Português vai ao parlamento defender bónus para trabalhadores da saúde
Português vai ao parlamento defender bónus para trabalhadores da saúde
José Castro é o autor da petição 1535 que pede um bónus para todos os trabalhadores da saúde pelo “trabalho exemplar e dedicação” durante a pandemia do novo coronavírus. Em três semanas, esta petição conseguiu as 4500 assinaturas necessárias para ir a debate no parlamento luxemburguês com a presença do português e dos ministros das respetivas tutelas, discussão que irá decorrer após o encerramento das assinaturas a 26 de maio.
José de Castro confessa ao Contacto ter ficado “muito feliz” pela sua petição ter ultrapassado as 4500 assinaturas, já vai nas 4688, e elas chegam de várias nacionalidades, incluindo a luxemburguesa. “Isto significa que as pessoas concordam comigo, sejam imigrantes ou luxemburguesas”, diz.
O português de 31 anos já está a recolher informação e a preparar o dossier para a defesa no parlamento da sua proposta, para que “o bónus único, livre de impostos e de cotização social, a dar a todos estes trabalhadores da saúde, seja aprovado e possa vir a tornar-se uma realidade, porque eles merecem”, como defendeu ao Contacto.
“O meu desejo é que esse bónus seja a soma de um pagamento extra de 15 euros a 20 euros, por cada hora, que estes trabalhadores trabalharam durante o estado de emergência, decretado pelo primeiro-ministro, iniciado a 18 março e vigora até junho”, explica este português. Caberá ao estado decidir como será feito o pagamento.
"Bater palmas só não chega"
Todos os dias às 20h00 José Castro vai à janela bater palmas, juntando-se a todo o país, num momento de homenagem aos profissionais de saúde que se tornaram os heróis desta pandemia. “Os incansáveis soldados da linha da frente na batalha contra o novo coronavírus que têm salvo milhares de vida e nunca esquecem os afetos”, diz este português nascido no Luxemburgo. Mas, para José Castro estes heróis são todos os que trabalham no setor da saúde, “desde médicos aos empregados de limpeza, cozinheiros ou ajudantes de enfermeiros, todos os que trabalham em serviços ou para serviços de doentes covid-19”.
“Todos eles merecem mais do que as palmas da população”, diz. Por isso, decidiu lançar a petição 1535 “Um bónus único para todo o pessoal dos hospitais, clínicas, centros médicos e lares pelo seu excecional empenho nesta época de crise contra o covid-19” (clique aqui para ver).
Como justificou, durante a crise estes trabalhadores “nunca se recusaram a trabalhar, abdicaram dos dias de folga, das licenças, nem reclamaram quando lhes disseram que teriam de passar a trabalhar 60 horas por semana, o que afinal felizmente não foi necessário”.
Alguns transfronteiriços “aceitaram o convite do governo e mudaram-se para um hotel aqui no Luxemburgo, deixaram de ver a família durante muito tempo, como outros também fizeram por medo de serem infetados ou infetar a família”, argumenta José de castro.
Enquanto grande parte da população ficou em confinamento, estes trabalhadores continuam nas suas rotinas, “acrescidas pelo risco da infeção do vírus e a fazer um trabalho louvável”.
Este português que tem amigos neste setor confirma que os “receios de ser infetado destes profissionais são reais” mas “são colocados em segundo plano porque primeiro estão os doentes, a quem tratam e dão força e esperança. Todos eles confortam os pacientes”.
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