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Quem é Ursula, mãe de sete filhos, aristocrata que pode substituir Juncker?
Luxemburgo 5 min. 15.07.2019

Quem é Ursula, mãe de sete filhos, aristocrata que pode substituir Juncker?

Quem é Ursula, mãe de sete filhos, aristocrata que pode substituir Juncker?

AFP
Luxemburgo 5 min. 15.07.2019

Quem é Ursula, mãe de sete filhos, aristocrata que pode substituir Juncker?

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
Se ganhar a eleição amanhã, esta médica de 60 anos, será a primeira mulher Presidente da Comissão Europeia.

A aprovação da alemã Ursula Von der Leyen, de 60 anos, para Presidente da Comissão Europeia está muito tremida. A ministra da Defesa de Angela Merkel vai a votos amanhã à tarde, dia 16 de julho, em Estrasburgo, e para ser eleita como substituta de Jean-Claude Juncker necessita da maioria absoluta dos votos do Parlamento Europeu, ou seja, de 374 votos. 

Só que segundo os especialistas não será nada fácil conseguir tal consenso. E esta política alemã só tem uma oportunidade, uma única votação, para ganhar. No final da semana passada, falava-se já em adiar a eleição ou para o dia seguinte, quarta-feira, dia 17, ou para setembro, Esta possibilidade foi confirmada pelo eurodeputado Paulo Rangel ao Expresso, de modo a impedir “uma reprovação” de Von der Leyen. "Não estranharia que pudesse haver um adiamento e que ele fosse saudável" para permitir uma plataforma "de entendimento com os vários grupos", declarou a este semanário. Mas também esta alteração não reúne os consensos de todos. 

Quem é esta política polémica no seu país, escolhida pelos  28 líderes dos Estados-membros da União Europeia, para acabar com uma cimeira interminável de escolha de candidatos para suceder a Juncker e que não colhe a simpatia de todas e em todas as famílias políticas do Parlamento Europeu (PE) ? Se for eleita pelo PE será a primeira mulher a ocupar este cargo.

AFP

Ursula Von der Leyen tem 60 anos, sete filhos, médica, aristocrata e casada com um colega e herdeiro das melhores famílias aristocratas alemãs. Na política, Ursula Von der Leyen já foi quase tão poderosa quanto Merkel, e é uma das governantes mais controversas da Alemanha.

Na Alemanha todos a conhecem, nos últimos tempos não pelas melhores razões. Para a grande maioria da população dos países dos estados membros da Comunidade Europeia esta política alemã, nascida e crescida em Bruxelas, surgiu ontem como a grande surpresa das negociações para o candidato à substituição do luxemburguês Jean-Claude Juncker.

Loira, bem-parecida, de porte altivo, Ursula Von der Leyen possui fortes convicções religiosas, conservadora, de direita como o seu partido, CDU, e no seu país foi grande defensora das políticas da família, ou não fosse ela mãe de sete filhos.

Para a história fica uma das suas guerras a favor das políticas de natalidade e de família quando Ursula Von der Leyen era ministra precisamente da Família do primeiro governo de Merkel, em 2005. Decidiu implementar um subsídio público, de 180 euros, por filho e por mês, para as famílias. Teve muitos opositores, mesmo dentro do seu partido e, de fora, da Igreja alemã, entre eles um ex-bispo alemão, Walter Mixa – que mais tarde, em 2010, foi acusado de abusos sexuais e renunciou – que a acusava de querer tornar as mulheres “máquinas de parir”. A ministra respondeu-lhe que “sem crianças não há futuro”. Mais tarde, Ursula Von der Leyen implementou uma rede nacional de creches e defendeu condições para as mães que vivem sozinhas.

Nessa altura, na Alemanha, havia quem a considerasse quase tão poderosa como Merkel, a chanceler que aceitava as suas medidas e a independência que a ministra teimava em ter. Depois de ministra da Família, Mulheres e Juventude (2005 a 2009), passou a ocupar a pasta do Trabalho e Assuntos Sociais (2009-20013). Desde então ocupa o cargo de ministra de Defesa, onde a sua popularidade se esfumaçou. Recentemente, e segundo os resultados de uma sondagem do jornal Bild, Ursula é considerada como a ministra menos competente do governo, a par com outro colega.

Ela que até há pouco era tida como a substituta natural de Angela Merkel à frente da União Democrata Cristão (CDU). É ainda com estas polémicas acesas que chega à Comissão Europeia, como a melhor proposta para a presidência. Ela que domina tão bem o francês e o inglês como o alemão, é apoiada pelo primeiro-ministro francês, Emmanuel Macron, pela cooperação nos assuntos franco-alemães, a ser escolhida para a presidência da CE.

Nascida no coração da Comissão Europeia

Esta alemã, nascida em Bruxelas, em 1958, só entrou na vida política aos 40 anos, embora a retórica e as negociações lhe estejam no sangue. Mais, até conhece bem os meandros da Comissão Europeia, pois o seu pai, Ernst Albrecht, foi um dos dirigentes da CDU recrutado para ser um dos primeiros membros da recém-criada Comissão Europeia, em janeiro de 1958. O pai de Ursula terá ajudado na elaboração do Tratado de Roma, o tratado constitutivo da comunidade económica europeia, o berço da comunidade europeia.

Por isso, Ursula Von der Leyen nasceu e cresceu nesta cidade belga, até aos 13 anos de idade, quando regressou à Alemanha com a família. Depois do liceu, foi para Londres estudar Economia, mas desistiu e voltou para a Alemanha para seguir Medicina, na Universidade de Hannover. Foi ali que começou a namorar com aquele que viria a ser o seu marido e pai dos seus sete filhos. Heiko Von der Leyen, aristocrata de uma das famílias mais antigas da Alemanha. Também a ministra da Defesa da Alemanha pertence à aristocracia, pois descende de um comerciante de algodão que se tornou um dos mais ricos homens do país e a quem foi atribuído o título de barão.

Kay Nietfeld/dpa

O casal chegou a viver na Califórnia, EUA, onde o marido de Ursula foi convidado a dar aulas na Universidade de Stanford, já tinham os primeiros filhos. Antes, esta governante alemã que se especializou em ginecologia trabalhava numa clínica e tinha terminado o seu doutoramento em Medicina, pela Universidade de Hannover.

Também este estudo foi um dos motivos de escândalo, em 2015, quando a médica aristocrata foi acusada de plágio. A acusação foi feita pelo site Vroniplag, especializado na deteção de fraude académica.

Nos EUA, entre 1992 e 1996, Ursula dedicou-se só a cuidar dos filhos, ao mesmo tempo que o casal ia aumentando a prole.

De regresso a Alemanha voltou-se então para a política, começando no Parlamento da Baixa Saxónia. Em 2003 era responsável pelos assuntos sociais do governo regional. Foi então que Angela Merkel a convidou para ser ministra da Família, em 2005. Agora poderá vir a ser a líder da Comissão Europeia. Mas para tal só tem o dia de hoje para convencer o Parlamento Europeu. Ou conseguir que a votação seja adiada. 

 

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