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Plano para próximo ano letivo só em agosto
Luxemburgo 4 min. 29.07.2020 Do nosso arquivo online

Plano para próximo ano letivo só em agosto

Plano para próximo ano letivo só em agosto

Foto: Sebastian Gollnow/dpa
Luxemburgo 4 min. 29.07.2020 Do nosso arquivo online

Plano para próximo ano letivo só em agosto

Ana Patrícia CARDOSO
Ana Patrícia CARDOSO
A dois meses do início do próximo ano escolar, o Ministério da Educação do Luxemburgo afirma que ainda é cedo para apresentar a estratégia final, esperada só para o final de agosto. Em Portugal, são pedidos às escolas três planos alternativos para 2020/21: presencial, misto e online.

Leonor Rodeiro, nove anos, garante que a única coisa boa do ensino online foi "não ter de acordar tão cedo". A aluna do terceiro ano pôde dormir mais quarenta minutos mas as aulas deixaram a desejar. "O pior foi mesmo educação física. Tive de fazer os exercícios ali sozinha no tapete e as aulas teóricas. Também tive muitas saudades dos meus amigos". 

Com um ano atípico por causa da pandemia do coronavírus, as escolas fecharam portas, entre março e abril, e todos os alunos tiveram de se adaptar ao confinamento e à escola virtual. Com a tecnologia como "sala de aula", cativar a atenção dos alunos foi um dos maiores desafios na adaptação do estudo para a plataforma Teams, diz Cândida Figueiredo, professora do ensino básico. 

Cândida teve de interromper as aulas da sua turma de 25 crianças do primeiro ano. "Foi muito complicado. Os alunos estavam a aprender a escrever e ler de forma mais autonoma quando fomos forçados a ficar em casa. E as tecnologias ainda não estavam tão disponiveis para crianças tão pequenas". Com um horário fixo – até uma hora e meia, todas as manhãs – muita imaginação e constante adaptação "às necessidades individuais de cada um", deixou "muito pouco do programa de português, matemática e estudo do meio", para o próximo ano. Mas "acabamos todos muito cansados. Alunos e professores".

O balanço é positivo, afirmou o Ministério da Educação do Luxemburgo ao Contacto, admitindo, ainda assim, algumas discrepâncias. "O ensino em casa correu bem em geral, mas é claro que foi mais difícil para alguns alunos do que para outros acompanharem o ensino virtual. No início do confinamento, alguns alunos não puderam acompanhar, principalmente porque não estavam tecnicamente equipados. Estes problemas puderam ser resolvidos: o equipamento digital foi fornecido pelas escolas e autoridades municipais".


Alunos têm melhores resultados nos exames finais que no ano anterior
Cerca de 2.900 alunos passaram nos exames do final do ensino secundário clássico e do ensino técnico, sendo que os exames foram feitos por cerca de 3.500 candidatos.

Sem adiantar o plano para o próximo ano letivo, a equipa liderada por Claude Meisch avança que está "a trabalhar num conceito a vários níveis, incluindo diferentes cenários que se poderiam aplicar de acordo com a situação. É demasiado cedo nesta fase para saber exatamente qual o nível e quais as medidas que se aplicarão em setembro. O conceito será apresentado no final de agosto ou início de setembro". Até lá, o cenário no Luxemburgo é de incerteza e preocupação, uma vez que a ministra da Saúde Paulette Lenert já confirmou que o país enfrenta uma segunda vaga de covid-19.

Cursos de recuperação de matéria gatuitos

Para os estudantes das escolas públicas foram disponibilizados cursos gratuitos de recuperação da matéria a partir de agora. Estas formações vão decorrer nas duas últimas semanas de férias, de 31 de agosto a 11 de setembro.

Esta oferta está também disponível para os alunos de escolas secundárias privadas que aplicam os currículos oficiais. Outra das medidas previstas é disponibilizar dossiês temáticos sobre as principais disciplinas para os alunos dos ensinos básico e secundário. Materiais que poderão ser descarregados a partir de 24 de agosto em www.schouldoheem.lu. Alemão, francês e a matemática são algumas das matérias disponíveis.


Alunos do secundário já podem encomendar manuais gratuitos
A aplicação e a página myBooks, que permitem adquirir os manuais escolares de forma gratuita, já estão a funcionar desde 25 de julho.

Recorde-se que, no final do ano letivo, os professores tiveram a oportunidade de inscrever alunos com lacunas significativas nestes cursos. Agora, os pais podem tomar a iniciativa e inscrever os seus filhos. A matrícula só pode ser feita num curso para "não sobrecarregar os estudantes", esclarece o Ministério da Educação numa nota divulgada.

Já os alunos de escolas públicas internacionais devem informar-se sobre os cursos de de recuperação e inscrever-se diretamente no secretariado da sua escola.

Três planos podem ser ativados em Portugal

Com as aulas presenciais a começar entre 14 e 17 de setembro, a Direção-Geral de Saúde(DGS) e a Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGEstE) estabeleceu um conjuntos de medidas obrigatórias para todos os estabelecimentos de ensino. Entre as mais relevantes, destacam-se os três planos de ensino em 'regime presencial', 'regime misto’, que implica idas à escola mas tem sessões online e trabalho autónomo orientado, e 'regime online', para situações de emergência sanitária. 

Também é exigido um plano de contingência para possíveis casos suspeitos de covid-19, em que a criança ou adulto será encaminhado para a área de isolamento obrigatória. As escolas passam a ter regras de higienização mais apertadas e os alunos vão ser obrigados a andar por circuitos fixos marcados. Com todos os cuidados, voltar aos pátios e às salas é "uma necessidade", lembra a professora do ensino básico, "porque a escola é muito mais do que só competências para aprender". 

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