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Povo na rua pelo direito à habitação acessível e decente.
Opinião Luxemburgo 2 min. 27.03.2021

Povo na rua pelo direito à habitação acessível e decente.

Povo na rua pelo direito à habitação acessível e decente.

Opinião Luxemburgo 2 min. 27.03.2021

Povo na rua pelo direito à habitação acessível e decente.

Jessica LOPES
Jessica LOPES
Em menos de um ano, num Luxemburgo com uma tradição pouco reivindicativa, no meio da pandemia, as manifestações têm saído às ruas. A crónica semanal de opinião de Jessica Lopes.

Hoje acordei com pica. Sim, estou com esperança, estou contente, entusiasmada. Hoje, mais uma vez, vamos trazer às ruas o nosso descontentamento com as políticas de habitação.

Sim, eu sei, não é um motivo de celebração, pois se voltamos à rua é porque nada, ou quase nada foi feito desde a última vez em Outubro, mas quero focar-me nos pontos positivos: a sociedade civil está a mexer-se.

Em menos de um ano, num Luxemburgo com uma tradição pouco reivindicativa, no meio da pandemia, as manifestações têm saído às ruas.

Para exigir políticas de habitação justas, para relembrar que as vidas negras importam ou para comemorar as lutas feministas no 8 de março, houve boa mobilização e coligações importantes. E este ano, finalmente e depois de terem suspendido a tradição durante uns anos, os sindicatos apelam a uma marcha de protesto no dia 1 de maio. O dia do trabalhador será finalmente marcado pela luta na rua e não uma “festa do trabalhador” com comida, bebida e discursos de e para sindicalistas.

Não estou otimista com o futuro. Acredito que vai ser difícil, que ainda só percebemos parcialmente o impacto social, económico e psicológico da pandemia, mas sinto conforto em ver pessoas a organizarem-se e gritarem as suas reivindicações. Não pelo aspecto romântico das lutas de rua, mas pela absoluta necessidade da classe trabalhadora ter uma voz, especialmente num país como o Luxemburgo onde grande parte dela está completamente excluída de todas as outras formas de participação política.

As maiores vítimas da loucura dos preços da habitação são logicamente quem menos ganha. Quem trabalha nos setores mais precários: as limpezas, o comércio, a hotelaria e a restauração, a construção civil, mas não só. Os jovens, as minorias étnicas, as famílias mono parentais, as pessoas com deficiência, os mais precários e mais vulnerabilizados.

Na generalidade são os que não se podem expressar através do voto nas eleições nacionais. Mas o direito de voto é um outro debate e depois da decepção do referendo de 2015, não me parece que seja algo que irá acontecer em breve. Mais uma razão pela qual sinto tanto entusiasmo com mobilizações de rua. Também porque, afinal, esta será uma forma tão legítima de fazer ouvir a nossa voz. Uma forma com a qual se identificam cada vez mais pessoas e que permite a participação de todos e especialmente dos que são realmente afetados pelas desigualdades que existem no Grão-Ducado.

Vamos hoje marchar juntos, todos: migrantes, transfronteiriços, residentes luxemburgueses. Todos em pé de igualdade enfretando juntos o mesmo problema: a inação de um governo que está claramente a favorecer o lucro em detrimento das pessoas.

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