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Os perigos da variante Delta, o início do ano letivo e a terceira dose
Luxemburgo 7 min. 01.09.2021 Do nosso arquivo online
Covid-19

Os perigos da variante Delta, o início do ano letivo e a terceira dose

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Os perigos da variante Delta, o início do ano letivo e a terceira dose

Foto: Luxemburger Wort/Anouk Antony
Luxemburgo 7 min. 01.09.2021 Do nosso arquivo online
Covid-19

Os perigos da variante Delta, o início do ano letivo e a terceira dose

Paula SANTOS FERREIRA
Paula SANTOS FERREIRA
Na última semana, as infeções aumentaram 50% no país, provocadas quase na totalidade pela mutação mais perigosa do vírus. O regresso após as férias está marcado pela ameaça de uma nova vaga da covid. Conheça as novas possíveis medidas e as explicações sobre os riscos da variante Delta.

O regresso das férias de verão trouxe o aumento das infeções ao Luxemburgo, com os especialistas a alertar para o risco de uma quarta vaga assolar o país, em breve. A variante Delta que já é responsável pela quase totalidade dos contágios, 96,7%, no Grão-Ducado é tida como uma das principais causas do agravamento da situação nas próximas semanas.

Apesar de mais de metade da população do país estar já vacinada (756 mil pessoas a 25 de agosto, segundo dados oficiais), incluindo os jovens entre os 12 e os 17 anos, as preocupações sobre a escalada da pandemia continuam presentes. No entanto, os especialistas avançam que esta nova vaga será menos grave devido à vacinação.

Por seu turno, o Governo e médicos continuam a apelar à população que ainda não está vacinada para se vacinar, de modo a prevenir situações de doença grave que podem ocorrer com a infeção da variante Delta, mais contagiosa e perigosa.

As discussões sobre a possível administração de uma terceira dose da vacina, como reforço contra esta mutação que domina as infeções no país continuam a decorrer, não havendo decisão anunciada até à data de fecho desta edição. Também as medidas de prevenção contra a covid nas escolas para o novo ano letivo que começa em breve só serão anunciadas na tarde de dia 2 de setembro, amanhã, quinta-feira, pelo ministro Claude Meisch declarou fonte deste ministério ao Contacto.

Mas, vamos por partes. O aumento dos casos diários de infeção nesta rentrée após as férias. Na semana de 16 e 22 de agosto as infeções aumentaram 49% em relação à semana anterior, passando de 225 para 440 novos casos, indica o relatório do Ministério da Saúde, frisando que o principal foco de contágio voltou a ser as viagens ao estrangeiro.

Um crescimento que continua a aumentar de dia para dia com as atenções a concentrarem-se nas hospitalizações. De acordo com os dados de segunda-feira, dia 30, encontravam-se internadas 25 pessoas, seis das quais nos cuidados intensivos.

Atualmente, a grande maioria dos doentes hospitalizados não está vacinado, como demonstram os dados do relatório semanal. Entra as 440 novas infeções registadas, 331 pessoas contagiadas (75,2%) não estavam vacinadas e 109 (24,8%) não possuíam um esquema vacinal completo.


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Uma nova onda de infeções está a começar no Luxemburgo e serão as pessoas que não estão vacinadas que irão fazer os números aumentar, diz Paulette Lenert.

A 'task force covid', nas suas previsões mais atuais sobre a evolução da pandemia covid no Luxemburgo, alerta para o grande crescimento dos casos diários, que se irão transformar numa nova vaga, "com um crescimento exponencial em outubro e um pico estimado de mais de 548 casos diários em novembro". "O distanciamento social e as medidas de higiene continuam a ser essenciais para estabilizar a situação e prevenir o aumento dos internamentos até que a imunidade do rebanho seja atingida por um avanço na vacinação", escreve o grupo de cientistas no último relatório de 27 de agosto.

Variante Delta e a quarta vaga

A não vacinação torna-se um perigo acrescido num momento em que a variante delta domina praticamente as infeções, como explica, ao Contacto, Daniel Alvarez, especialista em saúde pública do departamento de microbiologia do Laboratório Nacional de Saúde do Luxemburgo (LNS).


Detetada nova variante na África do Sul, mais contagiosa que as anteriores
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"A variante Delta é agora a dominante na maioria dos países europeus porque sofreu mutações que lhe permitem propagar-se mais facilmente do que as variantes anteriores, como já aconteceu com a variante alfa no inverno passado. A variante Delta tem também um risco mais elevado de causar doenças graves, mas felizmente, as vacinas atuais oferecem proteção contra esta mutação", realçou este especialista. Contudo, alertou "ser necessário continuar a encorajar as pessoas a vacinarem-se, porque a vacina protegerá a própria pessoa como os seus contactos".

Sobre os riscos do Luxemburgo ser assolado por uma nova vaga de covid-19, Daniel Alvarez realça que tal é possível: "Encontramo-nos no final da época principal de férias e muitas pessoas já estão a regressar ao país. Os grandes movimentos de pessoas aumentam o risco de novas infeções, e já estamos a assistir a um aumento do número de casos semanais no Luxemburgo. Nesta situação, devemos ser cuidadosos e continuar a respeitar as medidas de proteção para evitar um novo aumento".

Como pode o aumento do número de casos ser travado agora? Continuando a adotar as medidas de proteção individuais de sempre nesta pandemia. "Lavar as nossas mãos frequentemente e usar máscaras em locais públicos interiores é muito importante, e se quisermos encontrar pessoas de fora da nossa casa, é sempre mais seguro fazê-lo ao ar livre ou em locais bem ventilados. Não é nada de novo, mas sabemos que funciona", referiu Daniel Alvarez.

Mesmo as pessoas que já estão vacinadas, com o esquema completo vacinal devem continuar a ter os mesmos cuidados, vincou. "Para as pessoas vacinadas, funciona da mesma forma. Algumas pessoas podem sentir-se demasiado confiantes após receberem a vacina, mas precisamos de lembrar à população que nenhuma vacina é 100% eficaz, e mesmo que o risco de doença grave seja menor, ainda assim podemos infetar outras pessoas com sistemas imunitários mais vulneráveis".

Rentrée escolar ainda em pandemia

A vacinação é a grande arma contra a pandemia como comprovam os mais diversos estudos. Contudo, as crianças com menos de 12 anos ainda não podem ser vacinadas. Para Daniel Alvarez está demonstrado "desde o início da pandemia que as crianças possuem um menor risco de desenvolver doença grave". Mesmo assim, adiantou, "estão já a decorrer ensaios clínicos sobre a segurança vacinal para crianças com menos de 12 anos de idade, e espera-se que os resultados sejam publicados ao longo dos próximos meses".

Entretanto, "teremos de estar atentos ao número de infeções nos grupos de idade mais jovens", considerou este especialista. O relatório semanal da situação epidemiológica no Luxemburgo mostrou que a maior taxa de positividade à covid entre os testes realizados se encontrava na faixa etária dos 0-9 anos, (3,9%) na última semana.

É neste contexto ainda de pandemia que um novo ano letivo vai começar em breve. À hora de fecho desta edição, o ministro da Educação, Claude Meisch continuava em reuniões de consulta com os diferentes parceiros sociais para a elaboração das medidas sanitárias a adotar para o próximo ano letivo. O anúncio será feito amanhã, quinta-feira, pelas 14h.

Entretanto, os sindicatos que estiveram reunidos com o governante adiantaram à rádio 100.7 que Claude Meisch pretende eliminar o uso obrigatório de máscara nas salas de aula do ensino fundamental. A testagem duas vezes por semana dos alunos das escolas do país foi outra das medidas debatidas na reunião. Os sindicatos lamentam no entanto que o ministério tenha recusado mais medidas. Em declarações à rádio 100,7, Nora Watgen, do Sindicato para Educação e Ciência, da central sindical OGBL, defendeu a instalação de filtros de ar  nas salas de aula, medida que o ministro já recusou, mas que esta dirigente considerou uma "segurança adicional" necessária, sobretudo "se o uso de máscara nas aulas for levantado".


Luxemburgo. 87% dos professores estão vacinados, diz ministro
Um em cada 2 adolescentes a partir dos 12 anos também já recebeu a vacina contra a covid-19, anunciou hoje Claude Meisch.

De acordo com Claude Meisch, 87% dos professores do país já estão vacinados e um a cada dois jovens com mais de12 anos também já recebeu a vacina. Os dados foram divulgados pelo ministro no dia 27 de agosto na sua conta do Twitter. "A cada dia, mais alunos, pais, irmãos, professores e educadores são vacinados. Um compromisso coletivo" para uma escola segura, escreveu o ministro da Educação.

Terceira dose da vacina?

A possibilidade de um reforço vacinal contra a variante delta generalizado para a população mais idosa, como está já a decorrer em vários países, como França e Israel está também em discussão na rentrée de setembro. Atualmente, o Luxemburgo administra já uma terceira dose da vacina contra a covid a pessoas imunodeprimidas e com um quadro clínico muito específico.

Na última semana, 48 residentes beneficiaram desta terceira dose, segundo indica o relatório semanal oficial. Trata-se de casos especiais segundo as recomendações do Conselho Superior de Doenças Infeciosas (CSMI), precisou fonte do ministério da Saúde ao nosso jornal.

Atualmente, o CSMI "está a analisar a situação" específica da introdução de uma terceira dose da vacina à população mais idosa em geral, confirmou a mesma fonte. À hora de fecho desta edição, ainda nada estava decidido sobre este reforço vacinal no país. O anúncio das conclusões dos estudos do CSMI serão anunciados, em breve. 

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20.05.2008 Lecker essen - Maison Relais Caritas Grevenmacher Foto: Serge Waldbillig
Ainda não se sabe se uma terceira dose da vacina anticovid-19 vai ser necessária, mas se for o caso, o Luxemburgo está preparado para esse facto. A garantia é dada pela ministra da Saúde, Paulette Lenert, numa resposta parlamentar ao deputado do ADR, Jeff Engelen.