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Presidenciais: Quais são os votos dos brasileiros no Luxemburgo?
Luxemburgo 6 min. 26.09.2018 Do nosso arquivo online

Presidenciais: Quais são os votos dos brasileiros no Luxemburgo?

Presidenciais: Quais são os votos dos brasileiros no Luxemburgo?

Sibila Lind
Luxemburgo 6 min. 26.09.2018 Do nosso arquivo online

Presidenciais: Quais são os votos dos brasileiros no Luxemburgo?

Sibila LIND
Sibila LIND
Pela primeira vez, os brasileiros que residem no Luxemburgo vão poder votar sem sair do país. Recolhemos alguns testemunhos, de quem se prepara para votar à distância.

Pela primeira vez, os brasileiros que residem no Luxemburgo vão poder votar sem sair do país. A novidade deve-se a André Bezerril, Cônsul Honorário do Brasil, que, em Abril deste ano, em conjunto com o Consulado Geral do Brasil em Bruxelas, criou o primeiro posto eleitoral no Luxemburgo. “Os brasileiros já não precisam de se deslocar até Bruxelas para cumprir o seu voto eleitoral”, diz Bezerril. “É muito importante para nós porque vai reduzir o nível de abstenção e aumentar o número de votos”. No dia 7 de outubro, quem transferiu o seu título de voto para o Luxemburgo, pode dirigir-se ao espaço cedido pela igreja Addlux, em Bonnevoie, e votar na primeira volta das eleições. O voto no Brasil é obrigatório e, por isso, quem não for votar tem de justificar a abstenção, caso contrário é obrigado a pagar uma multa simbólica. A menos de um mês da primeira volta das presidenciais, falámos com alguns brasileiros que residem no Luxemburgo, e que se preparam agora para votar à distância.

Lourdinha Novo, 57 anos (Residente no Luxemburgo  20 anos)

Vou votar no candidato João Amoêdo por duas razões: Ele tem aquilo a que chamamos no Brasil de uma “ficha limpa”, ou seja, não tem condenações na justiça, e, para além disso, faz parte de um partido que foi criado para lutar contra a corrupção, e cujos princípios me agradam. O Partido novos propôs-se formar e orientar os cidadãos comuns, sem experiência política, mas que tenham vontade de ajudar o país e capacidade para o cargo ao qual se propõem. Ser político devia ser uma vocação e não uma fonte fácil de rendimento.

Maria Binas da Silva Carvalhido, 50 anos (Residente no Luxemburgo há 14 anos)

Se o Lula da Silva não estivesse a ser investigado, votaria nele. Foi uma pessoa que fez muito pelos pobres e tirou o brasil da ruína. Muitos jovens têm a oportunidade de estudar na faculdade hoje em dia graças ao governo dele.

Alexandre Weimar, 41 anos (Residente no Luxemburgo há dois anos e oito meses)

Vou votar no Ciro Gomes do PDT por ser um candidato que tem uma vida pública limpa e possui um discurso alinhado ao longo da sua carreira política. Ciro acredita em pontos importantes como a liberdade, a participação do Estado como agente regulador nas questões estratégicas do Brasil e tem um pensamento voltado para a redução da desigualdade social. Tudo isso associado à responsabilidade económica e à educação como pilares para o desenvolvimento da nação. Além disso ele representa uma mudança no status quo, ou seja, oferece uma via alternativa às grandes forças que governam o país há anos, como o PT, MDB e o PSDB.

Adrianni Nunes, 45 anos (Residente no Luxemburgo há 16 anos)

O meu voto vai para o candidato Haddad. O Brasil andou para trás com a saída do Lula e da Dilma. Hoje em dia, os pobres não têm valor e votar no Bolsonaro é o mesmo que dar um tiro no pé.

Flavia Triers, 40 anos (Residente no Luxemburgo há 18 anos)

Um país tão rico, nas mãos de políticos corruptos há vários anos que deixou um legado de dívidas e caos, com índice de mortalidade altíssimo. Ter uma “ficha limpa” tornou-se essencial para eleger um salvador da pátria - que sofre e chora e necessita de uma rápida limpeza -, um cidadão de bem que paga os seus impostos e que não defende os bandidos. Por isso e por muito mais, o deputado Jair Messias Bolsonaro é o candidato. Tem ficha limpa, está fora das investigações, e é um candidato que defende o cidadão, as crianças, a família, os polícias e os não bandidos. A nação brasileira inteira clama por um país onde se possa ter o direito de sobrevivência.

Nano Ribeiro, 47 anos (Residente no Luxemburgo há dez meses)

O meu voto vai para o Ciro Gomes, pois acho que, nesta eleição, é o candidato com mais capacidade para colocar o país no eixo depois do golpe. Jamais votaria no retrocesso, no atraso, ou seja, no Bolsonaro. É a pior coisa que já aconteceu na democracia do Brasil. Ele aproveita-se da insatisfação da população, do “anti-petismo” e do “anti-esquerdismo” que a imprensa tanto "vendeu" estes anos todos para ganhar espaço. E, dessa forma, ele acaba por atacar todas as minorias. É machista, homofóbico e defende um dos piores torturadores da história do Brasil. No segundo turno das eleições, se ele passar, voto em quem estiver contra ele, seja o Ciro ou o Haddad.

Alberto Albanês, 45 anos (Residente no Luxemburgo há três anos)

O meu voto é contra o governo fracassado da Esquerda que levou o Brasil ao buraco, literalmente, através de mentiras e corrupção, que geraram falsas expectativas aos mais necessitados que ainda hoje acreditam numa oportunidade real de trabalho. A esquerda distribuiu a pobreza e dividiu a riqueza entre os grandes que estão no topo da pirâmide. Felizmente, alguns já foram presos, como o ex-Presidente. O meu voto vai para Jair Bolsonaro, pela segurança, família, educação, saúde e contra a corrupção.

Luciana Abreu, 40 anos (Residente no Luxemburgo há quatro meses)

Não voto no Bolsonaro porque ele não tem qualquer capacidade técnica, nem um plano de governo concreto para o Brasil. Apesar de estar há 27 anos na política, ele não aprovou nenhum projeto de lei e não teve nenhuma experiência no Executivo. Além disso, o candidato mostra um total desrespeito para com as mulheres, negros e a comunidade LGBT ao proferir discursos inflamáveis de repulsa e fazer disso mote principal de sua campanha, para “moralizar" o Brasil, como se isso fosse o maior problema que o país enfrenta. O meu voto vai para o Ciro Gomes. Ele está mais preparado tecnicamente e tem experiência como Perfeito, Governador e Ministro da Fazenda. E, para além disso, tem “ficha limpa”.

Henrique Dominguez, 49 anos (Residente no Luxemburgo há dez anos)

Vivo e trabalho fora do Brasil há 18 anos, mas um dia gostava de voltar. O Brasil está numa UTI e precisa recuperar os seus valores, o respeito absoluto pelos professores e o fortalecimento da família, como estrutura básica da sociedade. Sou a favor da redução da maioridade penal e contra a erotização infantil nas escolas. Não quero o meu país governado por alguém que está dentro da prisão, por um criminoso condenado por unanimidade em segunda instância, e, por um partido que institucionalizou a corrupção no Brasil. O meu voto vai para Jair Bolsonaro.

Nuria Corominas de Castro, 51 anos (Residente no Luxemburgo há oito anos)

O meu candidato é o Ciro Gomes, do PDT. O Ciro promete revogar a reforma trabalhista do governo Temer e quer manter e ampliar programas sociais (incluindo o Bolsa Família). Os problemas do Brasil são muitos e são grandes. Precisamos de alguém que esteja do lado do povo e que queira combater as desigualdades.

Sibila Lind


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