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Para memória coletiva
Editorial Luxemburgo 2 min. 04.07.2018

Para memória coletiva

Maria Ana de Bragança

Para memória coletiva

Maria Ana de Bragança
Editorial Luxemburgo 2 min. 04.07.2018

Para memória coletiva

Paulo Pereira
Paulo Pereira
As ligações entre Portugal e o Luxemburgo têm laços fortes e começam muito antes da chegada dos primeiros imigrantes. Vale a pena saber como tudo começou e, acima de tudo, defender essa marca indelével da História.

É indesmentível a força e a influência que uma comunidade de imigrantes como a portuguesa consegue exercer no quotidiano do Luxemburgo. Um pouco por toda a parte há resultados do trabalho desenvolvido a cada dia e com esforço, suportando sacrifícios e procurando sempre representar um exemplo em função daquilo que pode oferecer cada português que aqui chega. Mas, se essa importância é confirmada pelos próprios resultados, vale a pena lembrar sempre que o relacionamento de laços fortes entre Portugal e o Luxemburgo não começou com a chegada dos primeiros imigrantes ao Grão-Ducado. E, a propósito da exposição que relembra uma figura emblemática, são as origens dessa ligação que a jornalista Paula Telo Alves conta nesta edição.

Há inúmeras razões para que a infanta Maria Ana de Bragança seja sempre recordada pelos dois países. Antes de se chegar aos elementos fulcrais há uma apaixonante história de amor que tardou até resultar em casamento, porque de um lado estava uma católica e, do outro, o futuro Guillaume IV, cujo pai era luterano. Foi por isso que o Grão-Duque Adolphe tanto se bateu para contrariar o desejado casamento, acabando razões políticas por levar à cedência após dez anos de resistência. A raiz católica de Maria Ana de Bragança tornou-se mesmo um elemento muito relevante, pois a sua entrada em cena permitiu que a dinastia reinante passasse a estar próxima daquela que era, afinal, a religião oficial do próprio Grão-Ducado.

Para lá dos interesses, Maria Ana de Bragança iria tornar-se uma força de enorme relevância a partir do momento em que a doença de Guillaume IV levou a mudanças. Primeiro, como regente, assinando inclusive leis entre 1908 e 1912, ano da morte do Grão-Duque. Por outro lado, a desempenhar papel decisivo nas obras do castelo de Colmar-Berg, residência oficial desde essa altura. E ainda porque teve mesmo de ser alterado o documento da família Nassau que impedia as mulheres de chegarem ao trono, uma vez que o casal grão-ducal teve seis filhas.

Os anos que se seguiram foram, portanto, de presença feminina como protagonistas no Luxemburgo, tornando a mulher numa figura central do poder quando se estava muito longe de qualquer movimento de emancipação do sexo feminino. E, para que as ligações a Portugal e o fascínio que elas exercem nunca se esqueça, há ainda a história da fuga da família grã-ducal à invasão dos sinistros nazis com intervenção de Aristides de Sousa Mendes, cônsul em Bordéus, que emitiu os imprescindíveis vistos. Assim chegaram a Portugal e puderam rumar aos Estados Unidos, longe das garras dos assassinos às ordens de Hitler. Para memória coletiva, estas marcas históricas devem ser para sempre lembradas.

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