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Portugal é o primeiro país do mundo com 85% de vacinados. O que falta ao Luxemburgo?
Luxemburgo 3 min. 09.10.2021
Vacinação anti-covid

Portugal é o primeiro país do mundo com 85% de vacinados. O que falta ao Luxemburgo?

Vacinação anti-covid

Portugal é o primeiro país do mundo com 85% de vacinados. O que falta ao Luxemburgo?

LUSA
Luxemburgo 3 min. 09.10.2021
Vacinação anti-covid

Portugal é o primeiro país do mundo com 85% de vacinados. O que falta ao Luxemburgo?

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
A ministra Paulette Lenert admite não saber porque o país não tem sucesso semelhante ao de Portugal. E porque 23% dos residentes ainda não se vacinaram contra a covid. O líder vice-almirante Gouveia e Melo explica o êxito da vacinação portuguesa.

Portugal é o primeiro país do mundo a atingir a meta de 85% de pessoas com vacinação completa. Logo a seguir surgem os Emirados Árabes Unidos. Segundo os dados mundiais do Our World in Data, o site mais prestigiado de comparações estatísticas sobre a covid-19, e o mais citado, Portugal registava a 8 de outubro, 85,85% de vacinados com o esquema completo, duas doses, enquanto os Emirados Árabes Unidos registam 84,14%. 

O Luxemburgo surge em 18º lugar nesta tabela mundial, com 62,94% de população com esquema completo de vacinação, embora os últimos dados disponíveis sejam de 16 de setembro, não estando ainda atualizados.

Segundo os dados oficiais divulgados sexta-feira pelo primeiro-ministro, Xavier Bettel, o país conta atualmente com 73,8 % dos residentes completamente vacinados. “Cerca de 23,1%, um quarto da população não está vacinado, e o que mais preocupa é a elevada percentagem de pessoas com mais de 60 anos que não está vacinada e que corre risco de vida caso tenha covid-19”, sublinhou ontem o chefe do executivo.


Bettel empenhado em convencer os imigrantes a vacinarem-se contra a covid
O governo teve já reuniões com a Cáritas, com a ASTI e com a Cruz Vermelha para fazer chegar aos imigrantes os apelos à vacinação anti-covid. A ronda está a ser feita também pelos burgomestres.

A visão do Luxemburgo

Qual a razão por que Portugal consegue um tal sucesso na campanha de vacinação e o Luxemburgo se confronta com uma estagnação na taxa de vacinação? A questão foi ontem colocada na conferência de imprensa de apresentação da nova ‘Lei covid’ que entra em vigor a 19 de outubro.

A ministra Paulette Lenert admitiu não saber responder, estimando que talvez seja “uma questão cultural” que faça com que os residentes em Portugal adiram mais à vacinação.

No entanto, o seu ministério já está a realizar um estudo para compreender a resistência do quarto de população à vacina, nomeadamente por parte das pessoas idosas com mais de 60 anos, as que possuem maior risco de desenvolver uma forma de doença da pandemia mais grave.

Gouveia e Melo explica sucesso

Em Portugal, os especialistas portugueses ouvidos pelo Contacto numa reportagem anterior consideram que o sucesso da vacinação no país se deve sobretudo a três fatores, ao êxito da organização da campanha de vacinação, liderada pelo vice-almirante Gouveia e Melo, à tradição de vacinação por parte da população portuguesa, que sempre confiou nas vacinas e ao esforço de todos os envolvidos no processo de vacinação, nomeadamente os profissionais de saúde, e entre eles os enfermeiros.

O vice-almirante Gouveia e Melo - que liderou a task force da vacinação em Portugal
O vice-almirante Gouveia e Melo - que liderou a task force da vacinação em Portugal
Foto: Lusa

Em vésperas de deixar a liderança da ‘task force’ quando o objetivo dos 85% de população vacinada estava prestes a ser cumprido o vice-almirante Gouveia e Melo explicou ao Contacto as razões do êxito, “a estratégia implementada” para levar a bom porto um “processo complexo e intenso”, aos “combatentes da linha da frente” e ao povo português.

O sucesso da missão “não seria possível sem a dedicação incansável e profissional de todas as pessoas envolvidas, direta ou indiretamente, na distribuição, no transporte, no agendamento, na preparação e na inoculação das vacinas, em especial as equipas de saúde, auxiliares e voluntários que encontraram nos diversos centros de vacinação covid-19. Foram estes os verdadeiros combatentes na linha da frente deste processo”, declarou ao Contacto Gouveia e Melo.


O coordenador da task-force para a vacinação contra a covid-19, Henrique Gouveia e Melo, durante a conferência de imprensa com atualização da informação sobre a vacina covid-19 da Astrazeneca, no Ministério da Saúde, em Lisboa, 18 de março de 2021. RODRIGO ANTUNES/LUSA
Missão cumprida
A campanha de vacinação começou na fase mais negra da pandemia do país, em janeiro, com fura filas e demissões polémicas. Hoje Portugal é o segundo país do mundo com maior número de vacinados.“Fico satisfeito por ter contribuído para um processo que foi decisivo para salvar vidas”, declara ao Contacto o vice-almirante Gouveia e Melo, na véspera de deixar a liderança da vacinação em Portugal e com o país prestes atingir os 85% de vacinados. Esta é uma história de sucesso muito elogiado nos quatro cantos do mundo. E que merece ser contada.

O êxito também “só foi conseguido graças à adesão massiva da população portuguesa”, frisou o vice-almirante lembrando que os portugueses “demonstraram durante todo o processo, civismo, maturidade, confiança nas vacinas e que pensam por si e não se deixam ir em teorias da conspiração”. Foi assim que o país “com larga tradição em companhas de vacinação, demonstrou ao mundo que possui uma sociedade com maturidade, esclarecida e que confia na ciência”.

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O coordenador da task-force para a vacinação contra a covid-19, Henrique Gouveia e Melo, durante a conferência de imprensa com atualização da informação sobre a vacina covid-19 da Astrazeneca, no Ministério da Saúde, em Lisboa, 18 de março de 2021. RODRIGO ANTUNES/LUSA