Polícia lusodescendente recebeu medalha de mérito

Davide Sousa satisfeito por Portugal "não esquecer lusodescendentes"

Davide Sousa, o agente da polícia grã-ducal que recebeu hoje a medalha de mérito das comunidades portuguesas das mãos de José Luís Carneiro, diz que não esquece “a paixão por Portugal” e que é "gratificante" ver que o país "não esquece os lusodescendentes".

O agente da Polícia grã-ducal recebeu hoje a medalha de mérito das comunidades portuguesas, entregue por José Luís Carneiro.
O agente da Polícia grã-ducal recebeu hoje a medalha de mérito das comunidades portuguesas, entregue por José Luís Carneiro.
Foto: Steve Eastwood / Contacto

O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas elogiou hoje “a cidadania responsável” de Davide Sousa, o agente da polícia luxemburguesa premiado pelo Governo português por ter denunciado casos de fraude no acesso a subsídios sociais no Luxemburgo.

"Uma das funções essenciais do Estado democrático é apoiar os que mais carecem de apoios públicos, mas para que esta função de solidariedade possa ser cumprida, é necessário que apenas usufruam destes apoios aqueles que efetivamente deles necessitam", disse José Luís Carneiro, durante a cerimónia de atribuição da medalha de mérito das comunidades ao lusodescendente.

Davide Sousa já tinha recebido o prémio de cidadão do ano atribuído pelo Parlamento Europeu (PE) em 2017, pela sua participação em missões de paz em Itália, Bósnia e Geórgia, e por ter revelado um esquema de fraude social “de dimensões europeias”. Em causa estavam pessoas a residir noutros Estados-membros que “utilizavam moradas fictícias no Luxemburgo” para obter subsídios e apoios sociais neste país, um esquema denunciado graças à iniciativa do agente da polícia luxemburguesa, de 41 anos.

“Todas as tentativas de subtração ao Estado de Direito de recursos indispensáveis para a concretização da justiça social devem ser participadas às autoridades, garantindo que os recursos do Estado são administrados de acordo com o interesse público”, defendeu José Luís Carneiro.

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Davide Sousa, de 41 anos, nasceu em Differdange, no Luxemburgo, filho de imigrantes portugueses naturais de Bustelo, em Chaves, onde o avô foi guarda-fiscal. Naturalizou-se quando entrou para a polícia, numa altura em que a lei não permitia ainda a dupla nacionalidade, e é “o primeiro luxemburguês” a receber a medalha de mérito das comunidades, que “visa distinguir cidadãos que dignificam a presença de Portugal no mundo”, explicou o SECP.

Para José Luís Carneiro, a atribuição da medalha, com o grau ouro, justifica-se pelas “ímpares qualidades humanas e cívicas (…) patentes nas missões que tem desempenhado ao serviço do Estado luxemburguês em várias partes do mundo” e pela “cidadania comprometida” com o Estado de Direito.

O lusodescendente, que recusou falar sobre o caso de fraude social, alegando que o inquérito ainda não está concluído, considerou que é uma obrigação “denunciar, combater e não compactuar com qualquer tipo de fraude que ponha em causa o Estado de direito democrático”, e disse que ficou sensibilizado com a distinção de Portugal.

“É extremamente gratificante perceber que o Estado português não se esquece dos lusodescendentes que nos vários pontos do globo tentam manter a língua, a cultura e as tradições de Portugal vivas, perpetuando-as a outras gerações e comunidades com as quais convivem”, disse.

Davide Sousa frisou que não esquece “a paixão por Portugal”, país onde todos os anos passa férias e com que mantém “laços intensos e de grande afetividade”. Apesar de ter nascido no Luxemburgo, o lusodescendente disse que o português é uma das línguas que continua a falar, tanto no trabalho como em casa. “A minha esposa é croata, mas fala perfeitamente português, e a minha filha mais velha, que tem cinco anos e meio, já fala quatro línguas, incluindo português correto”, disse.

O lusodescendente, que tem ainda outra filha com oito meses, é voluntário para uma nova missão da União Europeia, desta vez no Níger (EUCAP Sahel).

P.T.A.