Opinião. Um homem para sempre
Opinião. Um homem para sempre
O Luxemburgo está a viver dias de luto depois do desaparecimento, aos 98 anos, do Grão-Duque Jean, a quem coube conduzir os destinos do país naquela que foi a fase mais terrível da História da Humanidade. A besta nazi, com a invasão que espezinhou não apenas o Grão-Ducado, mas inúmeros países em diferentes continentes, foi responsável pela morte de milhões de pessoas. Tentou o extermínio dos judeus e a memória dessa barbárie não se perde. Aí o futuro Grão-Duque e toda a família foram forçados a viver no exílio, com passagem por Portugal, mas mantendo sempre a ideia de resgatar o país e o povo das garras do jugo nazi.
Ao longo de anos penosos e dolorosos, o combate foi sendo travado sem poupar esforços. O futuro Grão-Duque integrou as forças dos Aliados para derrotar Hitler e os seus sinistros seguidores, participando mesmo no desembarque na Normandia. E, com o seu pai, teve direito à merecida participação na tão desejada libertação do Luxemburgo, bem como à demonstração de carinho de multidões de luxemburgueses que os acolheram como heróis.
Depois do exílio e do sofrimento à distância com a violência a que era submetido o país, a família podia enfim reunir-se e trabalhar num clima de paz pela reconstrução do Luxemburgo. As condições criadas com o final da II Guerra Mundial colocaram o país entre pioneiros na criação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, primeiro, e nas fundações da atual União Europeia, então designada Comunidade Económica Europeia (CEE). A partir de 1964, o Grão-Duque Jean saberia liderar o país num convívio com vizinhos bem mais fortes, tornando-se símbolo de uma condução serena rumo à modernização. Ao longo de 36 anos, o então chefe de Estado adaptou-se às exigências de diferentes épocas até que, no ano 2000, resolveu retirar-se, abdicando a favor de Henri, o seu filho mais velho e atual Grão-Duque. Nos anos que se seguiram, o Grão-Duque Jean manteve-se discreto, mas fez sempre questão de participar nas cerimónias mais importantes, mostrando que a sua ligação ao país e ao povo não se perdia pelo facto de ceder o lugar ao filho.
Neste contexto de dor para o país em geral e para a família grã-ducal em particular, o Contacto presta a sua homenagem ao Grão-Duque Jean, um homem de sempre e para sempre como exemplo de coragem e de dignidade. E, em nome de toda a equipa, ficam expressos os votos das mais sentidas condolências, dirigidas ao Grão-Duque Henri, aos familiares e ao povo luxemburguês.

