Rastreio saturado. País em risco de voltar à fase mais grave de contágios
Rastreio saturado. País em risco de voltar à fase mais grave de contágios
Esta manhã os luxemburgueses acordaram com duas notícias muito preocupantes: a ministra da Saúde assumiu que o país estava já a viver uma segunda vaga da epidemia da covid-19 e horas depois o Diretor da Saúde declarou que a Inspeção Sanitária já não conseguia rastrear todos os contactos das pessoas infetadas, devido ao aumento diário dos novos casos.
Só quinta feira foram registados 163 novos casos. Desde o início de abril que não se existia um número tão elevado de novas infeções no país.
A sobrecarga dos serviços da Inspeção Sanitária significa que há pessoas que estiveram em contacto com outras que testaram positivo para a infeção do novo coronavírus e não são contactadas telefonicamente para entrar em quarentena nem realizam posteriormente o teste de despistagem para saber se também foram infetadas, continuando assim a sua vida normal sob o risco de contaminar outras pessoas.
"Rastreio essencial para restringir propagação"
Esta é uma situação muito preocupante. “O rastreio de contratos é essencial para restringir a propagação da covid-19”, frisa ao Contacto Paul Wilmes, investigador e porta-voz da 'task force Covid', o grupo de cientistas que realiza os estudos sobre todas as áreas da epidemia no país e suas consequências.
Perante a situação atual deve ser “implementada o mais rapidamente possível uma aplicação (telemóvel) de rastreio segura para melhorar a eficácia do rastreamento de contactos”, aconselha este cientista da Universidade do Luxemburgo (UNI).
O Diretor da Saúde, Jean-Claude Schmit anunciou também esta manhã que estão já a decorrer negociações com os países vizinhos sobre uma aplicação de rastreamento da covid-19.
Para além desta medida não há muito que possa ser feito, além da adoção das regras de prevenção por cada habitante.
Voltar para a fase de mitigação
O caso é muito sério. “Quando o rastreio de contactos está saturado, normalmente passa-se da fase de contenção para a fase de mitigação da epidemia”, alerta Paul Wilmes. A fase de mitigação é a fase mais grave de contágio. É aquela em que a transmissão do vírus ocorre a nível local e em ambientes fechados. É uma transmissão comunitária. Já não se trata de casos importados, chegados de outros países como na fase de contenção.
Se o Luxemburgo não agir rapidamente, poderá recuar de novo para esta fase mais grave, onde já esteve e onde foi decretado o confinamento.
Confinamento para controlar casos
Paul Wilmes dá aliás o exemplo de Melbourne, na Austrália onde o rastreamento de contactos também ficou sobrecarregado no início deste mês, devido ao aumento de novos casos. E qual foi a medida adotada? “Melbourne impôs o confinamento de novo para que o rastreio de contactos covid-19 voltasse a níveis controláveis”.
Mais de cinco milhões de habitantes voltaram a ficar confinados em casa, durante seis semanas, só saindo por razões profissionais, para ir comprar bens de primeira necessidade, além de outras raras permissões. Também as escolas voltaram a encerrar. Este novo confinamento vai custar 3.695 milhões de euros à Austrália.
Além desta cidade australiana, também outras regiões do mundo já regressaram também ao confinamento por razões idênticas, lembra este investigador da Uni e um dos autores do relatório “Análise dos números de casos covid-19 no Luxemburgo, à luz da situação atual” que alertou o Governo para a existência de uma segunda vaga no país. O crescimento exponencial de novos casos vai continuar e “os novos casos vão duplicar a cada sete ou oito dias”, como contou ao Contacto Paul Wilmes.
Cada um tem de respeitar as medidas
Uma das medidas fundamentais para o controlo da propagação da epidemia no país é o respeito de cada cidadão pelas medidas sanitárias. “Deve-se seguir estritamente as medidas impostas, tais como o uso de máscaras e a lavagem regular das mãos”. “As pessoas devem evitar muitos contactos sociais. Novas restrições podem ser impostas pelo Governo para limitar a transmissão e propagação”, realça o porta-voz da task force. Domingo o primeiro-ministro Xavier Bettel irá falar ao país podendo impor mais medidas de restrição para controlar esta segunda vaga.
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