Escolha as suas informações

Personalidade 2018 do Luxemburgo: O filho do senhor Braz

Personalidade 2018 do Luxemburgo: O filho do senhor Braz

Foto: Gerry Huberty
Luxemburgo 3 min. 09.01.2019

Personalidade 2018 do Luxemburgo: O filho do senhor Braz

O vice primeiro-ministro ganha nos leitores do Contacto, com uma margem menor do que seria de esperar. Tinha como opositora de peso uma outra lusodescendente: a primeira inspetora escolar, Lis de Pina.

O ecologista de 52 anos, filho de imigrantes portugueses que chegaram ao Luxemburgo nos anos 1960, tem sido o primeiro lusodescendente em todos os cargos políticos que exerceu. Foi o primeiro vereador e o primeiro deputado – e até hoje o único – de origem portuguesa no país. Foi eleito pela primeira vez para a Câmara dos Deputados em 2004, com 38 anos. Em dezembro de 2013, tornou-se também no primeiro lusodescendente a assumir o cargo de ministro no Luxemburgo, para mais com a pasta da Justiça, um dos setores em que foram feitas mais reformas no último mandato, a começar pela lei da nacionalidade.

Félix Braz é um político pragmático, e essa capacidade de fazer consensos e reformas foi premiada nas eleições pelos luxemburgueses. Assume esse pragmatismo sem complexos: “Há partidos que estão à espera dos amanhãs que cantam e das revoluções. Mas os Verdes são um partido democrático que quer fazer as reformas conquistando a maioria das pessoas. A participação num governo de coligação não muda em nada as nossas convicções. Não há nenhuma razão para não o fazer. Somos um partido democrático mas altamente pragmático."

"O que nos interessa é fazer o máximo de coisas. Fazer compromissos de governação não muda em nada as nossas convicções. E quando fazemos compromissos, os nossos parceiros também o fazem. Fazem as mesmas cedências que nós fazemos para nos ter a governar com eles. Fazer compromissos é algo de digno, desde que faça avançar as coisas", disse numa entrevista antes das eleições ao Contacto.


Félix Braz, o lusodescendente a quem já só falta ser primeiro-ministro
O congresso dos ecologistas deu luz verde à nomeação de Félix Braz para vice-primeiro-ministro, o número dois do governo. Retrato do lusodescendente que subiu degrau a degrau as escadas da política no Luxemburgo.

Acresce, a essa capacidade, o facto de ser um lusodescendente que tem uma forte relação afetiva com a comunidade portuguesa desde sempre, até por questões de família. Isso nota-se quando lembra os seus pais: “A vida inteira do meu pai cá teve alguma coisa a ver com conduzir: foi ’chófer’ de autocarro, foi aliás o primeiro que fez uma viagem de autocarro Luxemburgo-Portugal. Não digo o nome da companhia, que ainda existe, mas na altura o patrão aproveitou a presença de um português com carta de condução de autocarros para ter essa ideia: ’E se fizéssemos uma viagem Luxemburgo-Portugal?’. 

Foi motorista de camião numa empresa de cimento, em Esch, e motorista de entregas numa empresa que vendia bebidas. E, finalmente, foi instrutor numa escola de condução, e ajudou milhares de portugueses a tirar a carta. Ainda hoje, quando vou a Esch – ainda hoje fui, com o meu ’chófer’, também de origem portuguesa, costumamos ir uma ou duas vezes por semana almoçar a um restaurante português –, e quando lá vou, essa geração que já cá está há mais tempo, quando falam de mim, não dizem ’o ministro’, dizem ’o filho do Braz’. A referência para eles continua a ser o meu pai. Ele é que ajudava as pessoas a tirar a carta, e esses ainda hoje dizem ’o filho do Braz’. E a minha mãe, enquanto trabalhou, era costureira numa loja que fazia cortinas, em Esch”, contou numa entrevista ao contacto, após tomar posse como vice-primeiro-ministro.


Notícias relacionadas

Personalidade 2018 do Mundo: Nadia e a longa marcha das mulheres
A refugiada yazidi ganhou a votação na categoria mundo entre os leitores do Contacto. É considerada a maior personalidade internacional do ano de 2018. Por ironia da história, derrotou Jair Bolsonaro, o atual presidente do Brasil que um dia se voltou para uma deputada de esquerda e lhe disse que "só não a violava porque ela não merec[ia]".
Félix Braz. "Para a geração mais antiga eu não sou o ministro, sou o filho do Braz"
Félix Braz está bem-disposto. No gabinete do Ministério da Justiça que já ocupava nos últimos cinco anos, mostra a sua nova fotografia na página do Governo, tirada nesse mesmo dia. "Aproveitem que hoje fiz a barba e tenho uma gravata bonita", diz. A gravata tem as cores da campanha de imagem do Luxemburgo, "Let’s make it happen". "Fui eu que a comprei", apressa-se a dizer o recém-empossado número dois do Governo. Uma entrevista em que recorda o pai, fala da infância na escola e admite as dificuldades que teve para se definir como português ou luxemburguês.
Daniel da Mota, candidato pelo ADR: "Se o meu partido fosse racista, eu não me candidatava"
O homem que marcou um golo do Luxemburgo contra a seleção de Cristiano Ronaldo, em 2012, é candidato às legislativas pelo ADR. O partido nacionalista é conhecido pelas posições contra os direitos dos estrangeiros, mas o jogador de futebol defende que "não é racista". Nesta grande entrevista ao Contacto, este filho de imigrantes portugueses explica as razões que o levaram a filiar-se no ADR.
Daniel Da Mota. Photo: Guy Wolff