Polícia lusodescendente nomeado cidadão do ano diz que "falar português ajuda"
Davide Sousa, o agente da Polícia grã-ducal que recebeu na quinta-feira o prémio de cidadão do ano, atribuído pelo Parlamento Europeu, diz que o facto de falar português o ajuda no seu trabalho.
“A população portuguesa é enorme cá no Luxemburgo e quando chega uma pessoa à esquadra que só fala português, recorrem a mim”, contou o inspetor-chefe ao Contacto. “Com as vítimas, posso usar o português e ajudar a pessoa”, explicou, defendendo que “faz falta na Polícia [do Luxemburgo] quem fale português”.
Davide Sousa, de 41 anos, nasceu em Differdange, no Luxemburgo, filho de imigrantes portugueses naturais de Bustelo, em Chaves, onde o avô foi guarda fiscal. Naturalizou-se quando entrou para a Polícia, numa altura em que a lei não permitia ainda a dupla nacionalidade. “Tive de abdicar da nacionalidade portuguesa e fazer a tropa”, recordou.
Apesar da mudança de nacionalidade, continua a ter “uma paixão por Portugal”, onde todos os anos passa férias. “Eu sinto-me sempre dos dois lados. Fiz cá os estudos, fiz a escola portuguesa e hoje agradeço, porque quando participo em missões europeias posso comunicar com colegas portugueses”.
A atribuição do prémio foi proposta pelo eurodeputado luxemburguês Claude Turmes e visa recompensar o agente da Polícia grã-ducal pelo serviço prestado em missões europeias na Bósnia, Geórgia e Itália, e também pela sua contribuição no “combate à fraude social”, segundo o comunicado do Parlamento Europeu.
De acordo com a nota, Davide Sousa “revelou um esquema de fraude social de dimensões europeias”, no decorrer de uma investigação. Em causa estavam pessoas a residir noutros Estados-membros que “utilizavam moradas fictícias no Luxemburgo” para obter subsídios e apoios sociais no Grão-Ducado. Graças à iniciativa do agente da Policia luxemburguesa, “que fez diligências para além do âmbito do seu trabalho”, o Estado luxemburguês recuperou “somas substanciais”, pode ler-se no comunicado.
Questionado pelo Contacto sobre o caso, o lusodescendente recusou avançar mais informação, alegando que o inquérito ainda não está concluído, mas disse que os contactos que fez nas missões europeias o ajudaram “na investigação no Luxemburgo”. E admitiu que dedicou parte do seu "tempo livre" para investigar o caso das falsas moradas.
O prémio de cidadão europeu é atribuído desde 2008 pelo Parlamento Europeu, tendo como objetivo “recompensar atividades excepcionais desempenhadas por cidadãos, grupos, associações ou organizações” que promovam o reforço dos valores consagrados na Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia. Este ano, o prémio foi atribuído a 49 pessoas ou organizações nos 28 Estados-membros. Em Portugal, a medalha foi atribuída à jornalista Teresa de Sousa e à Plataforma de Apoio aos Refugiados.
P.T.A.