PSD e CSV em “encontro de família” com candidatos portugueses

A menos de um mês das eleições municipais em Portugal e no Luxemburgo, o líder da bancada parlamentar dos cristãos-sociais, Claude Wiseler, e o deputado social-democrata Carlos Gonçalves, reuniram-se com candidatos de origem portuguesa nas listas do CSV.

Claude Wiseler e Carlos Gonçalves
Claude Wiseler e Carlos Gonçalves
Foto: Laurent Blum

O CSV tem cerca de 50 candidatos de origem portuguesa nas autarquias com representação proporcional – as únicas que contam com listas partidárias, nos municípios com mais de três mil habitantes –, mas só meia dúzia compareceu à chamada. Na segunda-feira, o líder da bancada parlamentar do CSV, Claude Wiseler, e o deputado Carlos Gonçalves, eleito nas listas do PSD pelo círculo da Europa, estiveram reunidos com um grupo de candidatos e simpatizantes portugueses dos cristãos-sociais.

Com duas dezenas de pessoas, incluindo vários estreantes na política, o encontro teve o ambiente ’bon enfant’ das reuniões de família, com alguma da atrapalhação das primeiras vezes – incluindo risos com o vídeo que recusava arrancar (uma mensagem de Custódio Portásio, presidente da secção do PSD no Luxemburgo, gravada em Palmela, onde participou num jantar de campanha com Pedro Passos Coelho).

A reunião serviu para discutir a participação política dos portugueses, a menos de um mês de eleições municipais nos dois países (a 1 de outubro em Portugal e a 8 no Luxemburgo), mas também para afinar táticas e ouvir conselhos da liderança.

A ideia de um encontro entre os dois partidos tinha sido lançada em março, quando Pedro Passos Coelho participou no congresso nacional do CSV, o partido-irmão do PSD. Os dois integram o Partido Popular Europeu (PPE), e Claude Wiseler – casado com a conselheira municipal Isabel-Wiseler Lima, filha de portugueses – orgulha-se de ter contribuído para a entrada do PSD na família europeia. “Ajudámos o PSD a entrar no partido europeu, quando Marcelo Rebelo de Sousa, o atual Presidente da República, era o líder do partido”, recordou Wiseler, que era secretário-geral do CSV quando o antigo professor de Direito Constitucional assumiu a presidência do PSD, em 1996.

Dessa época data também o primeiro acordo assinado entre os dois partidos. “Os militantes do PSD são automaticamente, se assim o desejarem, membros do CSV”, explicou Claude Wiseler. Uma forma de “dizer aos portugueses que vivem aqui que no xadrez político do Luxemburgo há uma correspondência entre o CSV e o PSD, e que tínhamos um grande partido-irmão em Portugal”, explicou o o candidato a primeiro-ministro dos cristãos-sociais nas legislativas de 2018.

Apesar da longa história de amizade entre os dois partidos, nem todos os imigrantes portugueses sabem que PSD, em luxemburguês, se traduz por CSV. “Para os portugueses que chegaram há pouco tempo, não é fácil decifrar o xadrez político no Luxemburgo. Foi também por isso que quisemos que Passos Coelho viesse ao nosso congresso”, disse Claude Wiseler.

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Ir ao encontro dos portugueses

A fraca participação política dos estrangeiros foi um dos temas do encontro, num ano em que a campanha de recenseamento produziu poucos frutos. Para votar nas próximas eleições municipais no Luxemburgo só estão inscritos 13 mil portugueses (mais 872 do que no último escrutínio). “Ficámos todos um pouco desiludidos com o número de portugueses inscritos [para votar], mas com a enorme quantidade de naturalizações, há ainda assim um número de pessoas lusófonas bastante superior nos cadernos eleitorais”, considerou Claude Wiseler.

Mas apesar de os portugueses terem pouco peso eleitoral no Luxemburgo, podem ajudar a decidir eleições, defendeu Carlos Gonçalves. O deputado eleito pelo círculo da Europa, que vive em França, ilustrou com um episódio. “Há dez ou 15 anos, numas legislativas em França – que tem círculos uninominais –, um candidato da minha área política pediu para organizar um encontro com a comunidade portuguesa”. Dificuldades de agenda e uma partida de futebol em simultâneo fizeram com que o encontro tivesse poucos participantes. “Estavam apenas duzentas pessoas, das quais só cerca de 40 teriam nacionalidade francesa e poderiam votar”, recorda Carlos Gonçalves. O candidato francês acabaria por ganhar as eleições por apenas 15 votos, e o deputado português brincou: “Estás a ver que valeu a pena ir comer sardinhas com os portugueses?”.

Ir ao encontro dos portugueses foi também o conselho de Claude Wiseler aos candidatos luso-descendentes do CSV para esta campanha. “Organizem encontros nos locais onde há portugueses, como os cafés”. E deu o exemplo de dois debates com portugueses em que ele próprio participou, durante a pré-campanha, em junho, em Grevenmacher e Echternach. “Em Grevenmacher foi num café, e correu muito melhor – oh, lá, lá, ali havia paixão!”.

Carlos Gonçalves aproveitou o encontro para apelar à participação política dos portugueses. “É claro que ficaria satisfeito que votassem no partido CSV, mas o importante é que participem”, disse. “É fundamental participar e que a nossa comunidade não fique em casa no dia da votação, e sobretudo que não esperem pelo fim da campanha eleitoral para questionar os candidatos sobre as questões importantes para a comunidade portuguesa, como o alojamento ou a educação”.

Um apelo nem sempre fácil de concretizar, apontou um dos participantes. “Às vezes há reuniões no centro cívico, mas é tudo em luxemburguês”, queixou-se um simpatizante do PSD. Para Claude Wiseler, a solução é ter interpretação simultânea ou organizar encontros “noutras línguas” para diferentes comunidades. “É isto o Luxemburgo”.

Nas últimas eleições locais, num total de 3.319 candidatos, só 69 tinham nacionalidade portuguesa. Destes, só foram eleitos três, segundo o Centro de Estudo e Formação Intercultural e Social (CEFIS).

Paula Telo Alves

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