Escolha as suas informações

Bonnevoie. Ex-polícia que atirou mortalmente sobre condutor começa a ser julgado
Luxemburgo 4 min. 27.09.2022
Justiça

Bonnevoie. Ex-polícia que atirou mortalmente sobre condutor começa a ser julgado

Justiça

Bonnevoie. Ex-polícia que atirou mortalmente sobre condutor começa a ser julgado

Foto: Guy Jallay/Arquivo LW
Luxemburgo 4 min. 27.09.2022
Justiça

Bonnevoie. Ex-polícia que atirou mortalmente sobre condutor começa a ser julgado

Steve REMESCH
Steve REMESCH
Os peritos questionam a autodefesa do agente, que alvejou um homem que se recusou a parar num controlo, em 2018.

São frações de segundo que são fatais para uma pessoa para alguém e levam outra ao banco dos réus. O caso remonta a 11 abril de 2018, quando um polícia jovem abriu fogo sobre um condutor após este ter ignorado a paragem numa operação de trânsito ao fim da tarde, em Bonnevoie. Uma das balas atingiu o condutor no ombro. Uma segunda bala atingiu o homem nopeito e matou o único ocupante do veículo, com 51 anos de idade. Uma terceira bala atingiu a viatura. 

Vários elementos da investigação que sugerem que se tratou de autodefesa. Mas o caso não é tão simples como isso. A partir da manhã desta terça-feira, o tribunal criminal é encarregado de estabelecer a verdade.

O Ministério Público acusa o atirador, com agora 26 anos, de homicídio involuntário. No decurso do julgamento, o tribunal penal decidirá nas próximas três semanas se o acusado agiu erradamente como polícia, o que resultou na morte do condutor - ou se agiu em autodefesa.  O jovem abandonou a carreira de polícia. 

O ponto de partida: na quarta-feira à tarde, o condutor de um Mercedes é notado pelos agentes pela sua conduta desviante na parte mais movimentada do bairro de Bonnevoie da capital. O condutor fez várias vezes 'rugir' o motor do veículo, conduziu a uma velocidade considerável através das estreitas calçadas das casas, aos ziguezagues. Ainda de acordo com testemunhas, perdeu várias vezes o controlo do carro, e estaria sob a influência de álcool. 

Os testemunhos recolhidos no local pelo Luxemburger Wort imediatamente após o incidente são parcialmente contraditórios. Mas existem algumas semelhanças.

Junto à piscina de Bonnevoie, no Dernier Sol, os polícias tentaram em vão deter o automobilista, que fugiu, perdeu novamente o controlo do veículo na rotunda do centro de acolhimento para os sem-abrigo e só parou no final da rue des Ardennes, no cruzamento com a rue Sigismond. É aqui que o agente da polícia se atravessa no seu caminho e lhe dá sinais claros para parar.

Na altura, a inspeção da polícia IGP, órgão de controlo externo da polícia grã-ducal foi retirada da investigação. Quando o caso foi aberto pelo Ministério Público, um juiz de instrução ordenou um total de quatro perícias: uma para examinar a trajetória de cada bala e o outro o curso geral do incidente. A estas duas, juntam-se mais duas perícias psiquiátricas.   

Relatórios dos peritos contradiz tese de autodefesa

É precisamente nos relatórios de investigação dos peritos citados pelo juiz de instrução que surge o problema: num deles, o especialista conclui que o polícia não se encontrava numa situação de risco de vida quando o tiro foi disparado, situação que neste caso não poderia legitimar o uso da arma de fogo. O risco de perigo de vida é um pré-requisito para a utilização justificada e autorizada de uma arma mortal pela polícia. 


Tiroteio em Bonnevoie
Polícia disparou contra um carro cujo condutor não obedeceu a uma ordem de rotina para parar.

O caso foi objeto de uma reconstrução de duas horas e meia do crime, que será mostrada na íntegra no julgamento. De acordo com as informações atualmente conhecidas, o condutor primeiro terá recuado brevemente o seu Mercedes antes de acelerar em direção ao agente da polícia com um guincho dos pneus. De seguida, o agente - segundo as suas próprias declarações - disparou três tiros contra o condutor em autodefesa. O carro continuou a avançar em direção à escola e parou contra uma árvore na place Léon XIII.

Para o condutor do Mercedes, um holandês de 51 anos que vivia na região fronteiriça germano-luxemburguesa, a ajuda chegou demasiado tarde. Mais tarde foi revelado que não tinha carta de condução válida e que era conhecido da polícia por infrações de trânsito. 

(Este artigo foi originalmente publicado na edição alemã do Luxemburger Wort.)

O Contacto tem uma nova aplicação móvel de notícias. Descarregue aqui para Android e iOS. Siga-nos no Facebook, Twitter e receba as nossas newsletters diárias.


Notícias relacionadas

O homem que esta tarde tentou fugir à polícia em Bonnevoie, na cidade do Luxemburgo, e foi alvejado na fuga, acabou por não resistir aos ferimentos provocados pelas balas e morreu, de acordo com informação policial.