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Lenert admite adotar modelo português de descriminalização das drogas
Luxemburgo 6 2 min. 21.06.2022
Luxemburgo

Lenert admite adotar modelo português de descriminalização das drogas

Paulette Lenert com o médico português João Goulão, ex- presidente do Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência,  diretor do Instituto da Droga e da Toxicodependência e responsável pela política de luta contra as drogas em Portugal.
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Lenert admite adotar modelo português de descriminalização das drogas

Paulette Lenert com o médico português João Goulão, ex- presidente do Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência, diretor do Instituto da Droga e da Toxicodependência e responsável pela política de luta contra as drogas em Portugal.
Foto: DR
Luxemburgo 6 2 min. 21.06.2022
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Lenert admite adotar modelo português de descriminalização das drogas

Ana TOMÁS
Ana TOMÁS
A ministra da Saúde luxemburguesa visitou Portugal para conhecer melhor a política do país em matéria de consumo e descriminalização de drogas.

A ministra da Saúde, Paulette Lenert, admitiu, esta terça-feira, estar a considerar trazer para o Luxemburgo o exemplo do modelo português no que se refere à descriminalização das drogas.

Em visita de Estado a Portugal, que começou na segunda-feira e se prolongou pelo dia de hoje, a governante disse à RTL, estar a considerar inspirar-se no modelo de descriminalização português, segundo o qual, afirmou, a pessoa é tratada "como paciente, como doente, e lhe é oferecida a prestação de cuidados, e supervisão social". A ministra acrescentou ainda "que esta lógica deve aplicar-se a todas as drogas" e que espera que esta questão seja abordada no Luxemburgo.


Paulette Lenert em visita oficial a Portugal
A minista da Saúde “será recebida pela sua homóloga portuguesa, Marta Temido, para discutir, sobretudo, a política inovadora de Portugal em matéria de drogas”.

A agenda inclui uma visita ao Observatório Europeu das Drogas e da Toxicodependência, que tem sede em Lisboa, e do qual o médico português João Goulão, que acompanhou Lenert na visita, já foi presidente.

A ministra visitou com o especialista, considerado o responsável pela política de luta contra as drogas em Portugal e atual diretor do Instituto da Droga e da Toxicodependência, estruturas do programa de metadona e uma sala de consumo supervisionado de drogas, em Lisboa. Lenert deixou também elogios ao trabalho da ONG Ares do Pinhal, "que está a implementar uma abordagem de saúde pública ao consumo de drogas, centrada na dignidade humana".

Lenert visitou plantação em Cantanhede que produz canábis para o Luxemburgo

Esta terça-feira, a ministra da Saúde visitou a unidade de produção de canábis da empresa alemã Tilray, em Cantanhede.

A empresa alemã, com produção em Portugal, é um dos principais fornecedores do Grão-Ducado e trabalha com cerca de duas dezenas de países, tendo quase 250.000 m² de área de cultivo de canábis em Portugal e no Canadá.   

 

Numa mensagem na sua página de Twitter, Lenert disse estar "satisfeita com a alta qualidade da canábis medicinal que é produzida" naquela localidade portuguesa e que é vendida para o Luxemburgo. 


Aprovado projeto de lei sobre consumo recreativo de canábis
Medida constava do programa da coligação governamental, mas sofreu alterações face à proposta inicial.

Em agosto do ano passado soube-se que o Luxemburgo tinha feito uma encomenda  três milhões de euros de canábis para fins medicinais a esta empresa. A encomenda foi feita em junho e era a quarta, desde a legalização da canábis, em fevereiro de 2019, que levou a uma rutura de stock desta planta, no Grão-Ducado, agravada por um consumo crescente deste produto desde novembro de 2020, segundo afirmou Paulette Lenert na altura, quando justificou a encomenda numa resposta parlamentar ao Partido Pirata.

Paulette Lenert disse ter recolhido com a sua equipa do ministério da Saúde "muita informação para passos futuros relativamente a uma potencial produção de canábis medicinal no Luxemburgo".  

Recorde-se que um dos objetivos do Governo, a longo prazo é criar uma linha de produção, controlada pelo Estado, que permita garantir a qualidade do produto utilizado.  

A deslocação da ministra da Saúde a Portugal acontece ainda numa altura em que o Luxemburgo prepara uma lei para permitir o consumo recreativo de canábis e o cultivo doméstico da planta. 

Na visita de dois dias a Portugal, Lenert encontrou-se também com a sua homóloga Marta Temido com quem teve "discussões aprofundadas sobre Portugal e a abordagem pioneira da descriminalização do consumo de drogas". "A redução e prevenção de riscos são fundamentais", resumiu.

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