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OPINIÃO: PSD à espera das autárquicas
Editorial Luxemburgo 3 min. 06.04.2016

OPINIÃO: PSD à espera das autárquicas

Passos Coelho pensa voltar a ser primeiro-ministro

OPINIÃO: PSD à espera das autárquicas

Passos Coelho pensa voltar a ser primeiro-ministro
Foto: Lusa
Editorial Luxemburgo 3 min. 06.04.2016

OPINIÃO: PSD à espera das autárquicas

Avenida da Liberdade, por Sérgio Ferreira Borges - O PSD terá de ganhar as eleições regionais e as autárquicas que se avizinham. Sem isso, a liderança poderá ser posta em causa.

Avenida da Liberdade, por Sérgio Ferreira Borges - O congresso do PSD foi aquilo que se esperava. Sem novidade de maior, mas a marcar, claramente, um novo ciclo político. A questão essencial, a da liderança, já estava resolvida.

Pedro Passos Coelho tinha vencido as eleições primárias do partido, com um resultado “norte-coreano”, muito superior a 90 por cento, e sem adversários. Por isso, os putativos concorrentes não foram ao congresso, esperando por um momento mais favorável.

Mas muita gente deixou avisos sérios a Passos Coelho.

Ficou também claro que o PSD já começa a acreditar que o governo de António Costa pode durar muito mais tempo do que Passos Coelho inicialmente pensava. E aguenta-se por várias razões, de que se podem destacar duas: não se vislumbram possibilidades de conflito institucional entre o Governo e o Presidente da República, e também porque a esquerda, no seu conjunto, dá a ideia de ter constituído uma barreira para impedir que o PSD de Passos Coelho possa regressar ao poder. Parece existir muito mais que um mero acordo de incidência parlamentar para garantir uma maioria. Há também um estado de alma, uma consciência de que a direita não pode voltar a ser governo nos tempos mais próximos. E, no PSD, vai-se ganhando consciência desta nova realidade.

Mas é evidente que Passos Coelho e aqueles que o acompanham na direcção do partido ainda acreditam que o governo de António Costa falhe, que surjam factores de bloqueio da actividade governativa, para que o fim da legislatura possa ser antecipado. E, desde a última segunda-feira, o Presidente da República já está de posse de todas as suas competências, podendo, a qualquer momento, demitir o Governo, dissolver o Parlamento e convocar eleições legislativas antecipadas. Uma possibilidade, apesar de tudo, politicamente limitada, pelo facto de, em 2017, haver eleições autárquicas.

Passos Coelho continua a acreditar que a grande ajuda para a sua estratégia pode vir de Bruxelas, do Eurogrupo e da Comissão Europeia. Se a pressão europeia sobre o Governo se tornar insuportável para o Partido Comunista e para o Bloco de Esquerda, o acordo entre as esquerdas pode falir e, então, não restará alternativa que não passe por eleições antecipadas. Num cenário destes, Passos Coelho será, naturalmente, candidato a primeiro-ministro.

O PSD saiu de Espinho com correcções estratégicas, mas, aparentemente, sem novas forças que deixem acreditar num rápido regresso ao poder. Houve alguma dança de cadeiras, mas Passos Coelho não conseguiu renovar suficientemente os órgãos de direcção. Exemplo disso é o facto de Maria Luís Albuquerque, apesar da polémica que a envolve, aparecer numa vice-presidência. E essa é a grande novidade na direcção.

Houve vedetas ausentes neste congresso e, com isso, terão marcado pontos. O que mais pontuou, sem dúvida, foi Rui Rio. Numa entrevista que deu na véspera da reunião, disse que não ia a Espinho para não perturbar Passos Coelho. Isto é, assumiu que se fosse ao Congresso estragava a liturgia que se esperava. Mas não desarmou e, com a ausência, afirmou claramente que continua a pensar que chegará, um dia, à liderança. Talvez esteja à espera do resultado das autárquicas e das regionais. Dificilmente o PSD ganhará as duas principais autarquias, Lisboa e Porto. Nos Açores, também se adivinham dificuldades. E, na Madeira, depois da saída de Alberto João Jardim, Miguel Albuquerque terá de provar o que vale.

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