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Quando os invisíveis se tornam visíveis
Editorial Luxemburgo 3 min. 08.07.2020

Quando os invisíveis se tornam visíveis

Quando os invisíveis se tornam visíveis

Florin Balaban
Editorial Luxemburgo 3 min. 08.07.2020

Quando os invisíveis se tornam visíveis

Nuno RAMOS DE ALMEIDA
Nuno RAMOS DE ALMEIDA
É verdade que o covid-19 não discrimina nacionalidades no seu contágio, mas é natural que a população de cultura lusófona, grande parte dela trabalhando em profissões fundamentais que não podem ser feitas no teletrabalho pague um preço elevado nesta pandemia.

Na sequência do aumento de contágios pelo coronavírus, o Governo do Luxemburgo convocou uma conferência de imprensa especificamente para a população lusófona que vive e trabalha no Grão-Ducado.

As autoridades estão preocupadas com a disseminação da doença em toda a população, incluindo os imigrantes mais recentes que têm dificuldade de dominar as línguas do país.

A identificação de práticas de risco não pode significar a estigmatização das pessoas. A ministra da Saúde, Paulette Lenert, teve o cuidado de passar essa mensagem, ao mesmo tempo que pretende que o conjunto das pessoas que aqui vivem e trabalham saibam que a doença não foi extinta e que são precisos cuidados continuados para lidar com o vírus.

É verdade que o covid-19 não discrimina nacionalidades no seu contágio, mas é natural que a população de cultura lusófona, grande parte dela trabalhando em profissões fundamentais que não podem ser feitas no teletrabalho pague um preço elevado nesta pandemia.

Costuma-se dizer que nesta crise sanitária estamos todos no mesmo barco, o que não é totalmente verdade: aqueles que trabalham todos os dias nas empresas, os que o fazem em condições mais duras, os que são obrigados a usar os transportes públicos e que vivem com condições de habitação piores, podem estar no mesmo barco, desta crise, mas estão muito mais perto da água e correm mais riscos em relação à doença.

Os residentes lusófonos e com a família originária dos países da língua portuguesa são uma fatia importante da população, é positivo que sejam contemplados na estratégia de comunicação governamental, para combater a disseminação da covid-19. Mas é preciso dizer que o combate à pandemia não é apenas uma questão de comunicação. É preciso alertar as pessoas que o desconfinamento não significa o regresso à normalidade, sendo necessário manter práticas sanitárias que preservem o distanciamento social, o uso de máscaras e a lavagem regular de mãos; mas é preciso também fazer uma aposta em melhores condições de trabalho e de transportes; e conseguir apostar em práticas e formas de convívio que sejam possíveis nestes novos tempos.

A crise sanitária vai durar bastante tempo, é impossível exigir aos jovens e demais pessoas que deixem totalmente de conviver. O que implica arranjar formas que possam ser compatíveis com os cuidados de saúde.

Finalmente, a crise não se esgota na doença, o colapso económico e o aumento do desemprego avança. Todas as crises são máquinas de agravar as desigualdades sociais. Na crise financeira começada em 2008, os pobres ficaram mais depauperados e os ricos conseguiram enriquecer ainda mais. Não podemos permitir que isso se repita nesta crise pandémica.

No Grão-Ducado o desemprego está a crescer acima da média europeia. Como em anteriores crises, os trabalhadores transfronteiriços serão as primeiras vítimas. Ironia amarga, quando quase dois terços do pessoal de saúde que combate a doença são transfronteiriços. É de elementar justiça, numa sociedade democrática, lutar para manter o emprego de todos.

Não é possível aceitar que cerca de 26% dos jovens do Luxemburgo estejam no desemprego.

Nesta crise do coronavírus a doença combate-se também conseguindo uma maior igualdade social. Só com uma sociedade mais justa e com melhores condições de saúde para todos será possível vencer a doença.

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