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OPINIÃO: Paulo bate com as Portas!
Editorial Luxemburgo 3 min. 06.01.2016

OPINIÃO: Paulo bate com as Portas!

Editorial Luxemburgo 3 min. 06.01.2016

OPINIÃO: Paulo bate com as Portas!

Avenida da liberdade, por Sérgio Ferreira Borges - Paulo Portas sai porque não acredita que haja eleições legislativas no curto prazo e, provavelmente, também não acredita que os partidos de direita, mesmo coligados, as pudessem vencer.

Avenida da liberdade, por Sérgio Ferreira Borges - Paulo Portas prometeu abandonar a liderança do CDS e abriu caminho à sucessão, apontando um lote de quatro dirigentes para a escolha. Se a promessa se cumprir, o CDS perderá, mas o país nem sequer dará conta da saída.

O primeiro prejudicado com o abandono de Paulo Portas será o até agora companheiro de coligação, Pedro Passos Coelho. O líder do PSD ficará com a sua posição enfraquecida e é bem possível que ele próprio seja posto em causa, até ao próximo congresso do partido.

Passos Coelho tem optado pelo silêncio desde que António Costa se sentou na cadeira do poder. Do meu ponto de vista, fez bem em recatar-se, deixando a despesa da conversa para Paulo Portas. Com isso, abriu também algum espaço para as eleições presidenciais e evitou réplicas e polémicas internas.

Com a saída de cena de Paulo Portas, terá de ser Passos Coelho a assumir o papel de porta-voz da oposição, e esse ruído pode levar alguns dos seus opositores internos a saírem da toca, desafiando-o, no próximo congresso. O seu ciclo político pode estar no fim. E Rui Rio já o disse, considerando que Passos Coelho não tem condições para ganhar futuras eleições.

A saída de Portas reafirma esta tese. Paulo Portas sai porque não acredita que haja eleições legislativas no curto prazo e, provavelmente, também não acredita que os partidos de direita, mesmo coligados, as pudessem vencer. E, com este cenário afastado, começa a ser difícil a Passos Coelho justificar a sua manutenção na liderança do PSD.

Olhando para o passado de Paulo Portas, há muita gente que ainda duvida desta saída. Já uma vez abandonou a presidência do CDS, porque o partido tinha ficado abaixo dos dois dígitos, numas eleições. E os 10 por cento estavam definidos, por ele próprio, como o grande objectivo. Depois de uns tempos de quarentena, decidiu derrubar Ribeiro e Castro e regressar à liderança.

Mais recentemente, protagonizou uma demissão “irrevogável” do governo que, ao fim de 10 dias, passou a revogável, e regressou, promovido a vice-primeiro-ministro. Com este passado, não seria uma surpresa total se Paulo Portas, em mais um golpe de teatro, regressasse.

Portas faz lembrar Paiva Couceiro, o militar conservador que quis resistir, pelas armas, ao 5 de Outubro. Exilou-se, com homens armados na Galiza, conseguiu a fidelidade de alguns quartéis, a norte do Vouga, e depois, em 1911, tentou entrar no país para reverter a situação. Falhou, prometeu ficar quieto, mas na realidade nunca desistiu desse propósito e, no ano seguinte, voltou a tentar. Falhada esta segunda aventura, enviou um emissário a Lisboa, garantindo que desistia. Mentiu, mais uma vez, e em 1919 desencadeou nova tentativa e chegou a pensar que dominava o norte do país. Mas esta loucura não demorou mais de 25 dias.

Acredito que, desta vez, seja de vez. Paulo Portas deve querer mesmo abandonar o CDS, mas tentando sempre influenciar os acontecimentos à distância. Por isso, foi ele próprio quem indicou, por interposta pessoa, os nomes daqueles que o podem substituir. Pode ser uma forma de retirada tranquila e sem incidentes de maior.

Mas o seu futuro continua a ser motivo de muita especulação. Com absoluta certeza, ninguém sabe se ele se vai manter como deputado, ou se, pelo contrário renuncia ao mandato. Se esta última possibilidade se concretizar, é bem possível que venha a animar um novo projecto de comunicação.


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