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Opinião. Um homem para sempre
Editorial Luxemburgo 2 min. 24.04.2019

Opinião. Um homem para sempre

Opinião. Um homem para sempre

Foto: Patrick Van Katwijk/Monarchy Pre
Editorial Luxemburgo 2 min. 24.04.2019

Opinião. Um homem para sempre

Paulo Pereira
Paulo Pereira
O Luxemburgo está de luto pela morte do Grão-Duque Jean que passou parte da sua vida no exílio em Portugal. Ao mesmo tempo, os portugueses celebram os 45 anos da Revolução que acabou com a ditadura.

O Luxemburgo está a viver dias de luto depois do desaparecimento, aos 98 anos, do Grão-Duque Jean, a quem coube conduzir os destinos do país naquela que foi a fase mais terrível da História da Humanidade. A besta nazi, com a invasão que espezinhou não apenas o Grão-Ducado, mas inúmeros países em diferentes continentes, foi responsável pela morte de milhões de pessoas. Tentou o extermínio dos judeus e a memória dessa barbárie não se perde. Aí o futuro Grão-Duque e toda a família foram forçados a viver no exílio, com passagem por Portugal, mas mantendo sempre a ideia de resgatar o país e o povo das garras do jugo nazi.


Jean do Luxemburgo, o bisneto de um rei português que foi herói nacional
Neto de Maria Ana de Bragança, filha do rei português D. Miguel, Jean do Luxemburgo assistiu aos acontecimentos mais importantes do seu país durante os seus 98 anos de vida. E não foi apenas uma testemunha passiva da História. O ex-soberano, falecido na madrugada de terça-feira, lutou para libertar o Grão-Ducado junto do Exército britânico, depois de uma fuga para o exílio que passou por Portugal.

Ao longo de anos penosos e dolorosos, o combate foi sendo travado sem poupar esforços. O futuro Grão-Duque integrou as forças dos Aliados para derrotar Hitler e os seus sinistros seguidores, participando mesmo no desembarque na Normandia. E, com o seu pai, teve direito à merecida participação na tão desejada libertação do Luxemburgo, bem como à demonstração de carinho de multidões de luxemburgueses que os acolheram como heróis.


O Grão-Duque Jean com D. Duarte, durante a visita a Portugal, em 1984.
Duques de Bragança vêm ao funeral do Grão-Duque Jean
D. Duarte lembra "o sangue português" que corria nas veias do Grão-Duque Jean.

Depois do exílio e do sofrimento à distância com a violência a que era submetido o país, a família podia enfim reunir-se e trabalhar num clima de paz pela reconstrução do Luxemburgo. As condições criadas com o final da II Guerra Mundial colocaram o país entre pioneiros na criação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, primeiro, e nas fundações da atual União Europeia, então designada Comunidade Económica Europeia (CEE). A partir de 1964, o Grão-Duque Jean saberia liderar o país num convívio com vizinhos bem mais fortes, tornando-se símbolo de uma condução serena rumo à modernização. Ao longo de 36 anos, o então chefe de Estado adaptou-se às exigências de diferentes épocas até que, no ano 2000, resolveu retirar-se, abdicando a favor de Henri, o seu filho mais velho e atual Grão-Duque. Nos anos que se seguiram, o Grão-Duque Jean manteve-se discreto, mas fez sempre questão de participar nas cerimónias mais importantes, mostrando que a sua ligação ao país e ao povo não se perdia pelo facto de ceder o lugar ao filho.


Grão-Duque Jean: A juventude
Dos estudos em Inglaterra ao exílio forçado por causa da II Guerra Mundial e ao regresso como herói para libertar o Luxemburgo.

Neste contexto de dor para o país em geral e para a família grã-ducal em particular, o Contacto presta a sua homenagem ao Grão-Duque Jean, um homem de sempre e para sempre como exemplo de coragem e de dignidade. E, em nome de toda a equipa, ficam expressos os votos das mais sentidas condolências, dirigidas ao Grão-Duque Henri, aos familiares e ao povo luxemburguês. 


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