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Os lobos voltaram ao Luxemburgo e Laurent Schley quer evitar uma guerra
Luxemburgo 2 15 min. 28.08.2019

Os lobos voltaram ao Luxemburgo e Laurent Schley quer evitar uma guerra

Os lobos voltaram ao Luxemburgo e Laurent Schley quer evitar uma guerra

Luxemburgo 2 15 min. 28.08.2019

Os lobos voltaram ao Luxemburgo e Laurent Schley quer evitar uma guerra

Ricardo J. RODRIGUES
Ricardo J. RODRIGUES
Quando o telefone tocou com a notícia do ataque a um rebanho, um biólogo luxemburguês que nunca acreditou em Deus percebeu que a Natureza tinha operado um milagre. O tempo de preparar o país para um novo conflito entre homens e animais tinha chegado.

Aquele telefonema fez Laurent Schley, 46 anos, estremecer. Do outro lado da linha, um pastor de Garnich descrevia-lhe o estado de oito ovelhas mortas e, se nas últimas semanas não faltavam relatos inconclusivos sobre o regresso de um predador que tinha desaparecido da paisagem luxemburguesa há mais de um século, este fê-lo ter a certeza. “Foi a maneira como ele descreveu as gargantas do gado. Estavam intactas e isso era consistente com um ataque de lobo. É que eles mordem as presas na jugular, mas nunca as degolam. E eu ouvia aquilo e só pensava que o momento por que tanto esperei tinha finalmente chegado.”

Eram 19h30 de sábado, 8 de julho de 2017. O biólogo, que também é vice-presidente da Administração da Natureza e das Florestas do Luxemburgo, estava em casa e tinha acabado de jantar em família. Depois recebeu aquele telefonema que mudaria tudo. Quando desligou, respirou fundo e permaneceu uns bons segundos em silêncio. “A seguir liguei a alguns colegas e fui logo para o terreno. Quando vi as ovelhas ainda menos dúvidas tive: algo extraordinário tinha acontecido.”

A confirmação oficial chegaria a 31 de agosto, faz esta semana dois anos: testes de ADN garantiram ter sido um animal originário dos Alpes a investir sobre as ovelhas. Os lobos tinham encontrado maneira de atravessar meia Europa, contornar uma das mais humanizadas e fragmentadas paisagens do continente, e regressar contra todas as probabilidades a um lugar onde estavam extintos há 124 anos. Schley, que antes de coordenar o plano de gestão dos lobos passou uma década como presidente da Associação dos Ateus do Luxemburgo, não é propriamente um homem religioso. Mas naquele momento não pode deixar de considerar que “a natureza tinha operado um pequeno milagre”.  

O biólogo Laurent Schley acredita que o Luxemburgo tem floresta e alimento suficientes para o lobo se fixar a título definitivo.
O biólogo Laurent Schley acredita que o Luxemburgo tem floresta e alimento suficientes para o lobo se fixar a título definitivo.
Foto: Gerry Huberty

Em fevereiro de 2018, seis meses depois da primeira confirmação, um segundo rebanho foi atacado por lobos no Norte do país, na aldeia de Fouhren. No final de dezembro, foram encontradas várias pegadas na neve e, já na primavera de 2019, houve relatos de novos avistamentos – indícios de uma nova e inesperada colonização. “Agora é apenas uma questão de tempo até alguns animais se estabelecerem definitivamente aqui e reproduzirem, como aliás já está a acontecer na Bélgica e na Holanda”, diz Schley.

Ao mesmo tempo que os bichos vão cumprindo o seu regresso, uma inquietação há muito esquecida instala-se nas aldeias mais remotas do Luxemburgo. “O lobo mexe com o imaginário das pessoas como nenhum outro predador”, e o biólogo dá um exemplo que explica isso mesmo. Uns meses antes do primeiro ataque, e percebendo que o regresso das alcateias podia acontecer a qualquer momento, Laurent juntou uma equipa e começou a montar um plano de gestão.

“Viajei por todo o país, estive nas maiores cidades e nas mais pequenas em aldeias a fazer sessões de esclarecimento. As reuniões quase nem eram publicitadas, apenas um pequeno cartaz nos lugares onde iam decorrer, por isso nunca esperava mais de 15 pessoas. Mas, quando chegava aos lugares, estavam 150, às vezes mais. Não só passavam uma hora inteira a ouvir-me como depois ficavam outra hora ou duas a fazer-me perguntas. Nunca, na minha vida de conservacionista, tinha lidado com uma reação assim.”

Nesses contactos, Larent Schley percebeu que o regresso do lobo trazia de volta um dos mais antigos conflitos da humanidade: o que opõe bichos e pastores. Histórias como “O Capuchinho Vermelho” ou “Os Três Porquinhos” perpetuaram o mito do Lobo Mau, mesmo a Igreja define-o como guardião das portas do Inferno. “Nenhum outro predador convoca tanto ódio. E, também por isso, este está a revelar-se o mais desafiante projeto da minha carreira”, diz ele agora. Então esta história não é apenas sobre o regresso de um velho conhecido a casa, nem é sobre a gestão de um animal ameaçado. É como, na verdade, Laurent Schley tem de evitar uma guerra.

Quem tudo perde

Quem apanha a A6 na Cidade do Luxemburgo e ruma em direção a Arlon, encontra a saída para Garnich já perto da fronteira com a Bélgica. Tem 1200 habitantes e, em linha reta, não dista mais de 12 quilómetros da capital – por estrada são pouco mais de 17. Apesar de Garnich, tal como a aldeia vizinha de Holzem, ter uma longa tradição rural, hoje é sobretudo um subúrbio de classe média-alta. Mas foi precisamente entre estas duas povoações que, há dois anos, o primeiro lobo resolveu aparecer no Luxemburgo.

Georges Fohl, burgomestre de Garnich, aponta no mapa da comuna o desaparecimento das explorações agrícolas na região.
Georges Fohl, burgomestre de Garnich, aponta no mapa da comuna o desaparecimento das explorações agrícolas na região.
Foto: Gerry Huberty

“Repare como tudo isto estava ocupado por quintas no século XIX”, diz agora George Fohl, burgomestre de Garnich, apontando para um antigo mapa da sua comuna e atualizando com o dedo indicador a urbanização do município. “Toda esta zona, que era de prados, tem hoje casas. Há uma grande pressão para construir aqui mas o nosso desafio como autarcas é preservar a tradição rural e não deixar que isto se torne um subúrbio anónimo. Durante séculos, as famílias de criadores de gado estabeleceram um sentido muito forte de comunidade nesta zona. Hoje, já só sobram dois ou três.”

Robert Ruden, 75 anos, é um desses últimos pastores. “Quando eu era miúdo toda esta terra estava tomada de lameiros para os animais pastarem. Cada família tinha uma dúzia de animais e um pedaço de terreno e assim se governava a vida.” Em 1959, quando tinha 15 anos, os pais dividiram entre ele e duas irmãs as posses familiares – calharam-lhe em sorte nove vacas, e foi assim que começou a sua independência. “Ao longo dos anos, fui vendo muita gente abandonar as suas terras, fosse porque não tinham descendência, fosse porque os filhos já não queriam esta vida. E eu fui comprando algum chão, e alguns animais, e fui crescendo até a minha exploração se tornar isto.”

Isto é um terreno onde hoje pastam 160 vacas – e o leite é a sua única produção. Ruden só conheceu uma vida: a de acordar antes das galinhas para ordenhar o gado, depois levá-lo a passear aos lameiros e nas últimas horas de sol trazê-lo para a granja para repetir o munge. Mas, há três anos, percebeu que o corpo já tinha acumulado demasiadas mazelas e passou o negócio ao filho. “Foi o dia mais difícil da minha vida”, diz agora o homem na sua casa, com o mar nos olhos. “Entreguei-lhe a vacaria, mas custava-me muito andar longe dos bichos. Então o meu filho arranjou-me 14 ovelhas para eu andar distraído.”

A solução era a ideal. O rebanho não precisava de ser cuidado todos os dias – podia ficar sozinho uma ou duas noites a pastar – e Robert Ruden podia manter a ligação à terra e aos animais, que era de alguma forma um garante da sua dignidade. Mas, ao fim da tarde de 8 de julho de 2017, quando foi ver como andavam as chibas, deu-se de frente a um espetáculo que ainda hoje o arrepia. “Estavam oito ovelhas mortas, com as entranhas de fora, e duas feridas, que nem sequer conseguiam balir. Impressionaram-me mais essas do que as que foram devoradas, coitadinhas.” Perplexo, o homem ligou imediatamente a Laurent Schley, que conhecia dos anos em que o rapaz estudara em Inglaterra e usou o exemplo da sua quinta para um trabalho de campo. “Eu sabia que ele andava a estudar os lobos e achei logo que fosse um.”

Robert Ruden acaricia uma ovelha que sobreviveu ao ataque de lobo em Garnich. Aquele rebanho é o garante da sua dignidade.
Robert Ruden acaricia uma ovelha que sobreviveu ao ataque de lobo em Garnich. Aquele rebanho é o garante da sua dignidade.
Foto: Gerry Huberty

Nem aos avós o homem tinha ouvido relato de ataques das alcateias. Era memória demasiado antiga, já perdida no tempo. E no entanto elas ali estavam, a darem cabo do que restava da sua vida. “O Estado pagou-me uma indemnização, mas a questão não tem a ver com dinheiro. O que me aflige é esta sensação de impotência, de saber que a qualquer momento pode vir uma besta roubar-me a única alegria que me sobra na vida”, diz agora dentro do cabril, afagando o dorso da única ovelha que sobreviveu àquela investida canídea. “E eu simplesmente já não tenho forças para fazer nada.”

Schley ouve esta conversa sem dizer uma palavra. Mais tarde há contar-nos que, como biólogo que trabalha em conservação da natureza, quis dar pulos de alegria ao ver aquelas ovelhas mortas. Mas depois confrontou-se com os olhos de Robert Ruden e não se atreveu. Nessa noite aprendeu uma lição: na guerra aos lobos não há vencedores. Tal como os animais foram desaparecendo dos montes, os pastores foram-se extinguido dos vales. Ambos lutam pela sobrevivência. “E eu tenho de tentar ser o mais rigoroso possível a passar a informação às populações, sem defender um ou outro lado. É sempre isso que tenho tentado fazer.”

Contas de subtrair

Gunther Czerkus tem 68 anos e 500 ovelhas que vivem a menos de 100 metros da fronteira com o Luxemburgo, junto à aldeia alemã de Wallendorf. Tivesse a barba mais comprida e dir-se-ia que o homem é um druida, ou o Gandalf de “O Senhor dos Anéis”. O que ele faz de facto, além de cuidar do gado, é presidir à Associação Nacional dos Pastores Profissionais da Alemanha. E o regresso do lobo ao Luxemburgo é algo que o preocupa seriamente. “Nos últimos 30 anos, as únicas contas que os pastores fizeram foram de subtrair e as alcateias são mais um golpe para quem luta para conseguir manter-se à tona de água.”

A questão não é nova do lado alemão. No final dos anos 1980, os animais entraram no país provenientes da Polónia, espalhando-se pelo norte e causando uma reação vigorosa entre os pastores, que começaram imediatamente a fazer caça aos lobos. Só quando a União Europeia introduziu em 1992 a diretiva Habitat – que o classifica como espécie ameaçada e prevê a indemnização de quem perde rendimentos em ataques destes predadores – é que a perseguição acalmou. “Isso não quer dizer que houvesse menos ódio. Esse existe sempre.”

Gunther Czerkus preside à Associação dos Pastores Profissionais da Alemanha e todos os dias leva o seu rebanho a pastar a escassos metros da fronteira com o Luxemburgo. O regresso do lobo ao país também é problema dele.
Gunther Czerkus preside à Associação dos Pastores Profissionais da Alemanha e todos os dias leva o seu rebanho a pastar a escassos metros da fronteira com o Luxemburgo. O regresso do lobo ao país também é problema dele.
Foto: Gerry Huberty

Enquanto os lobos se moviam, o setor pecuário começava a entrar naquilo que Czerkus apelida de verdadeiro colapso. “Desde 2010, 15 por cento dos produtores pura e simplesmente desistiram da produção de carne de borrego – apesar do consumo ter quase duplicado.” Dá este exemplo: em 2017 ele vendia a carne por 3 euros o quilo aos matadouros, agora o preço é de 2,2 euros. A culpa, diz ele, é da globalização. “A Europa está a receber produtos muito mais baratos de fora, que tornam absolutamente inviável o setor agrícola na União. Ninguém consegue resistir.”

Ele aguenta-se, sim, mas não como seria de esperar. “Tenho uma série de protocolos com o ministério do ambiente e pagam-me para os meus rebanhos ocuparem zonas protegidas, porque asseguram biodiversidade e limpeza de matos. Se vivesse da venda de carne, já tinha morrido de fome. Então temos este absurdo, que é as pessoas quererem mais carne biológica e nós não conseguirmos rentabilizar a produção. Depois vêm os lobos e, claro, revoltamo-nos. É mais fácil culpar os animais do que as políticas.”

O problema é que é precisamente nas regiões fronteiriças ao Luxemburgo que a produção alemã de borrego vai conseguindo resistir. E é por isso que, quando os cientistas comprovaram um segundo ataque de lobo a um rebanho, na aldeia de Fouhren e muito perto da fronteira germânica, os alarmes dispararam. Cerzkus viu os ânimos exaltados entre os pastores, mas tentou acalmar as coisas. “Temos de usar a cabeça em vez da coração” - e foi isso que tentou dizer em algumas das sessões de esclarecimento promovidas por Laurent Schley.

No século XIX, fazia parte das competências da Guarda Florestal o abate e a perseguição dos lobos. Em menos 50 anos, as alcateias foram extintas.
No século XIX, fazia parte das competências da Guarda Florestal o abate e a perseguição dos lobos. Em menos 50 anos, as alcateias foram extintas.
Foto: Musée Forestier

O plano de gestão que o biólogo da Administração da Natureza e das Florestas tinha traçado explicava às populações os reais desafios que o lobo colocava, previa o pagamento de compensações às partes prejudicadas, até promovia a introdução de cães de gado na região que pudessem defender os rebanhos (desviando-os do gado e empurrando-os para a caça de presas selvagens, não faltam veados e cervos no Luxemburgo). Mas isso não era suficiente para parar com a guerra, e foi isso que ele tentou fazer ver ao biólogo.

Schley ouviu-o atentamente, e muito daquilo que um pastor alemão que parece um druida lhe disse tornou-se na sua arma para travar a guerra. “É muito difícil ganhar o combate, porque se os animais estão-se borrifando para as fronteiras, os governos não. Temos um plano de gestão luxemburguês, outro alemão, outro francês e outro belga.” O que o biólogo quer é juntar toda a gente na mesma mesa e elaborar um plano de prevenção regional aos ataques do lobo. Schley quer patrocinar vedações altas e eletrificadas e quer que as aldeias recebam treinadores de cães, para que estes protejam os rebanhos mas não se virem contra os humanos. É esse o seu plano. Com isso e continuando as sessões informativas, ele acredita que pode parar a guerra.

O regresso extraordinário

Nos campos que rodeiam Olingen, uma pequena localidade da comuna de Betzdorf, no leste do país, há um trilho marcado na floresta a que a autarquia decidiu chamar “A Rota do Lobo”. O ponto alto do percurso fica logo depois de um viveiro de trutas, quando se começa a entrar bosque adentro e se dá de caras com uma placa de ferro. Foi ali colocada pela associação de caçadores nos anos 1930, e assinala o dia em que foi morto o último lobo no Luxemburgo. Há, todavia, um erro no monumento. Ele diz que a extinção do animal se deu em 1892, quando na verdade aconteceu um ano mais tarde. A 24 de abril, precisamente.

O Luxemburger Wort, que é publicado diariamente desde 1848, escrevia do dia seguinte um artigo elogiando o caçador que dera cabo da fera, um juiz de Esch-sur-Alzette que se chamava, curiosamente, Eduard Wolf (lobo, em luxemburguês). “Há demasiado tempo que um lobo se instalara nas florestas de Roodt vinha a assustar as gentes da região, mas hoje esse terror chegou ao fim”, lê-se no jornal. “Houve uma batida ao javali em que se conseguiu encontrar uma fêmea e as suas crias, mas a fera conseguia sempre esquivar-se ao chumbo. Mas não conseguiu desviar-se da bala do senhor Wolf, juiz do Luxemburgo.”

O tom com que a notícia é escrita espelha bem o ódio ancestral que as populações nutrem pelo bicho. “Toda a região ficou agora aliviada com o desaparecimento da assustadora besta. A bala do senhor Wolf atingiu-o na pata posterior direita, tombando-o. Era um exemplar esplêndido, mesmo jazendo morto a sua dentadura paralisava de horror quem a olhasse. Um grande bravo ao valente atirador.”

Era o derradeiro capítulo de uma história que começara 50 anos antes. O Luxemburgo tornou-se independente em 1815, mas só em 1840 foi criada a Administração Nacional das Florestas – que cuidava da integridade rural do território. Em dezembro de 1849, um decreto lei decretava que era missão de todos os guardas florestais perseguirem e abaterem tantos lobos quanto lhes fosse possível. Se fosse um popular a fazê-lo, tinha direito a recompensa do Estado – menor para os lobinhos, maior para os machos adultos, e ainda maior se se tratasse de uma fêmea. O objetivo era um e apenas um: a exterminação.

Em 1850 são abatidos 18 lobos no Luxemburgo. No ano seguinte, 21. À medida que os anos, avançam os números de mortes vão diminuindo. Em 1862, por exemplo, são mortos 16 espécimes, em 1873 nove. O último é este, o lobo de Olingen, morto por um caçador que lhe devia o nome em 1893. É essa a data oficial da extinção do lobo – e aconteceu no preciso momento em que o país dava passos largos para se transformar de nação rural em Estado altamente industrializado. A partir do início do século XX, a Europa enche-se de fábricas, estradas e guerras. Já não havia espaço para o lobo voltar.

“Quando entrei na faculdade em Inglaterra, em 1992, lembro-me de ouvir as notícias de que as alcateias que viviam nos Alpes italianos se estavam a expandir para a zona de fronteira com a Suíça e a França [ver infografia]”, diz agora Laurent Schley. “Mas não me passou pela cabeça que pudessem chegar voltar ao Luxemburgo.” Essa ideia só a formou em 2011, quando se confirmaram as primeiras presenças na cordilheira dos Vosges. “Aí caí em mim e pensei 'uau, isto está mesmo a acontecer', por isso tinha de fazer alguma coisa.”

Em 2015, conseguiu convencer o então secretário de estado Camille Gira, com a pasta do ambiente, de que era preciso preparar as populações para a chegada do lobo. Passou dois anos a traçar o seu plano e, em 2017, estava pronto. Semanas depois, aí estava ele. “Eu pensava que ele demoraria 50 anos a chegar e afinal surpreendeu-me, como numa emboscada. Agora eu tenho de ser neutro, não posso tomar o lado dos lobos nem o dos pastores.” A missão de Laurent Schley é ensinar homens e animais a fazerem o que nunca conseguiram: lidar uns com os outros. Nos seus ombros pesa toda a guerra que ele quer estancar.


Infografia: Carlos Monteiro e Ricardo J. Rodrigues


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