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Procuradoria revela conclusões sobre a autópsia do cidadão búlgaro afogado em Remerschen

Procuradoria revela conclusões sobre a autópsia do cidadão búlgaro afogado em Remerschen

Foto: Chris Karaba
Luxemburgo 4 min. 23.08.2018

Procuradoria revela conclusões sobre a autópsia do cidadão búlgaro afogado em Remerschen

Henrique DE BURGO
Henrique DE BURGO
A autópsia ao corpo do cidadão búlgaro, que morreu afogado no lago de Remerschen a 29 de julho, revela, segundo a procuradoria luxemburguesa, que não houve responsabilidades de terceiros no afogamento.

"Esta autópsia [do cidadão búlgaro] não revelou o envolvimento de uma terceira pessoa", disse esta quinta-feira ao Contacto o porta-voz da Procuradoria de Estado (Parquet), Henri Eippers, sem adiantar mais detalhes. A expressão em "juridiquês" significa que a investigação não encontrou dados que apontem para a responsabilidade de terceiros na morte do cidadão búlgaro.

"Se as famílias em questão quiserem comunicar à imprensa os detalhes que estão no relatório da autópsia, estão no seu direito", acrescenta, lembrando que para isso "têm a possibilidade de obter acesso ao arquivo e solicitar cópias das atas e dos relatórios".

Tratamento diferente teve o caso do rapper Puto G, que morreu a 30 de junho, também no lago de Remerschen, caso em que não foi pedida autópsia.

Na altura, a também porta-voz do Parquet Diane Klein garantiu ao Contacto que o juiz que tinha o caso terá dispensado a realização da autópsia a Puto G porque a morte foi um "acidente".

"Depois do que a polícia constatou no local, a Procuradoria concluiu que não houve indícios contrários a uma tese de acidente. Foi por isso que a Procuradoria não pediu uma autópsia. Esta manhã [5 de julho] falei com o juiz que se ocupou do caso e ele disse-me que não surgiram outros elementos depois daqueles do fim de semana. A tese de acidente continua a vigorar", disse na altura ao Contacto Diane Klein. Conclusões rapidamente tiradas sem terem sido ouvidas todas as testemunhas que presenciaram as circunstâncias do afogamento, incluindo os amigos de Puto G. 

O único procedimento das autoridades foi o levantamento de amostras de sangue ao corpo do músico, que foi transportado três dias depois para Portugal (3 de julho) e enterrado dois dias depois (dia 5). "Sim, houve [análises ao sangue], mas os resultados não serão divulgados em praça pública", confirmou na altura Diane Klein.

O secretismo à volta do caso de Puto G continua, ao contrário dos dois casos de afogamento ocorridos um mês depois. Depois da morte do cidadão búlgaro, de 53 anos (a 29 de julho), as autoridades abriram uma investigação e ordenaram uma autópsia.

Quanto à criança de seis anos que se afogou na piscina de Grevenmacher, na sexta-feira dia 27 de julho, e que morreu na terça-feira seguinte (31 de julho), a Justiça foi também célere em ordenar uma autópsia "para determinar as causas exatas da morte". O resultado foi também divulgado esta quinta-feira pela procuradoria e descarta o envolvimento de terceiros.

A procuradoria continua sem explicar cabalmente a diferença de tratamento entre estes dois últimos casos e o de Puto G. Para já, e depois da grande investigação publicada pelo Contacto a 16 de agosto, que dá também conta de que os responsáveis do lago só ligaram para o 112 quase uma hora depois do alerta dos amigos de Puto G, a procuradoria afirma que alegadamente a investigação não sofreu uma reviravolta depois da publicação das reportagens do Contacto.

"O caso nunca foi encerrado, a investigação está em curso e a polícia vai continuar a proceder às audições [de testemunhas]", reconfirmou na quinta-feira ao Contacto o porta-voz Henri Eippers, depois de a agência Lusa ter publicado esta quarta-feira um novo artigo que reafirma o que Parquet alegadamente dizia na sexta-feira  17 de agosto: "o processo não existe" por a investigação ter já concluído que a morte do músico foi "um acidente".

O certo é que sem o mesmo tratamento (sem autópsia) a Procuradoria de Estado não pode concluir, por exemplo, se o Puto G morreu em consequência de ter ficado apanhado pelas algas, que foram deixadas crescer naquele lugar.

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