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Português envolvido no 'Luanda Leaks' foi interrogado no Luxemburgo
Luxemburgo 2 min. 23.01.2020 Do nosso arquivo online

Português envolvido no 'Luanda Leaks' foi interrogado no Luxemburgo

Luanda

Português envolvido no 'Luanda Leaks' foi interrogado no Luxemburgo

Luanda
Foto: Arquivo LW
Luxemburgo 2 min. 23.01.2020 Do nosso arquivo online

Português envolvido no 'Luanda Leaks' foi interrogado no Luxemburgo

Henrique DE BURGO
Henrique DE BURGO
Taveira Pinto antecipou-se ao mandado de captura internacional e fugiu para Angola. No Luxemburgo, está associado a transferências bancárias de 41 milhões de euros, através do então Banco Dexia, que mudaria o nome para BIL, em 2012.

O empresário português Guilherme Taveira Pinto, um dos nomes que surge no centro do escândalo “Luanda Leaks”, foi interrogado no Luxemburgo ainda antes de o caso ter sido tornado público.

Nos documentos divulgados pelo Consórcio Internacional de Jornalismo de Investigação, que expõem os alegados esquemas que a empresária Isabel dos Santos terá usado para se tornar na mulher mais rica de África, Guilherme Taveira Pinto é tido como a figura central de vários negócios levados a cabo por empresas espanholas em Angola.

O empresário, que tem também passaporte angolano, foi interrogado pelas autoridades luxemburguesas, muito antes do escândalo 'Luanda Leaks' rebentar.

O empresário português Guilherme Taveira Pinto, foragido da Justiça espanhola, foi capa do jornal El Mundo.
O empresário português Guilherme Taveira Pinto, foragido da Justiça espanhola, foi capa do jornal El Mundo.
Imagem: El Mundo

De acordo com o jornal espanhol El Mundo, Taveira Pinto foi interrogado pela Justiça luxemburguesa em 2014, depois do início de uma investigação em 2012. Taveira Pinto foi associado pelas autoridades luxemburguesas a transferências bancárias de 41 milhões, através do Banco Dexia (que viria a mudar o nome para BIL, no final de 2012).

O caso é conhecido como Defex, nome de uma empresa pública espanhola relacionada com venda de armas à polícia angolana, no valor 153 milhões de euros. Com a detenção de várias pessoas em Espanha, incluindo militares, Taveira Pinto fugiu de Portugal para Angola, como forma de escapar ao mandado de captura internacional emitido por um juiz de Madrid.

O empresário luso-angolano é agora um dos nomes citados nos documentos do 'Luanda Leaks', alegadamente por ter lucrado milhões de euros através de subornos a funcionários públicos e políticos angolanos, no âmbito de negócios que envolvem várias empresas espanholas.

Taveira Pinto é associado a outro processo com ramificações ao Grão-Ducado. O empresário é citado como "sócio" da advogada espanhola Beatriz Garcia Paesa, detida no Luxemburgo em 2014, no âmbito de um mandado de detenção emitido por Espanha.

Ramificação do gabinete Beatriz Garcia, com sede no Luxemburgo.
Ramificação do gabinete Beatriz Garcia, com sede no Luxemburgo.
Screenshot: ICJI

A advogada, que tem ainda gabinete no (n°5 do) Boulevard Royal, na cidade do Luxemburgo, comandava alegadamente um esquema para branquear milhões de euros provenientes de negócios obscuros entre Espanha e Angola.

Para tal, foi criada uma complexa teia de empresas de fachada que fazia chegar o dinheiro ao Luxemburgo e a Itália. Segundo o consórcio internacional de jornalistas, o gabinete de Beatriz Garcia, com sede no Luxemburgo, está ligado a 38 entidades no caso ‘Panama Papers’.

Outra ligação do ‘Luanda Leaks’ ao Luxemburgo é feita através da empresa de fachada De Grisogono Holding. A empresa, associada ao marido de Isabel dos Santos, Sindika Dokolo, está alegadamente envolvida no desvio de 120 milhões de dólares dos fundos estatais angolanos, para adquirir participações na marca de joias suíça De Grisogono.


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