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Para acabar de vez com o racismo e a discriminação
Editorial Luxemburgo 2 min. 19.05.2021

Para acabar de vez com o racismo e a discriminação

Para acabar de vez com o racismo e a discriminação

Foto: AFP
Editorial Luxemburgo 2 min. 19.05.2021

Para acabar de vez com o racismo e a discriminação

Madalena QUEIRÓS
Madalena QUEIRÓS
Um em cada cinco residentes no Luxemburgo diz ter sido vítima de, pelo menos, uma discriminação no últimos três anos. Quase 60% destas casos são de discriminação ligadas à nacionalidade.

O modelo já está implementado na Alemanha. Os vacinados têm alguns privilégios como não ter que apresentar teste negativo para entrar num restaurante. O Contacto ouviu todos os partidos políticos luxemburgueses sobre este modelo. Mas apenas o CSV concorda. Para já, o Governo diz que é cedo para avançar com este sistema, quando uma parte da população ainda não tenha tido a oportunidade de ser convidada a receber a vacina”, declarou ao Contacto fonte do Ministério da Saúde do Grão- Ducado. Mas é possível que lá cheguemos. Este é tema do destaque desta semana do Contacto onde noticiamos o lançamento de um vasto inquérito sobre racismo e discriminação no Luxemburgo.

Quase todos os imigrantes portugueses já viveram ou ouviram falar de algum caso de discriminação no Luxemburgo. Relatos na primeira pessoa ou contados por terceiros. Imigrantes que viram recusada a sua proposta de arrendamento, simplesmente por serem estrangeiros. Ou jovens que foram barrados à entrada de uma discoteca, apenas, por serem negros.

Nas escolas surgem muitas vezes relatos de discriminação nas salas de aula, de alunos que são afastados da modalidade de ensino que os pode conduzir ao ensino superior, só por não serem luxemburgueses. São uma sucessão de narrativas que importa identificar e sistematizar para acabar, de uma vez por todas com este problema.

Um em cada cinco residentes no Luxemburgo diz ter sido vítima de, pelo menos, uma discriminação no últimos três anos. Quase 60% destas casos são de discriminação ligadas à nacionalidade. Os dados do Observatório das Migrações revelam, ainda, que uma em cada duas vítimas nada fizeram por acharem que "seria uma perda de tempo e não serviria para nada".

Para conhecer a verdadeira dimensão deste problema vai ser lançado um vasto inquérito a cerca de 15 mil pessoas sobre as perceções do racismo e discriminação no Luxemburgo. Uma iniciativa do Ministério da Família e da Integração na Grande Região depois de uma moção a requerer este inquérito ter sido aprovada no parlamento luxemburguês. As respostas dos portugueses são uma parte importante deste inquérito, como revela em entrevista ao Contacto Frédéric Docquier, investigador do LISER que é um dos responsáveis por este estudo que arranca no próximo mês.

Mas afinal porque é que é importante fazer este diagnóstico? Vai mudar alguma coisa? Pode mudar mais do que esperamos. Um estudo recente feito em Itália revela que os professores, quando confrontados com as suas atitudes discriminatórias inconscientes – como dar piores notas aos imigrantes – acabam por corrigir a sua atitude. Os resultados são claros. Depois de tomarem consciência que estão a prejudicar os alunos estrangeiros, mudam o comportamento e, muitas vezes, passam a fazer discriminação positiva.

Esperemos agora pelos resultados deste mega-inquérito. Esperemos que mudem alguma coisa.

Ilustração: Florin Balaban

Licença para matar

O conflito no Médio Oriente não para. A ofensiva israelita na Faixa de Gaza e Cisjordânia já provocou a morte de 232 palestinianos, incluindo 58 crianças. Do lado de Israel há 11 mortos a registar, resultantes dos ataques do Hamas. Cerca de 23 escritórios de meios de comunicação social foram destruídos, entre eles o da estação televisiva Al Jazeera e a agência de notícias Associated Press, revelou a organização Repórteres Sem Fronteiras. Isto tem de acabar já.

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