dessa votação.

Parece certo que, se o Bloco de Esquerda ultrapassar, mesmo que ligeiramente, os 10 por cento, retira aos socialistas a maioria absoluta. Com isto, justifica-se o constante ataque dos socialistas aos bloquistas, tal como a inversa também é verdadeira. O futuro imediato do Bloco passa por uma maioria relativa do PS, que lhe poderá dar acesso a uma coligação governamental, ou a uma convergência de incidência parlamentar, como aconteceu, nestes quatro anos.

O PCP, sem grandes expectativas eleitorais, concentra as suas críticas, nas “alianças” que os socialistas, ao longo dos anos, fizeram com a direita, sobretudo, contra os direitos laborais.

À direita, fazem-se duas campanhas em quem ninguém acredita. O PSD tem, nesta altura, uma quota de voto a rondar os 20 por cento e o CDS mal chega aos cinco. Nem uns, nem outros descolam destes patamares.

Se de facto Rui Rio quer sobreviver na liderança do partido a uma derrota eleitoral, deveria ter feito uma coligação de direita, pré-eleitoral. Seria a única forma de a fraca votação, misturada com as outras, passar disfarçada. Mesmo assim, não seria certo que os seus opositores internos tolerassem a sua continuidade.

  (...) parece que o Bloco de Esquerda é o partido com mais possibilidades de impedir o PS de chagar à maioria absoluta  

O mesmo se pode dizer de Assunção Cristas. Aqui, tudo se passa de forma mais silenciosa, aparentemente, mais tranquila. E isto tem uma explicação. Nuno Melo, frequentemente apontado como putativo candidato à liderança, também tem responsabilidades na fraca votação do CDS, nas europeias. Mas Cristas é uma líder a prazo, se o CDS fracassar a 6 de Outubro.

Dos restantes partidos, pouco há a dizer. Tanto a Aliança, de Pedro Santana Lopes, como a Iniciativa Liberal não chegam aos dois por cento, em todas as sondagens. Em qualquer dos casos, se a concentração de voto acontecer num círculo eleitoral grande, mantêm a possibilidade de eleger um deputado.

É a concentração de voto que preocupa também o PS. Duas sondagens recentes colocam os socialistas ligeiramente acima dos 43 por cento. Tecnicamente, com esta votação, a maioria absoluta já é possível, embora difícil. Também neste caso, seria necessário que o PS obtivesse excelentes votações, nos dois círculos eleitorais que mais deputados elegem – Lisboa e Porto (88 deputados, para um total de 230). Pelo contrário, se essa votação, por muito boa que seja, tiver uma incidência elevada, em distritos com pouco peso eleitoral, como Beja, Évora, Portalegre, ou Bragança (11, ao todo), esses 43 por cento serão insuficientes para obter uma maioria absoluta.

A política fiscal, o Serviço Nacional de Saúde e a precariedade laboral têm sido os temas com que os partidos da oposição têm confrontado o PS. A direita tem privilegiado os impostos. O SNS é um tema transversal, embora esquerda e direita divirjam nas críticas que fazem ao PS. A direita quer maior participação dos privados no sistema, enquanto a esquerda exige maior investimento público. A precariedade laboral continua a ser um exclusivo da esquerda. 

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