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Referendo: Crise na Grécia provoca divisões no governo luxemburguês
Luxemburgo 3 min. 05.07.2015

Referendo: Crise na Grécia provoca divisões no governo luxemburguês

Enquanto Bettel e Gramegna, do DP, defendem a posição do Eurogrupo, o ministro socialista Nicolas Schmit tem estado a publicar mensagens de apoio ao povo grego

Referendo: Crise na Grécia provoca divisões no governo luxemburguês

Enquanto Bettel e Gramegna, do DP, defendem a posição do Eurogrupo, o ministro socialista Nicolas Schmit tem estado a publicar mensagens de apoio ao povo grego
Foto: Gerry Huberty
Luxemburgo 3 min. 05.07.2015

Referendo: Crise na Grécia provoca divisões no governo luxemburguês

A crise na Grécia está a provocar divisões no governo luxemburguês, com o primeiro-ministro Xavier Bettel e o ministro das Finanças a defenderem uma posição dura em Bruxelas, enquanto outros ministros da coligação enviam mensagens de apoio à Grécia nas redes sociais.

A crise na Grécia está a provocar divisões no governo luxemburguês, com o primeiro-ministro Xavier Bettel e o ministro das Finanças a defenderem uma posição dura em Bruxelas, enquanto outros ministros da coligação enviam mensagens de apoio à Grécia nas redes sociais.

Durante a cimeira extraordinária da União Europeia, Xavier Bettel afirmou que a restruturação da dívida grega "não era uma opção" e que tinha de defender os contribuintes luxemburgueses.

O ministro das Finanças, Pierre Gramegna, acusou mesmo a Grécia de ter fechado a porta a futuras negociações após o anúncio do referendo, afirmando que a decisão do governo de Tsipras minou a confiança entre o país e os restantes países da Zona Euro.

Mas nem todos os ministros do Governo de coligação, formado pelo DP, Verdes e Socialistas, apoiam a posição do primeiro-ministro e do ministro das Finanças, ambos do DP. O ministro dos Transportes, François Bausch, do Déi Gréng, tem partilhado artigos e posts críticos do Eurogrupo, mas as críticas mais veementes vêm do ministro do Trabalho, Nicolas Schmit.

Na rede social Twitter, Schmit tem estado a apoiar a Grécia, retweetando também artigos e editoriais que criticam a posição da UE. Entre os artigos que o ministro do LSAP partilhou naquela rede social contam-se “A Europa está a destruir a economia da Grécia sem razão nenhuma", do Washington Post, a clivagem entre o FMI e a Eurozona, ou um artigo do Le Monde em que o antido presidente da Comissão Europeia Jacques Delors apela aos líderes europeus para que salvem a Grécia.

O ministro do LSAP também publicou mensagens apelando ao fim da austeridade, defendendo que a solução para o país deve passar pelo foco em políticas de crescimento "e não na dívida". "Não há uma austeridade amigável do crescimento, isso é um mito", defendeu esta semana Nicolas Schmit. "Reduza-se a dívida apoiando o crescimento sustentável", apelou o ministro socialista.

"Sou solidário com o povo grego", diz Schmit ao Contacto

Na sexta-feira, a passagem do ministro socialista pela manifestação de apoio à Grécia não passou despercebida aos manifestantes, no mesmo dia em que o Luxemburgo iniciou oficialmente a presidência do Conselho Europeu. Nicolas Schmit chegou à place Clairefontaine já depois de terminados os discursos do representante do Syriza no Luxemburgo e do presidente da OGB-L, mas esteve alguns minutos a falar com alguns manifestantes.  

Questionado pelo CONTACTO sobre se a sua presença no local indicava o seu apoio ao protesto, o ministro disse que passou por ali apenas "por coincidência", mas reiterou o seu apoio à Grécia.

"Tenho o meu carro estacionado ali ao fundo", disse Schmit ao CONTACTO, "mas sou solidário com o povo grego".

Esta não é a primeira vez que o ministro socialista, que também fez parte do anterior Governo, critica publicamente as políticas de austeridade. Já em 2012, em entrevista ao jornal Público, o então ministro da Imigração do Governo de Juncker acusava a UE de conduzir políticas que forçavam os portugueses a emigrar.

"Sou muito crítico em relação à forma como a Europa está a gerir esta crise. Portugal está a fazer um esforço tremendo, mas milhares de portugueses estão a perder o emprego, a possibilidade de estudar e por aí adiante. É demasiada austeridade", defendeu na altura.

"Temos de resolver os problemas comuns com solidariedade europeia", acrescentou. "Os problemas de Portugal ou da Grécia são piores para Portugal e para a Grécia, mas também são nossos. Temos de encontrar uma solução comum, senão também sofremos com eles", defendeu.

P.T.A.



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