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Quando o dinheiro não estica até ao final do mês
Editorial Luxemburgo 3 min. 21.10.2020

Quando o dinheiro não estica até ao final do mês

Quando o dinheiro não estica até ao final do mês

Editorial Luxemburgo 3 min. 21.10.2020

Quando o dinheiro não estica até ao final do mês

Madalena QUEIRÓS
Madalena QUEIRÓS
Um relato arrepiante dos efeitos que a pandemia está a ter no dia a dia dos portugueses no Luxemburgo é o destaque desta semana da edição do Contacto.

Era o segundo cartão que tentava passar no terminal de pagamento, sem sucesso. Na caixa do supermercado, uma fila de pessoas espumavam de impaciência. Envergonhada, disse à senhora da caixa que ia levantar dinheiro e já voltava. Antes de deixar o supermercado, cabisbaixa, ainda lançou um olhar desesperado para as coisas que se amontoavam no carrinho. Não voltou, pelo menos enquanto eu estive na fila a aguardar a minha vez de pagar. O caso aconteceu num supermercado do Luxemburgo, esta semana, mas poderia passar-se em qualquer outro estabelecimento comercial do país.

No segundo país mais rico do mundo, estima-se que uma em cada quatro pessoas tenha dificuldade em fazer chegar o dinheiro até ao final do mês. As conclusões do estudo do Statec, organismo de estatísticas do Luxemburgo, que publicamos esta semana revelam que 24,3% das pessoas tiveram dificuldade em fazer face às despesas, no ano passado. Mas o cenário revelado no trabalho da jornalista Teresa Camarão é bem mais grave. O Statec estima que em 2019 o número de pessoas no limiar da pobreza tenha sido de 17,6%, ganhando cerca de 1.804 euros por mês, menos que o salário mínimo. O relatório revela, ainda, que do total dos residentes do Luxemburgo, em perigo de viver abaixo do limiar da pobreza, 30% são portugueses. Os portugueses são a nacionalidade estrangeira residente no Luxemburgo mais exposta à pobreza e “em maior risco de se tornar pobre”.


Portugueses estão a passar fome no Luxemburgo
A pandemia trouxe o desemprego e o desespero de não ter dinheiro para alimentar os filhos. Nunca houve tantos casos, entre eles famílias que sempre “viveram decentemente” no país. O testemunho de quem teve de regressar a Portugal e o relato de quem está no terreno a ajudar estes imigrantes.

Uma situação que piora no caso de perda de trabalho, o que é cada vez mais recorrente com a crise da pandemia. Ficar pelo Luxemburgo pode não ser a melhor solução. “Aconselho os imigrantes que estão em situação frágil, sem emprego e a viver de ajudas a ponderar regressar para Portugal” é o apelo deixado pelo embaixador português no Luxemburgo, António Gamito em entrevista ao Contacto.

A pandemia deixou muitos portugueses sem emprego e sem condições de viver no país. Muitos tinham um vínculo precário, o que não lhes permite ter acesso ao subsídio de desemprego. Sem acesso a apoios sociais, o apelo de António Gamito é que regressem a Portugal onde terão mais apoios sociais e familiares.

A reportagem que publicamos esta semana é arrepiante. A jornalista Paula Santos Ferreira foi descobrir que os pedidos de ajuda de portugueses aos organismos de apoio social, como a Caritas, estão a crescer exponencialmente nos últimos meses. “Nunca vi tantos portugueses a passar fome e em situações tão difíceis aqui no Luxemburgo como nos últimos meses, devido à pandemia”, revela José Trindade, o fundador e presidente do Centro de Apoio Social e Associativo (C.A.S.A.). Um alerta confirmado por Marcus Hoffmann da Cáritas Luxemburgo que realça que cerca de um em cada cinco pedidos de ajuda para a linha Corona Helpline é feito por portugueses.

Ilustração: Florin Balaban

A pandemia está a regressar em força

Com a pandemia a voltar em força ao continenente europeu, multiplicam-se os anúncio de medidas restritivas nos países vizinhos. Nesta edição do Contacto acompanhámos o congresso do CSV, o maior partido de oposição que ataca o Governo de Xavier Bettel por não ter anunciado novas medidas no fim de semana passado. Em entrevista ao Contacto, o líder do CSV diz que a hora é de esquecer divergências, cerrar fileiras e construir propostas alternativas para regressarem ao poder nas eleições de 2023.

Nas nossas páginas pode ainda ler um trabalho da jornalista Ana Tomás que faz um ponto de situação da covid-19 em Portugal. No desporto, o jornalista Álvaro Cruz faz o relato do admirável percurso do ciclista português João Almeida que com, apenas, 22 anos continua a brilhar na Volta a Itália. 

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