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Raquel Moreno. "Sou uma pessoa feliz no Luxemburgo"
Luxemburgo 4 min. 01.05.2022
Portugueses Felizes

Raquel Moreno. "Sou uma pessoa feliz no Luxemburgo"

A médica dentista Raquel Moreno adora a multiculturalidade do Luxemburgo que lhe permite ter amigos de tantas nacionalidades.
Portugueses Felizes

Raquel Moreno. "Sou uma pessoa feliz no Luxemburgo"

A médica dentista Raquel Moreno adora a multiculturalidade do Luxemburgo que lhe permite ter amigos de tantas nacionalidades.
Foto: António Pires
Luxemburgo 4 min. 01.05.2022
Portugueses Felizes

Raquel Moreno. "Sou uma pessoa feliz no Luxemburgo"

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
Chegou sozinha ao Grão-Ducado há sete anos, mas hoje a médica dentista portuguesa fala com satisfação da vida que este país lhe oferece e que a faz sentir "um pouco em Portugal". Mais uma história da série Portugueses Felizes no Luxemburgo.

Em vésperas da Páscoa, uma paciente portuguesa ofereceu um folar português à médica dentista Raquel Moreno, de 30 anos, que dá consultas no centro da capital do Luxemburgo. São gestos atenciosos como este que enternecem a portuense imigrada há sete anos no Grão-Ducado e a fazem dizer com satisfação que sente o país como uma “segunda casa”. 

“Estou sozinha no Luxemburgo, mas não me sinto sozinha, estou rodeada de amigos que já fiz cá e com quem posso contar, eles são a minha segunda família”, confessa ao Contacto Raquel Moreno, que no verão de 2015 se mudou para o Grão-Ducado com uma colega de profissão, deixando em Portugal a família e os amigos, o seu maior apoio. 

À chegada ao novo país apenas conhecia a colega e outros colegas já imigrados que a desafiaram para a mudança dadas “as melhores oportunidades de trabalho”. A estas poucas pessoas juntou-se depois a família portuguesa amiga da colega que acolheu as duas jovens nas primeiras semanas.

Raquel Moreno no consultório onde trabalha na capital do Luxemburgo.
Raquel Moreno no consultório onde trabalha na capital do Luxemburgo.
António Pires

"Primeiros tempos não foram fáceis"

“Os primeiros tempos não foram fáceis sobretudo porque sou trabalhadora independente. Além de ser difícil encontrar uma casa para alugar – as rendas são surreais – ainda há o pagamento inicial do contrato”, lembra a médica dentista, para quem o início da aventura da emigração só foi possível graças à ajuda financeira dos pais. “Sem este apoio seria muito difícil”, vinca. Isto, apesar de já ter trabalho garantido num consultório quando chegasse.

Um primeiro emprego que “não foi o melhor”, aumentando as saudades de ter os pais e amigos por perto para “apoiar e aconselhar”. Mas, Raquel Moreno decidiu continuar no Luxemburgo, ultrapassar este desapontamento e procurar um consultório onde se sentisse melhor. Conseguiu.

“Eu encarei esta situação como uma experiência”, vinca a médica, realçando que a vida solitária neste país a fortaleceu enquanto pessoa e lhe permitiu um “crescimento pessoal e profissional diferente”. “Sinto que estou mais destemida e desenrascada e isso é bom”, sublinha.

A nova família do Luxemburgo

A rede social e de amizades também está bem consolidada. “Sou uma pessoa muito comunicativa e não me posso queixar. Tive a sorte de encontrar muitos amigos aqui, o núcleo mais restrito são portugueses que como eu vieram para cá, mas também tenho amigos de várias nacionalidades. Apoiamo-nos muito uns aos outros”, conta com um sorriso largo. 

Esta mistura de nacionalidades no pequeno país é algo que a portuense aprecia. Também no consultório trabalha com colegas das mais variadas origens, “portugueses, romenos, espanhóis, árabes” entre outros. “Acho piada ao facto de trabalhar com pessoas de outras culturas, temos visões diferentes e isso para mim é uma boa aprendizagem”, realça.

Apesar de ter começado a aprender luxemburguês quando chegou, Raquel Moreno depressa percebeu que falar o idioma do Grão-Ducado não era fundamental: “Gostava de continuar a aprender o luxemburguês, mas a verdade é que no dia-a-dia não se fala assim tanto, falo muito em francês, inglês e português. Mas, continuo a ouvir a rádio luxemburguesa para não me esquecer do que aprendi na formação e um dia gostava de me dedicar mais ao idioma”.

A possibilidade de falar português todos os dias, no trabalho, entre amigos, nos restaurantes portugueses que gosta de frequentar ou mesmo quando vai às compras ao supermercado consola o coração desta portuguesa. “Sinto-me um pouco em casa, é como um sair para fora de Portugal sem o ser bem, na verdade só nos falta o sol, o mar e a família”, confessa a médica dentista que, nesta Páscoa, voou para Portugal para “a festa em família”. Aliás, quase todos os meses Raquel Moreno vai a Portugal ver a família e amigos, sentir esse aconchego que necessita para o seu “equilíbrio” pessoal. 

A médica dentista diz-se uma "pessoa comunicativa", um traço que a ajudou à sua integração neste novo país.
A médica dentista diz-se uma "pessoa comunicativa", um traço que a ajudou à sua integração neste novo país.
António Pires

Belas paisagens e melhores salários

Para a transmontana, é fácil enumerar as coisas boas do seu novo país. “O Luxemburgo é muito organizado, está em crescimento e tem uma natureza incrível. Sempre que está bom tempo, aproveitamos para apreciar todo o verde deste país. É pena não estar tantas vezes sol como em Portugal, porque as caminhadas pelas florestas são muito agradáveis”, elogia.

Também o fator salarial “compensa” e pesa na decisão de continuar no país. “Os salários são mais elevados, e conseguimos ser independentes mais rapidamente”, admite. A médica dentista admira ainda o facto do Luxemburgo ser um país “pensado e estruturado para os pais terem filhos”. “Além dos muitos apoios do Estado, há muitos parques, zonas verdes para crianças”, vinca.


O sorriso contagiante de Débora Gonçalves, 29 anos, quando descreve a sua vida no Grão-Ducado.
Débora. "Sinto-me muito feliz com a minha vida no Luxemburgo"
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Como médica dentista, Raquel Moreno elogia também a preocupação pela saúde oral da população: “Aqui os tratamentos básicos a nível dentário são, em parte, comparticipados pela segurança social, pelo que todas as pessoas podem beneficiar dos tratamentos básicos para a saúde oral, como tratamento de cáries ou destartarização”. Em Portugal há uma grande falha destes especialistas no serviço nacional de saúde e sem comparticipação no privado.

Nos próximos anos, Raquel Moreno tenciona continuar a viver neste país. “Considero-me uma pessoa feliz no Luxemburgo, tenho uma boa qualidade de vida, não me posso queixar. Não sei se vou ficar cá para sempre, mas por agora, faz todo o sentido continuar aqui”, conclui a portuguesa. 

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