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Regresso às aulas. O meu filho está com gripe ou tem covid-19?
Luxemburgo 4 min. 17.09.2020

Regresso às aulas. O meu filho está com gripe ou tem covid-19?

Regresso às aulas. O meu filho está com gripe ou tem covid-19?

Foto: AFP
Luxemburgo 4 min. 17.09.2020

Regresso às aulas. O meu filho está com gripe ou tem covid-19?

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
Esta será uma das grandes dúvidas dos pais, sobretudo dos mais pequenos, nos próximos meses, por causa dos sintomas semelhantes. Duas pediatras especializadas, do Kannerklinik, Luxemburgo, e do Hospital de Santa Maria, Portugal, dão a resposta e os conselhos mais importantes.

Até pode ser apenas o 'pingo no nariz', ou o 'ranho', uma tosse e a criança nem sequer ter febre, mas agora os pais ficam logo em alerta, nestes tempos da epidemia.

Será que o meu filho está com uma simples constipação, apanhou uma gripe ou poderá estar infetado pelo novo coronavírus? As dúvidas dos pais são legítimas dado que os sintomas da gripe e da covid-19 são semelhantes, pois são ambas doenças virais que causam infeções respiratórias.

Duas especialistas que tratam crianças com covid-19, Isabel De La Fuente, pediatra especialista em infeciologia, da Kannerklinik, no Luxemburgo, e Cristina Camilo, pediatra intensivista do Hospital de Santa Maria, em Lisboa explicam ao Contacto as semelhanças e diferenças das queixas sintomáticas da gripe e da infeção pelo novo coronavírus.

Sintomas muito “semelhantes”

Estas pediatras reconhecem que na grande maioria dos casos, será difícil distinguir, à partida, e pelas queixas mais comuns, a doença covid-19 de uma gripe habitual no outono/inverno.

Como a febre alta ou os sintomas mais ligeiros, seja a obstrução nasal, corrimento nasal, ranho, dor de garganta, tosse, enumeram. Tal como a gripe, o SARS-CoV-2 pode também originar dores de cabeça, dores no corpo, perda de apetite, e por isso, à semelhança das queixas respiratórias “é difícil distinguir qual a causa”, assume Cristina Camilo.

“Em geral, o SARS-CoV-2 é mais contagioso, embora em crianças, a transmissão do vírus da gripe pareça ser mais importante do que a do coronavírus. Até agora, o vírus da gripe parece ser mais perigoso para as crianças do que o vírus do SARS-CoV-2”, declara, por seu turno, Isabel De La Fuente.

Muita atenção à "perda do olfato"

Há um sintoma distinto da covid-19 em relação à gripe, vincam as pediatras: a "falta de cheiro/olfato".

"O único sintoma que tem sido quase patognomónico de covid-19 é a anosmia (deixar de ter cheiro). Se alguma criança ou adolescente referir esta queixa, mesmo que não tenha mais sintomas, ou que os outros sintomas sejam muito ligeiros, é muito provável que tenha COVID-19", frisa Cristina Camilo.

Isabel De La Fuente acrescenta que "falta de sabor/paladar também pode ser um sintoma específico de covid-19", embora tal como a perda de olfato possa igualmente "se apresentar como sintomas de outro tipo de infeções".

A covid-19 pode também provocar "sintomas gastrointestinais como dor abdominal, vómitos ou diarreia, mas também estes são comuns a vários vírus e habituais" no outono/inverno, exemplifica a pediatra portuguesa.

Perante tantas semelhanças, "a única forma de assumir que a infeção é provavelmente causada por SARS-CoV-2 é, se existir, um contacto direto com alguém que já se sabe ser positivo", indica Cristina Camilo.

Contudo, mesmo nestes casos, e nos outros em que não tenha havido contacto com infetados, "o único modo de confirmar a infeção pelo SARS-Cov-2 será através da realização do teste por PCR", os testes de despistagem da covid.

Ficar em casa e não ir à escola

O Ministério da Educação do Luxemburgo estabeleceu "regras bastante específicas", diz Isabel De La Fuente: "Em caso de febre, a criança deve ficar em casa. Nos casos de sintomas menores (como dor de garganta, tosse ou nariz que pinga), se houver associação de dois sintomas, é também um indicador para ficar em casa. Nos casos de existir uma combinação de vários sintomas agudos, tais como tosse, constipação, dor de garganta, dores musculares, as crianças terão de ficar em casa".

Por parte dos pais/cuidadores dos alunos "terá de ter algum bom senso (às vezes é o mais difícil) e perceber que se os sintomas aparecem, por exemplo, num dia ao final da tarde e agravam nessa noite, na manhã seguinte as crianças deviam ficar em casa para se perceber se o quadro clínico vai agravar. Para se protegerem a elas e aos outros", recomenda Cristina Camilo.

Quando uma criança ou qualquer outra pessoa testam positivo à covid-19 é preciso redobrar os cuidados em casa, para não contagiar outros familiares. "É importante que as pessoas que vivem sob o mesmo teto apliquem as regras de higiene para reduzir o seu risco de infeção, como lavar as mãos frequentemente, usar uma máscara em casa se possível, evitar partilhar copos/talheres, entre outros", aconselha a pediatra da Kannerklinik. E adianta: "Se possível, as pessoas mais vulneráveis devem ser mantidas afastadas, tais como pessoas com mais de 65 anos ou com outros problemas de saúde (imunodepressão ou problemas pulmonares graves, entre outros)".

No entanto, Isabel De La Fuente lembra que "na maioria dos casos são as crianças que são infetadas pelos seus pais ou outros adultos e não o contrário. É muito importante que cada adulto assuma a responsabilidade de evitar a propagação do vírus na comunidade".


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