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Paul Zahlen: Debate sobre língua e identidade luxemburguesa “conduz ao tribalismo”
Paul Zahlen é doutorado em História Económica e chefiou o departamento de estatísticas sociais do Statec

Paul Zahlen: Debate sobre língua e identidade luxemburguesa “conduz ao tribalismo”

Foto: Chris Karaba
Paul Zahlen é doutorado em História Económica e chefiou o departamento de estatísticas sociais do Statec
Luxemburgo 25.01.2017

Paul Zahlen: Debate sobre língua e identidade luxemburguesa “conduz ao tribalismo”

Paul Zahlen é doutorado em História Económica e chefiou o departamento de estatísticas sociais do Statec. Nesta entrevista, o historiador aponta as razões do “mal-estar” no Luxemburgo, critica o afunilamento do debate sobre a língua e a identidade nacional e denuncia os movimentos populistas no país.

O Parlamento discute atualmente duas petições sobre a língua luxemburguesa. Tem sido uma das vozes críticas neste debate. Porquê?

O que me põe problemas é o conceito de identidade nacional. É uma questão que vai em paralelo com a questão do populismo: no populismo, construímos um povo homogéneo. E o conceito de identidade também nos conduz a qualquer coisa de homogéneo, de puro. Mas numa sociedade como a luxemburguesa, não há homogeneidade. Acho que quando se entra por esta porta no debate corre-se um grande risco, o de chegar a uma definição de identidade que exclui. Se definirmos qualquer coisa como sendo homogénea, excluímos tudo aquilo que não faz parte dessa definição.

De onde vêm estas preocupações com a identidade nacional?

As pessoas sentem-se desenraízadas e é-lhes proposta uma solução, uma rede de segurança, que é a identidade. E isto é perigoso, porque desemboca numa forma de tribalismo. Quando alguém reclama que a língua luxemburguesa seja a língua principal, isto implica relações de força: há uma parte da população que diz que estava aqui em primeiro lugar. Quando recorremos ao argumento da identidade nacional, é como se disséssemos: nasci num determinado local e não foi por acaso. Eu digo: nasci no Luxemburgo por acaso, e materialmente e familiarmente foi um acaso feliz, mas não posso extrair nenhuma conclusão daqui. O facto de ter nascido no Luxemburgo dá-me mais direitos do que àqueles que vivem em sociedade comigo? É essa a questão fundamental no Luxemburgo. Mas um sociólogo como Fernand Fehlen [que defende o reforço da língua luxemburguesa – ver entrevista ao Contacto de 30 de novembro] acha que é preciso dar garantias às pessoas que têm medo.

É uma política de apaziguamento?

Exatamente. E é nesse ponto que não estou de acordo com ele. É preciso encontrarmos outras soluções que não passem pela soberania nacional. É esta a questão central. Na esquerda mais radical, também há quem defenda a soberania nacional como defesa contra a globalização e o liberalismo económico.

Paula Telo Alves

Leia a entrevista na íntegra no jornal Contacto desta quarta-feira.

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