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OPINIÃO: Santana e Rio

OPINIÃO: Santana e Rio

Foto: Lusa
Editorial Luxemburgo 2 min. 13.12.2017

OPINIÃO: Santana e Rio

Ambos têm atacado o Governo de António Costa, mas nenhum parece ter uma estratégia própria.

A cerca de um mês das eleições para a presidência do PSD, as sondagens continuam pouco esclarecedoras, apresentando os dois candidatos em situação de empate técnico. Algumas atribuem a ligeira vantagem a Santana Lopes, outras a Rui Rio. Mas há um sentimento, cada vez mais generalizado, entre os militantes do PSD. Seja quem for o vencedor desta corrida interna, ele terá sempre reduzidas possibilidades de ganhar as próximas eleições legislativas. Este sentimento é naturalmente influenciado pelas sondagens que continuam a colocar o PS à frente do PSD, com uma vantagem confortável. Mas isto pode ser enganador.

A história prova que um novo líder partidário tem sempre a possibilidade de, em quatro ou cinco semanas, conquistar largas franjas de eleitorado. Basta que, nesse período, use um discurso sedutor e não cometa erros. Será isto que vai acontecer?

No PS, os comentários são bastante prudentes e toda a gente espera para ver o que vai acontecer no PSD. E no partido laranja, o optimismo também não é grande.

Há figuras de relevo dentro do partido que agora apareceram a apoiar Pedro Santana Lopes, com o único objetivo de impedir a vitória de Rui Rio, que acusam de provincianismo e autoritarismo. É um candidato que não agrada ao PSD do Sul, sobretudo de Lisboa. Nestes sectores, ninguém acredita que Santana Lopes possa triunfar nas legislativas, porque o fantasma do seu anterior governo vai persegui-lo. Portanto, estão a usar Santana Lopes apenas para impedir a vitória de Rui Rio.

Pelo que se tem visto nestas semanas de pré-campanha, Rui Rio está a sentir imensas dificuldades em penetrar nas estruturas do partido mais a sul. Dificuldades que também se notam no eleitorado nacional. No centro e sul do país, as possibilidades de Rui Rio parecem reduzidas, tanto no combate com Santana Lopes, como num eventual combate com António Costa.

Ele parece ter noção de tudo isto e aposta neste próximo mês para multiplicar as suas ações na metade sul do país. Está também convencido que, se ganhar os debates com Santana Lopes, pode inverter esta situação.

Ambos têm atacado o Governo de António Costa, mas nenhum parece ter uma estratégia própria. Limitam-se a dizer que uma parte importante dos sucessos do executivo se deve ao trabalho de Pedro Passos Coelho. É evidente que estamos ainda numa campanha interna. Quando um deles tiver de enfrentar António Costa, tudo será diferente.

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