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Os portugueses de Clervaux. Lurdes da loja de roupa
Luxemburgo 2 min. 20.11.2022
Figuras

Os portugueses de Clervaux. Lurdes da loja de roupa

Lurdes Rodrigues é vendedora na loja de roupa Océan Beauté, no centro de Clervaux, há três anos.
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Os portugueses de Clervaux. Lurdes da loja de roupa

Lurdes Rodrigues é vendedora na loja de roupa Océan Beauté, no centro de Clervaux, há três anos.
Foto: Anouk Antony
Luxemburgo 2 min. 20.11.2022
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Os portugueses de Clervaux. Lurdes da loja de roupa

Tiago RODRIGUES
Tiago RODRIGUES
A Liliana dos chocolates, a Sandra que trabalha na Comuna, o casal de dentistas, a Maria da mercearia e a Lurdes da loja de roupa. Estes são os portugueses que escolheram o Norte do Luxemburgo. E dali ninguém os tira.

Lurdes Rodrigues trabalha como vendedora na loja de roupa Océan Beauté, na Grand-Rue, no centro de Clervaux, há três anos. Antes tinha trabalhado na mercearia ao lado, a antiga Promo-Center, que é agora a Princesa do Tua. Lá fazia “praticamente tudo” durante 15 anos, mas a certa altura “aquilo não andava a correr muito bem”. 


Liliana Sousa é a proprietária da histórica chocolataria Au Chocolat há quase dois anos.
Os portugueses de Clervaux. Liliana dos chocolates
O primeiro retrato dos portugueses que escolheram o Norte do Luxemburgo. E dali ninguém os tira.

Foi então que a dona do salão de beleza com o mesmo nome da loja de roupa lhe perguntou se queria trabalhar com ela. Lurdes não hesitou e hoje, aos 50 anos, é responsável pelo espaço.

Entre terça-feira e sábado, Lurdes está na loja, sozinha, das 9h às 18h. Tira as folgas aos domingos e segundas. Às vezes, quando a patroa, que é belga, não tem muito trabalho no salão, também lá passa para a ajudar. 

Apesar de trabalhar em Clervaux, vive com um dos filhos, de 18 anos, em Wiltz. “Ele está a estudar e diz que quer cuidar dos mais velhos e das crianças. O meu filho mais velho tem 26 e já tem a vida dele com a namorada”, conta.

Foto: Anouk Antony

A portuguesa já vive no Luxemburgo há 27 anos. Veio de Fafe, em 1995, porque “havia boas oportunidades de trabalho e de salário, sem comparação com Portugal”, recorda. “Lá não se ganhava nada. Na altura devia ter uns 20 e poucos anos e trabalhava em confeções de roupa, por isso é que adoro isto. Lá fazia roupas e aqui vendo”, compara, com uma gargalhada. 


Sandra Viegas trabalha na Comuna de Clervaux há 17 anos.
Os portugueses de Clervaux. Sandra da Comuna
O retrato dos portugueses que escolheram o Norte do Luxemburgo. Sandra Viegas trabalha na Comuna de Clervaux há 17 anos.

Foi uma vizinha que lhe arranjou trabalho num restaurante em Wiltz, onde sempre morou. Depois da restauração e dos cafés, decidiu procurar algo melhor e foi então que encontrou a mercearia. “Trabalhei em vários sítios, em Contern, Esch, Diekirch, Mersch. Depois mais tarde abriu em Clervaux e eu vim para aqui”.

Foi nesta comuna que Lurdes se sentiu realizada. Por trabalhar quase todos os dias em Clervaux, habituou-se à paisagem da cidade. “Gosto muito, é uma zona turística muito bonita”, afirma. No entanto, a vendedora nota que tem vindo a esvaziar-se nos últimos anos. “É pena que tenham tirado tantas coisas. Antes havia farmácias, bancos, correios, mas fecharam tudo. Toda a gente pergunta onde é que há uma farmácia e têm de se deslocar para cima, em Marnach, de carro”, critica.

Aconselho a visitar Clervaux. Tem muita história e há muita coisa bonita para ver.

Lurdes lamenta que a cidade esteja a ficar “vazia”, porque é muito bonita e devia chamar mais pessoas a visitar. “É triste, porque os moradores e os turistas não têm praticamente nada aqui. Tudo bem que é uma pequena vila, mas falta mesmo muita coisa”, explica. 

Apesar disso, a portuguesa assegura que vale a pena visitar Clervaux. “Tem o castelo, a igreja, tem tanta coisa linda. Aconselho a visitar. Tem muita história e há muita coisa para ver”. Quanto ao futuro, o objetivo é continuar a trabalhar na loja, porque é um trabalho de que “gosta mesmo muito”. 


Ricardo Tavares e Maria Campêlo têm uma clínica dentária em Clervaux, outra em Ettelbruck e preparam-se para abrir uma terceira em Wiltz.
Os portugueses de Clervaux. Dentistas Maria e Ricardo
O retrato dos portugueses que escolheram o Norte do Luxemburgo. Maria e Ricardo abriram uma clínica em Clervaux em 2020.

Mas não deixa de parte a hipótese de um dia regressar ao seu país de origem. “Um dia mais tarde, quem sabe… Não sei se volto para Portugal. Depende dos meus filhos. Se eles ficarem cá, eu fico também. Logo se vê. Para já quero continuar aqui em Clervaux, porque gosto e já estou habituada. É a minha segunda casa”.

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